Recuperação da BRF deve levar pelo menos dois anos, é o que afirma a empresa

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Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

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Em uma declaração, Pedro Parente, presidente executivo da BRF S/A, disse que os investidores não enxergarão os resultados das mudanças na companhia no curto prazo. Para ele, isso não deve acontecer em menos de dois anos, o que reforça um dos maiores desafios do CEO, que é gerenciar as enormes expectativas de seus investidores.

Antes de atuar na BRF, Parente era presidente-executivo da Petrobras. Sua convocação tem como objetivo implementar um plano de recuperação da companhia depois que suas vendas foram corroídas por conta do envolvimento em escândalos de corrupção e problemas de segurança alimentar.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Em abril desse ano, Parente foi nomeado presidente do conselho de administração da companhia, antes de assumir o cargo adicional de presidente-executivo, que deve deixar em meados do ano que vem para que assuma o vice-presidente de operações, Lorival Luz.[/box]

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Por meio de uma declaração pública, a administração da empresa apontou que aguarda a redução nas quedas de suas margens no próximo ano de modo que voltem a atingir a média histórica até 2020. Já em 2021, a empresa espera atingir resultados acima desse nível.

As ações da BRF atingiram em abril desse ano o patamar mais baixo desde 2009. Até outubro, voltaram a subir 10%, mas a queda acumulada em 2018 ainda é de 45%.

Parente não se diz interessado em mostrar bons resultados trimestrais caso esses não sejam sustentáveis. Além disso, Parente e Luz visam reduzir em 30% os custos industriais da empresa em um processo que levará aproximadamente um ano.

Uma das principais chaves para a recuperação da empresa é o mercado interno brasileiro. Um dos seguimentos mais importantes para a empresa, o de alimentação, é onde ela vem perdendo mais participação de mercado. Isso aconteceu depois que a antiga diretoria demitiu a grande parte da equipe de vendas como uma forma de reduzir os custos.

Outra preocupação de Parente são as exportações para o Oriente Médio, que podem ser afetadas pela declaração dada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, que pretende transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

De acordo com Parente, tanto a BRF quanto outros processadores de alimentos do Brasil apostam bastante nas exportações de carne halal, que são destinadas a países muçulmanos. Para ele, os países árabes apresentaram franca reação a essa declaração, logo, espera que essa tenha sido apenas uma retórica de campanha feita por Bolsonaro.

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Foco na demandação

De acordo com Parente, a relação dívida/Ebitda (que é o lucro antes da redução dos juros, impostos, depreciação e amortização, da BRF era de 6,7 vezes. De acordo com o executivo, a meta da empresa é reduzir essa relação para três vezes antes do fim de 2019.

Para Parente, uma vez que os níveis de alavancagem da empresa atinjam os níveis desejados, essa voltará a se expandir, principalmente para países do Oriente Médio e da Ásia. A BRF também pretende instalar uma unidade de produção na Arábia Saudita, que visa atender aos novos requisitos de conteúdo local exigidos no país.

Por enquanto, a BRF tem vendido ativos no continente europeu, na Tailândia e na Argentina. De acordo com Parente e Luz, essas negociações estão indo bem e um mesmo comprador demonstrou interesse nas operações europeias e tailandesas. Há cinco interessados que devem entregar propostas vinculantes para esses ativos.

No caso dos ativos da Argentina, a BRF atualmente considera as propostas da primeira fase de vendas entre os compradores interessados em todo o negócio ou em partes dele.

Com a venda das unidades, a BRF estima levantar cerca de R$ 3 bilhões, mais da metade dos R$ 5 bilhões que precisa arrecadar para quitar a sua dívida. O saldo restante (R$ 2 bilhões) será levantado por meio da venda de um fundo de recebíveis, de imóveis e pela redução do estoque.

De acordo com Luz, o estoque ideal da BRF é de aproximadamente 40 mil toneladas de produtos, mas esse valor atingiu a marca de 140 mil toneladas depois que a União Europeia bloqueou as importações de 12 plantas da companhia. Hoje, a empresa está trabalhando para reduzir esse estoque, que está próximo de 85 mil toneladas.