Quero-Quero (LJQQ3) faz sua estreia na bolsa de valores

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Uma das maiores varejistas de materiais de construção do País, a Quero-Quero (LJQQ3) estreia na Bolsa de Valores nesta segunda-feira (10). A empresa levantou quase R$ 2 bilhões na Oferta Inicial de Ações (IPO) , dando uma ideia da empolgação do mercado mesmo em meio à crise do coronavíurs.

A rede gaúcha, que expandiu sua operação nos três Estados do Sul nos últimos anos, tem agora um plano mais ousado. Quer abrir lojas em todos os Estados e  abocanhar o mercado de materiais de contrução em cidades pequenas e médias.

  • Neste texto, você vai conhecer mais sobre a empresa que acabou de lançar suas ações no mercado. Nas próximas semanas, traremos mais informações sobre outras “Novatas da Bolsa”. Ao menos 12 estão com IPOs engatilhados.

Conheça a Quero-Quero

Fundada na cidade de Santo Cristo, no Rio Grande do Sul, em 1967, a Quero-Quero nasceu como uma pequena empresa de comércio e representações.

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A varejista passou a ampliar seu portfólio, oferecendo produtos de materiais de construção, eletrodomésticos e móveis, de forma a contemplar grande parte das necessidades dos clientes no segmento casa e construção.

A segunda loja veio em 1974 e a expansão para outro Estado veio em 1993 (em Santa Catarina). Em 2008, foi adquirida pelo fundo de private equity Advent International que alterou a sede para Cachoeirinha (RS). Assim, iniciou um período de profissionalização, implementação de controles internos e maior expansão.

Além do segmento varejista, a Quero-Quero administra os cartões de crédito VerdeCard (3 milhões de cartões) e conta com uma diversificada carteira de serviços financeiros. O objetivo é levar a solução completa dentro do varejo para os clientes.

Por fim, em 2019 a empresa lançou sua estratégia multicanal com site e-commerce e aplicativo.

Em plena expansão pelo país, a Quero-Quero tem 353 lojas (até março). Elas estão distribuídas no Rio Grande do Sul, em Santa Cataria e no Paraná. Há ainda dois centros de distribuição e mais de 6 mil funcionários.

Hoje o CEO da empresa é Peter Furukawa, que está no cargo desde 2009. Antes, Peter atuou como CEO da IMC, COO da Pernambucanas, CEO do Submarino e Diretor-Financeiro na PepsiCo Foods.

Quero-Quero

 

Sobre o IPO

A estreia na Bolsa de Valores será nesta segunda-feira (10). O pedido de IPO foi feito em março e, por conta do coronavírus, foi paralisado e retomado em 17 de junho. As ações serão listadas no Novo Mercado da B3 com o código LJQQ3.

A oferta inicial de ações da Quero-Quero foi precificada a R$ 12,65 cada. Ou seja, dentro da faixa indicativa de R$ 11,30 a R$ 14. A precificação foi feita na última quinta-feira (06).

A gestora norte-americana de fundos de private equity Advent International vendeu sua participação de 88% e embolsou R$ 1,66 bilhão.

O restante, R$ 280  milhões, vai para o caixa da empresa. Assim, a operação da Quero-Quero movimentou mais de R$  1,94 bilhão

Os planos da Quero-Quero

Com os recursos do IPO a Quero-Quero planeja abrir e reformar lojas, investir em centros de distribuição e reforçar o capital de giro.

Entre os principais objetivos da empresa, destacam-se:

  • A empresa quer abrir pelo menos uma loja nos municípios onde ainda não atua no RS, PR e SC. Ou seja, 28 no RS, 92 em SC e 156 no PR;
  • A Quero-Quero estima que outras 354 cidades no Mato Grosso e São Paulo tem condições para a abertura de lojas;
  • Aumentar os centros de distribuição. Hoje são dois, no Rio Grande do Sul;
  • Ampliar a experiência do cliente, o mix de produtos e o potencial de vendas em lojas já existentes;
  • Melhoria dos resultados por meio de ganhos de eficiência operacional e manutenção de disciplina financeira;
  • Fortalecimento e expansão da oferta de serviços e produtos financeiros, como o VerdeCard;
  • Reforçar o caixa da Quero-Quero.

 Os números da empresa

A receita operacional líquida da Quero-Quero vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Assim, o indicador passou de R$ 972 milhões (2017) para R$ 1,1 bilhão (2018) e R$ 1,34 bilhão (2019).

Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) teve um salto significativo em 2019. Passou de R$ 88 milhões em 2018 para R$ 162 milhões no ano passado. A margem Ebitda ajustada cresceu de 8,3% para 9,3%.

Números da Quero-Quero

 

Tá, e aí?

Antes do IPO, algumas casas de análise divulgaram relatórios sobre a empresa para orientar os investidores.

Na avaliação da Eleven, a taxa de crescimento de vendas, Ebitda e lucro líquido da empresa são atraentes. Os analistas avaliam ainda que sua segmentação é altamente fragmentada, já que não existem players com participação no mercado superior a 10% no setor.

Apesar disso, a Eleven alerta que há risco de execução dada a aceleração do seu plano de abertura de lojas com entrada em São Paulo. Há ainda a necessidade de maior investimento em marketing, e possível aumento da inadimplência na operação de cartões próprios VerdeCard pós-expansão em SP.

Mas a Suno Research alerta que a Quero-Quero só disponibilizou os três últimos anos de resultados. Para uma empresa de cinco décadas, isso não é suficiente para entender seu histórico operacional.

Para a Suno, a destinação quase total do lucro de 2017 e 2018 para amortizar prejuízos levanta a suspeita de que antes desses anos os resultados talvez tenham sido fracos. Porém os analistas elogiam a atual condição financeira da empresa e posição competitiva.

Por fim, a Condor Insider cita ainda que existe o risco de baixas no balanço da empresa, já que os próximos trimestres vão refletir os prejuízos com a pandemia. O plano de expansão também é “ambicioso”, segundo a casa de análise.