Redução de salários pode atingir de 24,5 milhões de trabalhadores

Gabriela Brands
Profissional com graduação em Jornalismo, pós-graduação em Planejamento em Comunicação e Gestão de Crises de Imagem e em Marketing. Tem experiência sólida em Comunicação Política, Assessoria de Imprensa e Gestão de Crises.

Entre as iniciativas anunciadas pelo Governo Federal para enfrentar a crise do coronavírus está a medida provisória que autoriza a redução de jornada de trabalho com redução salarial. Conforme o Ministério da Economia, a ação deve atingir cerca de 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada. A pasta prevê que a medida reduza as demissões durante a crise.

Os brasileiros que tiverem redução de jornada receberão um benefício emergencial do governo. No entanto, em alguns casos, menos dinheiro deve entrar na conta corrente de inúmeros trabalhadores do país. Isso porque as regras do programa são semelhantes ao seguro-desemprego. Ou seja, existe um teto para o pagamento do benefício.

De acordo com o professor do departamento de administração do Centro Universitário FEI e economista Paulo Baia, o corte de salários pode gerar o endividamento do trabalhador. Para evitar essa situação, ele lembra que é importante é manter a cautela. “O cenário é de incertezas. Ninguém sabe o que vai acontecer no 5º dia útil”, alertou.

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Conforme Baia, as pessoas que têm alguma reserva financeira são as que enfrentarão melhor o momento. “Sempre devemos estar preparados para as situações de crise. O ideal é manter uma poupança com recursos para enfrentar seis meses de desemprego”, destacou. Para o professor, esses trabalhadores podem e devem continuar consumindo. “Até porque, para se recuperar a economia vai precisar de consumo”, explicou.

No entanto, os trabalhadores que não possuem nenhuma reserva devem ficar atentos. “Para essas pessoas recomendo fazer uma lista de todas as despesas. Os gastos supérfluos devem ser adiados. Qualquer recurso economizado é importante”, sugeriu.

Por fim, o professor ressalta que a situação mais difícil deve ser das pessoas sem reserva e com dívidas. “Além de manter os gastos apenas essenciais, esses trabalhadores podem procurar os credores e tentar renegociar suas dívidas”, disse. Baia lembrou que muitas instituições financeiras já estão oferecendo refinanciamento e até mesmo, períodos de carência. “Mas o trabalhador deve ficar atento às condições”, finalizou.