“Reforma tributária é urgente para a indústria do País”, diz ex-presidente do BC

Paulo Amaral
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Crédito: Imagem de Steve Buissinne por PixaBay

Affonso Celso Pastore, economista e ex-presidente do Banco Central, defendeu a urgência na aprovação da reforma tributária.

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“Temos um sistema tributário que é uma loucura. Eu olho com extrema simpatia para o projeto de reforma tributária, apresentado pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP), para a criação do Imposto de Valor Agregado (IVA)”, afirmou.

Segundo o economista, que participou do Fórum Nacional da Indústria a convite da CNI, a reforma tributária seria fundamental, inclusive, para o aumento da produtividade e da competitividade da indústria.

“A reforma tributária abriria a possibilidade de melhorar a cara do setor industrial. Mas existe uma resistência difusa, que eu vou colocar na conta dos governadores, mas ou a gente enfrenta o problema ou a indústria não vai sair do ponto que está”, alertou.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, endossou a visão de Pastore e afirmou que a instituição tem apoiado integralmente a reforma tributária.

“A aprovação da reforma dará uma sinalização para o setor produtivo e para a sociedade de que o Brasil está no rumo do crescimento sustentável. Estamos construindo uma harmonia, mesmo entre os que pensam de forma diferente, principalmente para dar competitividade às nossas empresas para as exportações”, explicou.

Recessão profunda

A crise causada pelo coronavírus é, de acordo com Pastore, responsável por uma recessão pior do que a que existiu entre 2008 e 2009.

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Nos cálculos de Pastore, o Brasil encerrá o ano com uma relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) em mais de 100%.

“Não temos condições de viver com uma dívida desse tamanho”, garantiu.

Segundo o economista, o caminho para equilibrar a economia não pode ter como base o aumento de impostos e taxas.

“O caminho da elevação de tributos é péssimo para o aumento do superávit primário. Vamos resistir ao aumento de impostos, esse não é o caminho”, afirmou.

O economista advertiu que é necessário reformular o sistema, com redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e o aumento do Imposto de Renda sobre os dividendos.

Desemprego é inimigo da retomada

Na conferência virtual, o ex-presidente do BC ainda comentou sobre a alta taxa de desemprego no País e no quanto isso atrapalha a retomada econômica.

“A força motriz da recuperação em 2014 foi o consumo das famílias. Elas corresponderam a um pouco mais de 60%”, lembrou.

Para 2020, o cenário ainda é de grande incerteza e depende do desempenho do PIB no terceiro trimestre. Pastore chamou a atenção para o teto de gastos, um mecanismo de controle de gastos públicos federais, incluído na Constituição em dezembro de 2016.

“Com a recuperação lenta, não vejo o risco de a inflação crescer. E teremos uma taxa de juros (SELIC e a taxa de 1 ano de mercado) deflacionada pelas expectativas”, concluiu.

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