Recuperação econômica no pós-pandemia: quais setores reagirão antes?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Às vésperas de completarmos um ano do início do isolamento social, há muitas dúvidas sobre a recuperação econômica no pós-pandemia. O que esperar de cada setor? Quais segmentos reagirão mais rapidamente à crise?

Para respondermos a essas perguntas, conversamos com os assessores de investimentos da EQI Paulo de Souza e Greco Montagna.  Continue a leitura e saiba quais as expectativas de ambos em relação à recuperação econômica.

Recuperação econômica no pós-pandemia: o que esperar?

O cenário econômico atual conta com três variáveis importantes a serem consideradas: alta liquidez, juros baixos e perspectiva de inflação alta por mais alguns meses. Diante disso, parte do mercado já precifica aumento dos juros para o final do ano.

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No entanto, segundo Montagna, essa será uma decisão difícil para o Banco Central. Isso porque os últimos dados do varejo mostram queda acentuada de vendas nos últimos meses. E, para dar novo gás a economia, o governo passou a avaliar o retorno do auxílio emergencial.

Isso sem falar nos efeitos da pandemia. Segundo Souza, os setores que dependem de circulação de pessoas permanecerão prejudicados. Nesse sentido, o turismo é o principal exemplo.

Feitas essas considerações, vejamos agora quais os segmentos que, na opinião dos analistas, têm chances mais rápidas de recuperação.

Saúde

Segundo levantamento da Bloomberg, as ações do setor de saúde foram as que mais subiram em 2021. Do inicio do ano até a primeira semana de fevereiro, a valorização média desses papéis foi de 10,7%.

Além disso, Montagna destaca algumas grandes negociações do segmento, como a fusão entre Hapvida (HAPV3) e Intermédica (GNDI3). A estreia da Rede D’Or (RDOR3) na bolsa também fortalece as boas perspectivas para o setor.

Para ele, o segmento tem um horizonte de crescimento grande no Brasil. Segundo o analista, os principais motivos são o déficit de leitos, o envelhecimento da população e o fato de as empresas estarem mais profissionais para conduzir esse setor.

Exportadoras de commodities

Paulo de Souza observa que a demanda deverá continuar forte por minério de ferro em 2021. Além disso, com a vacinação mais avançada, parceiros comerciais importantes como a China (que consome também cobre e soja) deverão manter a demanda em alta.

Montagna destaca que estamos há alguns meses em um ciclo de alta de commodities que, historicamente, costuma ser longo. Isso favorecerá o mercado acionário brasileiro, pois a representatividade dessas empresas tem um peso de quase 35% no Ibovespa.

Bancos

Conforme Souza, as ações do setor financeiro têm espaço e tempo para recuperar as perdas do ano passado. Nesse sentido, os balanços do último trimestre já mostraram recuperação, e isso deverá se consolidar ao longo de 2021.

Na sua opinião, há muitas oportunidades no setor. Inclusive, para muitos analistas, os bancos encabeçam a lista dos segmentos que devem se recuperar mais rapidamente dos efeitos da pandemia.

Varejo

Para Montagna e Souza, a recuperação do varejo deverá acontecer em 2021. No entanto, a velocidade e a dimensão dependerão da vacinação e do poder de compra da população.

Isso porque, segundo Greco, empresas como Via Varejo (VVAR3), Lojas Americanas (LAME4) e Submarino (BTOW3) performaram muito bem. A demanda era muito grande e essas companhias conseguiram se reinventar rapidamente por meio do marketplace.

Além disso, o auxílio emergencial foi o grande combustível para a alta performance desse segmento em 2020. “Porém, quando o mercado se deu conta de que o corona voucher iria terminar, os investidores recuaram e o setor começou a patinar”, conclui Montagna.

Além da perda do auxílio, a expectativa de inflação também põe em risco o poder de compra da população. Por isso, apesar de se saber que haverá retomada do varejo, não há como prever quando a recuperação econômica do setor acontecerá.

Tecnologia

O setor de tecnologia da informação (TI) também carrega boas expectativas de recuperação econômica em 2021. Segundo Montagna, “o mundo inteiro está ficando mais eficiente e precisará cada vez mais de soluções de tecnologia. Por isso, a demanda cada vez maior  por softwares e inovações”.

Agronegócio

Montagna aponta as boas perspectivas para o segmento do agronegócio. Segundo ele, “o agro é um setor que, historicamente, carrega o Brasil em momentos de recessão”. Além disso, destaca o progresso do agronegócio brasileiro nos últimos anos, em termos de pesquisa, investimento e produtividade.

“O que ainda atrapalha é a logística. Mas as empresas têm procurado melhorar soluções para levar os produtos ao exterior de maneira mais eficiente”, conclui Greco.

Locação de veículos

Por fim, Greco destaca o potencial de recuperação econômica do segmento de locação de veículos.

A mudança de comportamento da sociedade em abdicar de mais de um carro e começar a usar aplicativo acelerou na pandemia. Isso favoreceu o setor de locação de veículos, que já vinha crescendo mesmo antes da COVID-19.

Nesse sentido, a fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3), que ainda depende de aprovação do CADE, tende a fortalecer as boas expectativas para o segmento.