Redução da taxa Selic a 4,25% é bom ou ruim para o mercado?

Katherine Rivas
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Crédito: Reprodução / Getty Images / IStockphoto / Uol

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central debate nesta quarta-feira (5) a redução da taxa básica de juros Selic, de 4.5% para 4.25%. Caso a redução aconteça, a taxa de juros atingirá o menor porcentual desde 1999, quando foram estabelecidas metas de inflação.

O anúncio deve acontecer após as 18h. Para o Banco Central a meta principal é controlar a inflação, que deve permanecer em 4%, com oscilações de até 5,5%.

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Para André Galhardo Fernandes, economista-chefe da Análise Econômica consultoria, a redução da taxa básica de juros em 0,25% é praticamente uma realidade. O que seria ótimo para o mercado financeiro, porque pessoas com títulos públicos indexados a taxa Selic terão rendimentos menores, optando por novos fundos como imóveis e ações. “Quando os títulos públicos perdem atratividade, a B3 ganha força junto aos Fundos Imobiliários. A redução da taxa Selic é perfeita para o mercado”, explica Galhardo.

Pablo Syper, diretor de operações da Mirae Asset avalia o eventual corte de juros como uma grande oportunidade que colocará as ações e os imóveis para cima. “Esta seria uma razão para o Ibovespa permanecer forte e as empresas pagarem dividendos que superem as rentabilidades do banco. Se uma ação para 8% de dividendo enquanto o banco paga 3% líquido, o cenário é positivo para ativos na bolsa e Fundos Imobiliários”, afirma.

Um relatório da equipe de pesquisa do Goldman Sachs aponta que espera um corte da taxa Selic para 4,25%, o que seria acompanhado de quatro cortes consecutivos na taxa de 50pb para marcar o fim do ciclo de flexibilização. Embora com a depreciação do real e a pressão ascendente da inflação no final de 2019, o Goldman Sachs espera que a redução seja favorável aos riscos da inflação, considerando também o surto do Coronavírus que pode representar um choque deflacionário para a economia brasileira com a queda das commodities.

O relatório também destaca a meta de inflação de 4%, com redução de até 3,75% em 2021. Com a Selic em queda, o ciclo de normalização retomaria no final de 2021 com a taxa retornando a 6,25%.

Inflação

Para Galhardo e Syper o corte de juros não deve aumentar a inflação, que estaria no menor patamar da história. Galhardo destaca que ainda há uma grande ociosidade na indústria e em outros setores da economia, por este motivo a queda dos juros não aumentaria a inflação. Com uma economia desaquecida, os setores brasileiros trabalham com capacidade limitada.

Fábio Tadeu Araújo, economista e pesquisador de mercado concorda com os especialistas e defende que a inflação deve permanecer a mesma nos próximos quatro meses, pela capacidade ociosa dos setores além do índice de desemprego ainda elevado.

Para o Brasil que estaria procurando crescimento, as reformas não seriam suficientes para recuperar a confiança das agências de investimento, por este motivo Syper avalia que o corte de juros é a melhor estratégia para aquecer a economia e aumentar o PIB.

Quem ganha e quem perde

Com a taxa Selic a 4,25% surge o questionamento: Quem se beneficia? A reportagem conversou com três especialistas para identificar as possíveis implicações.

O economista André Galhardo afirma que as empresas listadas na B3 devem ganhar força com mais entrada de capital e novos investidores, algo que define como “euforia do mercado financeiro”. “Ganha a bolsa de valores que já teve um crescimento robusto em 2019 e os setores de construção civil”.

Com um vazio para os investidores de renda fixa e títulos públicos as ações e Fundos Imobiliários surgem como opções atrativas.

Pablo Syper da Mirae Asset vê como ganhadores o setor imobiliário e de varejo. Enquanto o economista e coordenador de Ciências Contábeis do Anhanguera, Marco Antonio Cordeiro conclui que o maior beneficiado é o governo, que pode melhorar o financiamento da dívida interna. Já o terreno fica árduo para o pequeno investidor que possui aplicações com a taxa Selic, e pode ver seus rendimentos afetados.

 

 

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