Recursos da poupança alavancam financiamento imobiliário, mas você conhece essa relação?

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Foto: Poupança impacta em financiamento imobiliário

A caderneta de poupança tem uma origem muito longínqua. Mais curioso do que isso é o fato de poucas pessoas conhecerem esse princípio, visto que se trata do investimento preferido da nação brasileira.

Neste artigo, você saberá essa informação. Além disso, conhecerá também como a poupança se relaciona com a aquisição de imóveis financiados. Por fim, você saberá qual é o sistema que possibilita que tudo isso aconteça. Confira!

Como surgiu a poupança?

Realmente, pode ser bastante divertido contar para alguém qual é a origem da poupança. Ela foi criada com o nome de caderneta de poupança e com o tempo, a denominação acabou sendo abreviada. No entanto, o que mais chama a atenção é a idade que a senhora poupança já acumula atualmente.

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Em 2021, a principal aplicação dos brasileiros completou 160 anos! Sim, isso mesmo. A poupança foi criada por ninguém menos que Dom Pedro II no ano de 1861. Ouvimos falar tanto desse instrumento financeiro que nem nos damos conta que ele surgiu tanto tempo atrás.

À época, a intenção era permitir que pessoas menos abastadas também tivessem acesso ao acúmulo de capital. Assim, duas regras se destacavam no início da poupança: a primeira era relativo ao rendimento. Foi fixada uma taxa de remuneração anual de 6% (curiosamente o retorno máximo da aplicação continua sendo esse até hoje).

Já a segunda regra versava sobre a garantia de recebimento do valor acumulado sempre que o investidor solicitasse o resgate. Essa salvaguarda era dada por nada menos que o Governo Imperial.

No passado, a característica era importante por dar o aspecto de liquidez imediata ao investimento. Por sinal, isso também se mantém até os dias atuais.

Como o recurso da poupança financia a compra de imóveis?

Por incrível que pareça, pouca gente conhece a função da poupança. Pois fique sabendo que uma grande função social que a poupança exerce é a de financiar a aquisição de imóveis.

O recurso aplicado nesse investimento serve para aquecer o setor de construção civil do país. De quebra, realiza o sonho da casa própria de muita gente.

Isso é feito por meio de um programa conhecido como Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo ― SBPE. Em resumo, ele funciona da seguinte forma: as instituições financeiras aderentes ao programa têm autorização de usar até 65% do volume captado sob a forma de poupança para conceder em créditos para financiamento na compra de casas, apartamentos e terrenos.

A atuação do SBPE é tão grande que até mesmo outros programas se valem de seus recursos para financiar a aquisição de imóveis. Estamos falando do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), ambos de grande importância no cenário nacional de concessão de crédito imobiliário.

Qual é a importância do SBPE?

O SBPE se constitui no grande pilar de financiamento de imóveis do Brasil. Prova disso é a concessão de recursos para o SFH que visa beneficiar as famílias de baixa renda do país. Sem isso, talvez fosse impossível aos menos favorecidos adquirir um imóvel próprio. As condições facilitadas de acesso ao crédito ajudam quem mais precisa.

Outra grande vantagem do SBPE é o fato de que ele pode ser usado para comprar tanto imóveis novos como usados. Além disso, também é possível adquirir bens residenciais e comerciais, além de terrenos. Isso ajuda a aquecer o setor de construção civil, pois as barreiras para uso do recurso são pormenorizadas.

Aliado a isso, existe também o prazo para pagamento, que pode ser bastante estendido. Pelo programa, é possível quitar a dívida imobiliária em até 35 anos, o que perfaz um total de 420 meses. Se isso for somado ao percentual de financiamento do bem de até 80%, tem-se um cenário favorável para a conquista da casa própria.

A ressalva para quem pretende pleitear os recursos fica apenas por conta das exigências: a pessoa precisa ter nascido no Brasil, ser maior de 18 anos e não estar comprometida com os órgãos de proteção ao crédito.

Adicionalmente, vale lembrar que o valor da parcela (que é corrigida pela tabela SAC) não deve ser maior que 30% da renda bruta do beneficiário.

Qual é o cenário atual de empréstimos via SBPE?

Os recursos emprestados por meio do SBPE nunca estiveram em um patamar tão elevado. Devido às novas políticas de juros praticados pela Caixa Econômica Federal, muitas pessoas têm recorrido ao programa. E elas têm sido atendidas.

Isso pode ser constatado pelos números apresentados: o crescimento de empréstimos via SBPE crescem mais de 100% ao ano desde 2018. Com o lançamento de uma nova linha de crédito da CEF com juros atrelados ao rendimento da poupança, o índice de financiamento está nas alturas. 

Somente em março de 2021, foram emprestado mais de R$ 18 bilhões, um crescimento de 172% em comparação com o mesmo mês do ano passado, conforme pode ser verificado neste artigo.

Em conclusão, a poupança tem participação no resultado. Somente em 2020, a captação líquida (soma das aplicações menos resgates) somou R$ 166 bilhões, um valor recorde.