Rainha Elizabeth II faz pronunciamento raro e afirma: “dias melhores virão”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / YouTube

A rainha Elizabeth II fez nesse domingo (5), às 16h de Brasília, um raro pronunciamento aos súditos ingleses, em seus 68 anos de reinado. Foi só a quarta vez, fora as costumeiras mensagens de Natal, que a monarca pediu rede nacional de rádio e televisão para se dirigir à nação. Esse é mais um reflexo da importância da crise mundial que o novo coronavírus causa em todos os países. O discurso foi tranquilizador. Para ela, “dias melhores virão”.

Em seu raro discurso, ela disse: “espero que nos próximos anos todos possam se orgulhar de como responderam a esse desafio”.

“E aqueles que vierem depois de nós dirão que os britânicos desta geração eram tão fortes quanto qualquer outro”, falou com calma, serenidade e uma grande dose de esperança.

Como de costume, a rainha não se portou como uma babá nacional. Nada de pedidos de lavagem das mãos e permanência em casa. Isso ela deixou para os técnicos do governo. A fala dela é um simbolismo.

Dias melhores

Elizabeth II promete à nação que dias melhores estão por vir: “devemos nos consolar para que, enquanto tivermos mais ainda para aguentar, dias melhores retornem: estaremos com nossos amigos novamente; estaremos com nossas famílias novamente; nós nos encontraremos novamente”.

O desafio de combater o coronavírus é diferente de outras dificuldades enfrentadas anteriormente, disse, salientando que agora existe um objetivo comum a todos.

“Desta vez, nos unimos a todas as nações do mundo em um esforço comum, usando os grandes avanços da ciência e nossa compaixão instintiva para curar”, salientou, deixando claro que não é uma questão de fé, nem de achismos, mas de ciência. “Nós teremos sucesso – e esse sucesso pertencerá a todos nós”.

“Hoje, mais uma vez, muitos sentirão uma sensação dolorosa de separação de seus entes queridos. Mas agora, como sabemos, no fundo, é a coisa certa a fazer”, afirmou, convicta.

Outros discursos

Na história, a rainha reservou seu tempo para discursar em quatro oportunidades.

O início da guerra terrestre no Iraque em 1991 foi uma delas. Outra bastante simbólica, foi morte de Diana, princesa de Gales, que comoveu não só a Inglaterra, mas todo o mundo – e ela falou mesmo sem ter tanto apreço assim pela ex-nora.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Falou também em agradecimento após a celebração do Jubileu de Diamante da Rainha, em 2012, celebrando 60 anos do seu reinado.

E, especialmente, o seu primeiro, quando da morte da sua mãe. Esse discurso foi citado no pronunciamento de hoje.

Ela era ainda adolescente em 1940, com sua irmã, a princesa Margaret: “quando crianças, conversamos daqui de Windsor com crianças que foram evacuadas de suas casas, por causa da guerra”.

Rainha fala sobre compaixão e solidariedade

“Na nossa comunidade e em todo o mundo, vemos histórias emocionantes de pessoas se unindo para ajudar outras pessoas, seja através da entrega de alimentos e remédios, checando vizinhos ou convertendo empresas para ajudar no esforço de socorro”, referindo-se especialmente aos profissionais de saúde.

Ela agradeceu os aplausos a esses profissionais.

“Embora o auto-isolamento às vezes seja difícil, muitas pessoas de todas as religiões, e de nenhuma, estão descobrindo que isso oferece uma oportunidade de desacelerar, pausar e refletir, em oração ou meditação”, afirmou.

Ao final, reforçou à sua maneira que o isolamento social é o melhor caminho.

“O orgulho de quem somos não faz parte do nosso passado, define o nosso presente e o nosso futuro”, concluiu, antes de agradecer por “aqueles que estão em casa” e que, por isso, ajudam “a proteger os vulneráveis ​​e poupar muitas famílias da dor já sentida por aqueles que perderam entes queridos”.

O Reino Unido caminha para ser um dos próximos epicentros da pandemia na Europa, junto com a França, enquanto Espanha e Itália finalmente vêem os números trágicos declinarem.

Ao final do discurso, eram 47.806 britânicos infectados, com 5 mil mortos em decorrência do Covid-19.

LEIA MAIS
Crise do coronavírus: Reino Unido deve continuar enfrentando longo isolamento social

PMI tem queda na zona do euro e no Reino Unido