Apesar de ações estacionadas, Raízen (RAIZ4) tem, para analistas, enorme potencial

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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Crédito: Raízen /Divulgação

A Raízen (RAIZ4) estreou na bolsa de valores há quase dois meses, na maior oferta pública inicial (IPO) do ano. Desde então, as ações desta companhia estão praticamente “congeladas”, sem apresentar grandes altas ou quedas: a precificação da oferta foi a R$ 7,40 – no piso da faixa indicativa – e, nesta sexta-feira (24), os papéis eram negociados a cerca de R$ 7,20. 

Apesar de a ação estar parada, a crença de boa parte dos analistas é que a Raízen, que é uma joint venture da Cosan (CSAN3) e da Shell, tem muito potencial de valorização – isso por uma série de motivos. 

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“A combinação de ativos de duas empresas culturalmente muito diferentes deu origem a uma das joint ventures de maior sucesso da história”, afirmam os analistas Thiago Duarte, Bruno Lima, Pedro Soares e Henrique Brustolin do BTG Pactual em relatório. 

A companhia, segundo eles, comprovou já ser muito eficiente, tendo apresentado uma boa administração dos seus ativos de distribuição e dos de produção de diferentes produtos (principalmente açúcar e combustível) na última década – apesar de todas as crises que o Brasil enfrentou. “Administrar esses ativos não é fácil. Controle de preços de combustível, volatilidade de câmbio, rendimento baixo da cana, recessão econômica, greve de caminhoneiros. Ainda assim, a Raízen conseguiu sair mais forte”, comentaram. 

E o provável é que a empresa avance ainda mais. “Após consolidar sua posição e captar R$ 6,9 bilhões em IPO, a Raízen está pronta para iniciar um novo ciclo de crescimento”, disseram os analista do BTG. “É a agilidade de fazer negócios da Cosan com a  plataforma global, o foco na segurança e controles sólidos da Shell”.

A análise do UBS foi na mesma linha neste sentido, com os analistas Luiz Carvalho, Matheus Enfeldt e Tasso Vasconcello afirmando que o “presente é sólido e o futuro promissor”. 

Raízen avança de ponta a ponta na cadeia produtiva

A Raízen possui, atualmente, três braços. A companhia atua nas frentes de distribuição de combustíveis, de produção de açúcar e de energias renováveis e está, para os analistas, bem posicionada em todos eles – e pronta para avançar.

No braço de produção de cana-de-açúcar, o BTG Pactual vê a Raízen se alavancando. “Deve melhorar sua já incomparável capacidade de abastecimento de cana-de-açúcar para extrair mais valor da biomassa”, afirmam os analistas.  

A Raízen espera, segundo o BTG, capturar maior parte do seu crescimento através da sua unidade upstream, ou seja, da “exploração” – a cana de açúcar cultivada em suas fazendas. Além de açúcar, esse braço é promissor pela sua capacidade de, no futuro, beneficiar a companhia quando o assunto é ESG.

A área de energias renováveis, para o UBS, deve avançar com os recursos obtidos no IPO. A companhia, para eles, “parece pronta para entregar um crescimento acelerado”. “Com duas novas plantas de biomassa sendo abertas por ano, estimamos um aumento de 1% no Ebitda da Raízen em 2024, 3% em 2025 e 4% em 2026”, comentaram. “Em energias renováveis e açúcar, a Raízen possui uma escala com a qual será difícil de competir; isso permite que a empresa surfe o cenário positivo — e, em nossa opinião, estrutural — em açúcar e etanol”, escrevem os analistas do banco suíço. 

Recentemente, a Raízen adquiriu a Biosev e se tornou o segundo principal player na produção de cana do país – ficando atrás apenas de uma cooperativa do setor. Ela deve, com isso, surfar margens ainda melhores. E a aquisição, pontua o BTG, não só fez sentido do ponto de vista do preço de aquisição da cana, mas também para o que significa a estratégia futura da Raízen envolvendo energias renováveis. 

Ela está, agora, em posição de extrair mais valor da cana do que os outros, comentam. “Aproveita-se da escala da sua produção de etanol, de energia, de açúcar e da venda de combustíveis. Com isso, aumenta a sua capacidade de alavancar inteligência de mercado gerada em ambas as pontas da cadeia”, explicam.

Companhia deve se beneficiar de avanço da agenda ESG no mundo

Além de estar avançando operacionalmente, a Raízen deve, também, surfar na onda ESG. “A visão para o etanol nos próximos dez anos é muito mais construtiva do que nos últimos dez anos”, comentam. Tanto no Brasil quanto no exterior, o programado é que os estados incentivem cada vez mais o uso de energias mais limpas.

Para além do convencional, a Raízen vem também trabalhando em uma série de novas tecnologias, como no caso do etanol de segunda geração – ainda mais limpo que o de primeira, por poder ser produzido a partir de resíduos de diferentes tipos de plantações – e do biogás.   

No caso do etanol de segunda geração, a Raízem vem atuando para ser a primeira companhia a conseguir produzir esse combustível em larga escala. “O fato de a Raízen ter conseguido posicionar o E2G em um nível totalmente novo em termos de práticas e preços de comercialização é algo extremamente positivo”, comenta o BTG.

Ao mesmo tempo, sua plataforma diversificada de downstream e de comercial deve avançar por meio do trading e da aproximação com o cliente. A divisão de combustíveis, para os analistas do UBS, apresentam perspectivas estáveis para os próximos anos, o que não é uma má notícia para a equipe do UBS – apesar de não esperarem um crescimento forte desse segmento, aguardam uma manutenção do “confiável balanço entre margens e expansão de volumes”.

A Raízen, por fim, tanto para o BTG quanto para o UBS, oferece segurança, pois atua com produtos commoditizados, tendo uma lista de clientes e um mercado sólidos. Com tudo isso, tanto o banco de investimento brasileiro quanto o suíço recomendam compra, com preços-alvo fixados, respectivamente, em R$ 11 e R$ 9,60.

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