Rede D’Or (RDOR3): conheça a empresa do 2º maior IPO da história

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação

Pode vir do setor da saúde, um dos menos afetados durante a pandemia, o maior IPO (Oferta Pública Inicial) de 2020. Na terça-feira (17), a Rede D’or São Luiz (RDOR3), maior grupo independente de hospitais do Brasil, divulgou os detalhes de sua oferta. O valor captado pode chegar a até R$ 12,7 bilhões.

Conforme comunicado da empresa, as ações serão negociada na faixa entre R$ 48,91 e R$ 64,35.

Estarão disponíveis 145.677.487 ações ordinárias. Na mediana de R$ 56,63, o IPO levantaria R$ 8,249 bilhões. Considerando os lotes adicional (29.135.497 ações) e suplementar (21.851.623), a oferta poderá atingir R$ 12,7 bilhões.

BDRs, Day Trade, Unicórnios e novos IPOs.

Hoje é dia de insights para investir em 2021.

Segundo apurou o Valor, em menos de 24h após anunciar os detalhes da oferta, já havia reservas suficientes para emplacar a operação.

Grande investidores nacionais já fizeram ordens, como SPX, Apex, Atmos, JGP e XP Gestão. Do lado internacional, a maior participação deve ser da Capital Group. Outro interessado seria o investidor George Soros.

Se os valores se confirmarem, o IPO do grupo hospitalar poderá ser o segundo maior da história do país, ficando atrás apenas do IPO do Santander Brasil, em 2009, que captou R$ 13,2 bilhões.

Assim, o valor de mercado da Rede D´Or poderia chegar aos R$ 127,7 bilhões. A empresa entraria no restrito grupo de 10 empresas com valor de mercado acima de R$ 100 bilhões, que tem Vale, Itaú e Petrobras.

As ações começarão a ser negociadas no Novo Mercado da B3 a partir de 10 de dezembro.

Confira mais detalhes dos números do IPO da Rede D’or.

 História da Rede D’or

A Rede D’or foi fundada em 1977 no Rio de Janeiro. Aos 32 anos, o neurocientista Jorge Moll Filho decidiu empreender na área da saúde e fez seu primeiro investimento, o Grupo Lab. Naquele ano também foi inaugurada a primeira unidade, a Cardiolab.

A empresa consolidou-se na década de 1980, mas passou a expandir sua atuação na década de 1990. Dos anos 2000 para cá, Jorge Moll se tornou o dono da maior rede independente de hospitais privados do país.

O BTG Pactual se tornou sócio do negócio em 2010, comprando debêntures conversíveis em ações do grupo. Depois do aporte, Moll adquiriu 11 empresas concorrentes.

No mesmo ano, a rede de laboratórios do grupo (Labs D’or) foi vendida para o grupo Fleury, por R$ 1,19 bilhão. O dinheiro foi usado por Moll para comprar hospitais em várias cidades.

Em 2015, o BTG vendeu sua participação na Rede D’or para o fundo soberano de Singapura (GIC). Pelo negócio, o BTG recebeu R$ 2,38 bilhões.

Hoje Jorge Moll Filho é um dos acionistas controladores da empresa, junto com a família Moll. Os sócios são a gestora de private equity (que compram participações em empresas) Carlyle e o fundo de Cingapura GIC.

Sobre a operação

Hoje a Rede D’or opera em oito Estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, Maranhão, Bahia, Sergipe e Paraná. São 51 hospitais próprios, clínicas de tratamento oncológico e radioterapia, além de laboratórios. No total são 8,5 mil leitos. Há ainda outros 32 projetos de hospitais em desenvolvimento, licenciamento ou construção. A empresa tem 51,3 mil colaboradores e 87 mil credenciados.

A companhia também opera a maior rede de clínicas oncológicas do Brasil, que, até setembro de 2020, era composta por 39 clínicas localizadas ao longo do território brasileiro. A companhia se dedica também à operação de laboratórios de análises clínicas e de imagem, bem como unidades de diálise, contando, em 30 de setembro de 2020, com 11 laboratórios e 54 unidades de diálise.

A rede também investe em inovação e pesquisa clínica, por meio do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, fundado em 2010. O Instituto participa dos testes da vacina de Oxford para o coronavírus no Brasil.

A empresa também possui uma das maiores instalações para cirurgias com auxílio de robôs do Brasil. São 18 robôs, disponíveis em 16 hospitais.

 Números da empresa

A Rede D’or registrou de janeiro a  setembro de 2020 lucro líquido de R$ 156,5 milhões. O valor é bem menor que os R$ 908,3 milhões de lucro do mesmo período de 2019.

Em todo o ano passado o lucro líquido foi de R$ 1,19 bilhão, quase o mesmo valor em 2018 (R$ 1,17 bilhão). O lucro líquido aumentou consideravelmente nos últimos anos, já que em 2014 este indicador era de R$ 322,9 milhões.

O Ebitda ajustado foi de R$ 2,03 bilhões até setembro de 2020. No ano inteiro de 2019 o Ebitda foi de R$ 3,68 bilhões. Ou seja, superior aos R$ 2,74 bilhões de 2018.

A receita líquida vem crescendo ao longo dos anos. Passou de R$ 4,9 bilhões (2014)  para R$ 10,9 bilhões (2018) e R$ 13,3 bilhões (2019). Até setembro de 2020 a receita líquida foi de R$ 9,8 bilhões – mesmo valor dos nove primeiros meses de 2019.

 Sobre o IPO

O pedido de IPO da Rede D’or foi protocolado em 9 de outubro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Serão realizadas ofertas primárias e secundárias. A empresa quer listar seus papéis no segmento Novo Mercado, o mais alto grau de governança da B3.

A Rede D’or também fez pedido para converter seu registro de emissora de valores mobiliários de categoria B para categoria A, uma condição prévia para empresas interessadas em fazer um IPO.

A companhia pretende utilizar os recursos que estima receber com a oferta primária no desenvolvimento do seu plano de negócios, a construção de novos hospitais, expansão das unidades existentes, aquisição de novos ativos (hospital, clínica de oncologia, corretora de seguros etc.) e desenvolvimento de novas linhas de negócios.

Por fim, a operação será coordenada por Bank of America, J.P. Morgan, BTG Pactual, Bradesco BBI e XP Investimentos.

Riscos da Rede D’or

  • Capacidade da empresa de implementar sua estratégia de expansão, seja por aquisições ou organicamente;
  • Capacidade da companhia de prever e reagir, de forma eficiente, a mudanças temporárias ou de longo prazo no comportamento dos consumidores da companhia em razão da pandemia da Covid-19, mesmo após o surto ter sido suficientemente controlado;
  • Capacidade da empresa de implementar qualquer medida necessária em resposta ao, ou para amenizar os impactos da pandemia da Covid-19;
  • Os efeitos econômicos, financeiros, políticos e sanitários da pandemia da Covid-19 (ou outras pandemias, epidemias e crises similares).
  • Alteração substancial no comportamento dos consumidores da companhia em razão da amenização, controle e/ou término da pandemia da Covid-19;
  • Eventos de surtos de doenças e pandemias, tal como o surto da Covid -19 no Brasil e no mundo;
  • Rebaixamento na classificação de crédito do Brasil;
  • Intervenções governamentais, resultando em alteração na economia, tributos, tarifas, ambiente regulatório ou regulamentação no Brasil; Impossibilidade ou dificuldade de viabilização e implantação de novos projetos de desenvolvimento e prestação de nossos serviços;
  • Alterações nas leis e nos regulamentos aplicáveis ao setor de atuação da companhia, bem como alterações no entendimento dos tribunais ou autoridades brasileiras em relação a essas leis e regulamentos.

Participe também da nova edição da Money Week, que acontece de 23 a 27 de novembro. Inscreva-se.