Reabertura: plano trifásico de Trump deve guiar Bolsonaro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Foto: Alan Santos / PR/Agência Brasil

O presidente Donald Trump divulgou na quinta-feira (16) as diretrizes federais de um chamado plano trifásico para reabrir os Estados Unidos em meio à pandemia do novo coronavírus. O plano tem 18 páginas para “Abrir a América de novo” e identifica as circunstâncias necessárias para que as áreas do país permitam que os funcionários voltem ao trabalho.

É esse plano que, segundo os jornalistas Vera Magalhães e Marcelo de Moraes, do blogue BR Político, do jornal O Estado de S. Paulo, deve guiar o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na “reabertura” da economia.

A primeira fase inclui a volta à normalidade de grandes restaurantes e cinemas, além de academias, que podem funcionar com rigorosas normas de distanciamento social e higiene.

A determinação é para que bares continuam fechados, assim como escolas e creches. Na área de saúde, cirurgias eletivas podem voltar a ser realizadas, de acordo com a disponibilidade clínica, mas visitas a hospitais e casas de repouso continuam proibidas.

“Precisamos ter uma economia de trabalho. E nós queremos recuperá-lo. Muito, muito rapidamente. E é isso que vai acontecer”, disse Trump, em uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

“Estamos prontos para começar a vida novamente de uma maneira segura, estruturada e muito responsável”, complementou Trump.

Fases Dois e Três

A Fase Dois, que começa em áreas com “nenhuma evidência de recuperação” nos casos, afrouxa ainda mais as restrições. Bares poderão ser reabertos, mas a diretriz segue recomendando que não haja aglomerações com mais de 50 pessoas.

Na Fase Três, as diretrizes ainda sugerem que indivíduos de baixo risco devam “minimizar o tempo gasto em ambientes lotados”.

Essa terceira fase “autoriza” pessoas consideradas vulneráveis sob o ponto de vista médico (idosos e portadores de algumas doenças) a voltar a interagir publicamente, mas ainda mantendo distanciamento.

Estados e municípios

De acordo com o BR Político, “a ideia de Trump agrada aliados de Jair Bolsonaro. Ministros e parlamentares alinhados com o presidente afirmam que estabelecer alguns critérios para que diferentes Estados possam retomar as atividades, mas deixar a palavra final para os Estados pode ser um caminho para Bolsonaro tentar romper o isolamento em que se colocou nesta questão e deixar de aparecer para a opinião pública como alguém que minimiza a pandemia ou não se preocupa com a saúde das pessoas”.

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O Supremo Tribunal Federal também já decidiu sobre a legalidade de estados e municípios determinarem suas medidas de isolamento social e quarentena. Bolsonaro deveria, portanto, acatar as medidas sanitárias dos entes federativos.

“Os requisitos fixados por Trump são: abrir primeiro em locais (estados) de algo grau de testagem, em que haja comprovação de redução sustentada da curva de contágios e nos quais a capacidade de leitos e UTIs não esteja comprometida”, escrevem os jornalistas.

Comparações com os EUA

“Mais um problema para Bolsonaro e demonstração de que não será simples para o Brasil, que está cerca de duas semanas atrás dos EUA em termos de contágio, falar em retomar as atividades: somos o País que menos testa, entre os 10 com mais casos de Covid-19, não se tem curva decrescente de contágio comprovada (ainda mais por essa falta de testes), e o comprometimento de leitos é crescente em praticamente todos os Estados”, ressaltam.

“Ainda assim”, seguem os jornalistas, “mesmo que seja difícil replicar as condições dos EUA e o prazo para a reabertura brasileira seja mais longo, aliados do presidente avaliam que ter um plano é algo fundamental para ele, que está sendo cobrado por ter demitido Luiz Mandetta por razões pessoais e não técnicas. Isso seria dar alguma conformação de política de Estado ao discurso até aqui puramente emocional e sem base em dados ou ciência do presidente”.

Reabertura depende de testes

Os Estados Unidos já detectaram mais de 743 mil infectados e contaram 40 mil mortes até esse domingo (19). O alto número é decorrência também do número de testes realizados, o maior do planeta, com 3,766 milhões, a uma taxa de 11.378 por milhão de habitantes.

Essa taxa é considerada alta, mas há muito mais países que testam mais proporcionalmente: Estônia (30.405 por milhão de habitantes), Noruega (26.224), Suíça (25.566), Lituânia (23.552), Portugal (23.133), Itália (22.436), Qatar (21.707), Israel (21.634), Alemanha (20.629), Áustria (19.902), Espanha (19.896), Eslovênia (19.849), Austrália (16.510).

Quanto mais testes por milhão de habitantes, mais próximo um país está ter uma real ideia do cenário da crise em seu território. Nesse sentido, os Estados Unidos precisariam testar muito mais.

As informações de quantos testes foram feitos no Brasil são desencontradas, além de tudo. Por aqui, os dados que existem, por ora, são de apenas 296 por milhão de habitantes. Embora seja um dado que certamente está desatualizado, ainda assim, para chegar ao universo de testes necessários para permitir a reabertura da economia com segurança de que uma nova onda não atinja o país, falta muita coisa.

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