Real é moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

Cotado acima de R$ 5, o dólar atingiu seu maior valor nominal no Brasil e, em consequência, o real segue se desvalorizando. Na comparação entre as 21 moedas mais fortes do mundo, o real foi a que sofreu maior depreciação perante o dólar neste ano, aponta reportagem da CNN.

O dólar teve uma escalada de 30% perante o real. O dólar começou o ano cotado a R$ 4,01 (no dia 1 de janeiro de 2020). Em 31 de março, fechou o dia cotado a R$ 5,19.

Depois da moeda brasileira, a que mais se desvalorizou foi o rublo russo (com perda de 27% perante o dólar); seguido pelo peso mexicano (com desvalorização de 26%).

Apenas quatro moedas ficaram mais fortes do que o dólar em meio à crise decorrente da pandemia de coronavírus. Foram elas: a libra britânica, o euro, o iene e a libra egípcia.

Apenas em outras duas situações o real sofreu desvalorização maior. A primeira foi em 1999, quando desvalorizou 42,5% em relação ao dólar, em meio à crise cambial. Depois, em 2002, quando desvalorizou 36,9% durante a corrida eleitoral em que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente pela primeira vez.

Razões para a desvalorização do real

A queda acentuada do real se explica pela realidade econômica do país. O Brasil é uma economia emergente e, como tal, sua moeda não é considerada “forte”.

Diante da crise, grandes investidores preferem vender seus reais para comprar moedas mais “fortes”, como o dólar.
Outra questão é a dependência brasileira da demanda chinesa. O Brasil, como país primordialmente exportador, tem a China como seu principal cliente. E a economia chinesa foi a primeira a sentir os impactos do coronavírus.

Além disso, mesmo antes da crise, os preços das commodities já estavam em queda no mercado internacional, especialmente o petróleo. E como as commodities são a principal fonte de receita do Brasil, a queda dos preços tirou a força do real.

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Dólar alto não é bom

Diferentemente do que disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, de que “o dólar alto é bom” porque o Brasil exporta mais, isto quando a moeda estava a R$ 3,95, os analistas entrevistados na reportagem dizem apenas que o dólar como está hoje apenas reflete a insegurança da economia brasileira. Para eles, a moeda está muito acima de seu custo real e isto só serve para causar insegurança aos investidores.