Ramagem presta depoimento e nega “intimidade” com família Bolsonaro

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Twitter

Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), prestou depoimento nesta 2ª feira e negou ser “íntimo” da família do presidente Jair Bolsonaro.

O delegado da Polícia Federal foi intimado a depor sobre as acusações do ex-ministro Sérgio Moro, sobre um suposto pedido de interferência política de Bolsonaro no órgão.

O inquérito foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República e está sendo comandado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

“Apreço”

Em seu depoimento, Ramagem confirmou “ter o apreço” do presidente da República e de seus familiares – Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro -, mas negou qualquer intimidade com o núcleo.

De acordo com o G1, que teve acesso ao depoimento, o apreço da família Bolsonaro por ele é em razão dos serviços prestados ao então candidato à presidente da República, durante campanha eleitoral.

“[Ramagem disse] que o depoente [Ramagem] tem ciência de que goza da consideração, respeito e apreço da família do presidente Bolsonaro pelos trabalhos realizados e pela confiança do presidente da República no trabalho do depoente, mas não possui intimidade pessoal com seus entes familiares”, diz parte do depoimento.

Segundo o delegado da Polícia Federal, sua indicação para ser o novo diretor-geral do órgão só não se concretizou por motivos políticos, e não por “desvio de finalidade”, como alegou o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, em sua decisão.

Segundo ele, a desqualificação se deu “através de argumento inverídico de intimidade familiar nunca antes tido como premissa ou circunstância, apenas como subterfúgio para indicação própria sua de pessoas vinculadas ao seu núcleo diretivo de sua exclusiva escolha”.

“[Ramagem também disse] que no entender do depoente, o motivo da sua desqualificação, portanto, foi o fato deste não integrar o núcleo restrito de delegados de Polícia Federal próximos ao então ministro Sergio Moro, uma vez que, diante dos fatos ora relatados, não haveria um impedimento objetivo que pudesse conduzir à rejeição de seu nome”, acrescentou.

Foto com Carlos Bolsonaro

Ramagem

Ramagem também teve de responder sobre uma foto que circula nas redes sociais na qual está abraçado com o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República.

Segundo seu depoimento, o momento registrado não significa que ambos tenham laços de amizade, mas sim que participavam de uma mesma comemoração.

“Que nesta confraternização, que não foi uma festa, porque os policiais estariam muito cedo prontos para o trabalho, estavam apenas familiares […], oportunidade em que o vereador Carlos Bolsonaro passou no local para saudar os policiais pelo trabalho executado, pois no dia seguinte se encerraria a segurança provida pela Polícia Federal com a transmissão do trabalho para o Gabinete de Segurança Institucional – GSI”.

Interferência de Bolsonaro na PF

Alexandre Ramagem negou veementemente que o presidente Jair Bolsonaro tenha, em qualquer oportunidade, pedido a ele qualquer tipo de relatório de inteligência da Polícia Federal sobre assuntos sigilosos do órgão.

Segundo ele, sua possível presença na diretoria do órgão não seria uma forma de aproximar o presidente da Polícia Federal, algo que não acontecia com Maurício Valeixo no cargo.

“[Ramagem acrescentou] que o presidente da República nunca chegou a conversar com o depoente, sob a forma de intromissão, sobre investigações específicas da Polícia Federal que pudessem, de alguma forma, atingir pessoas a ele ligadas”, declarou.

Consulta sobre substituto de Valeixo

O diretor da Abin confirmou ter sido consultado pelo presidente Jair Bolsonaro sobre quem deveria ocupar a diretoria-geral da Polícia Federal no lugar de Maurício Valeixo, após sua indicação ter sido cassada pelo STF.

“Que indagado se foi consultado a respeito das qualificações profissionais do DPF Rolando Alexandre enquanto possível indicado para o cargo de diretor-geral, respondeu que sim, tendo sido questionado a respeito, tanto pelo presidente da República como pelo ministro da Justiça, André Mendonça”.

Valeixo deu versão diferente

Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal, prestou depoimento antes de Alexandre Ramagem. Segundo suas declarações, o presidente da República afirmou, sim, que precisava de alguém com que tivesse mais afinidade no comando do órgão.

Valeixo ainda afirmou que, ao contrário do que foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) do dia 24 de abril, que ele não pediu para ser exonerado. Na publicação, a exoneração foi a pedido de Valeixo, o que ele negou no depoimento de hoje.

Sua exoneração, inclusive, tinha a assinatura de Sergio Moro, que negou ter firmado qualquer documento nesse sentido, o que presume crime de falsificação. Logo depois, saiu edição extra do DOU sem a assinatura do ministro.

O próprio Bolsonaro telefonou a Valeixo avisando de sua saída. Foi uma demissão pura e simples, sem negociação, e por telefone.

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