Quem são os investidores brasileiros: pesquisa revela renda, sexo, classe e profissão

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução/Unsplash

Mais de 90% dos investidores brasileiros pertencem às classes B e C. Na média, o investidor tem renda mensal familiar de R$ 7.100.

Esses são apenas alguns dados da pesquisa “Raio-X do Investidor Brasileiro – 4ª Edição”  divulgada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A pesquisa foi feita no fim de 2020, no contexto da pandemia de Covid-19.

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No total da amostra da população brasileira, há pessoas que investem em produtos financeiros e outra parcela que direcionara recursos para imóveis, estudos ou negócio próprio. Para efeito deste levantamento, foi isolada a população que investe em produtos financeiros. É a partir dela que é traçado o perfil do investidor, que corresponde a 40% da amostra. O perfil de cada um deles foi resumido pela Anbima.

Os investidores têm forte presença no Sudeste (48% deles estão lá) e uma participação grande da classe B. No entanto, a classe C prevalece, a exemplo do perfil da população brasileira como um todo.

A maioria dos investidores (55%) são homens, e outros 45% são mulheres. Na média, os investidores brasileiros têm 42 anos.

Quase a metade (48%) mora no Sudeste. Depois, os Estados que têm mais investidores são o Nordeste (17%) e o Sul (15%).

Sobre educação, 42% dos investidores brasileiros têm ensino superior, enquanto que outros 43% têm ensino médio.

Do total de investidores, 86% trabalham e têm atividade remunerada. Do total, 33% são assalariados registrados e 15% são freelancers.

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Investidores brasileiros - Pesquisa Anbima

2020 registra queda do número de investidores

Os dados da Anbima mostram queda no número de investidores pela primeira vez em quatro anos.

Eles eram 44% da amostra em 2019, depois de um crescimento gradativo nas três primeiras edições do Raio-X. Ao fim de 2020, 40% se declararam investidores.

Investidores brasileiros - Pesquisa Anbima

Interferência da pandemia no emprego e na renda

Segundo a Anbima, é inquestionável que a pandemia impactou o bolso do brasileiro. A pesquisa identificou que 55% da população teve perda de rendimento ao longo de 2020.

Desse universo, 45% registraram perda parcial e 10%, total. Para 45% da amostra não houve alteração.

A perda de rendimento foi maior que a de emprego, que impactou 31% dos domicílios estudados.

A classe C respondeu pela maior parcela de brasileiros impactados pela queda na renda: 58% do total, seguida da classe B (52%) e da classe A (43%). A mesma distribuição se dá quanto à perda do emprego: 37% dos impactados estão na classe C. Na classe B foram 22% e na classe A, 13%.

Entre os investidores, 50% do total da amostra conseguiram manter a renda (contra 41% dos não investidores). A perda de emprego no domicílio afetou 36% dos não investidores e apenas 24% daqueles que tinham investimentos.

A pesquisa identificou que quase 20% da população brasileira precisou se descapitalizar, se endividar ou vender algum bem durante a pandemia para honrar seus compromissos financeiros. Tais movimentos foram medidos apenas entre aqueles que não guardaram nenhum dinheiro em 2020. Dentre essas pessoas, boa parte recorreu à reserva de emergência para ajudar a pagar as contas.

O levantamento mostra que 12% da população – o equivalente a cerca de 12,5 milhões de pessoas – retirou dinheiro de aplicações financeiras ou outras reservas para conseguir fechar as contas.

Outros 11% pediram empréstimo, usaram o cheque especial ou o rotativo do cartão em momentos de emergência. Enquanto 5% venderam algum bem para fazer caixa no ano passado. As classes A e B foram as menos atingidas pela crise, enquanto a classe C foi a que mais precisou recorrer a venda de bens ou a pedidos de empréstimos.

Quem economizou em 2020

Trinta e seis por cento dos entrevistados conseguiram economizar algum dinheiro em 2020.

Apesar de indicar queda de dois pontos em relação a 2019, o número fica acima de 2017 e 2018.

Segundo a Anbima, isso indica que a pandemia interferiu nas economias de parte da população, mas uma parcela significativa teve fôlego para guardar dinheiro. Entre os brasileiros que guardaram dinheiro prevalecem os pertencentes às classes A (70%) e B (47%). São predominantemente do sexo masculino e têm entre 16 e 24 anos.

De onde veio o dinheiro economizado em 2020

A redução dos gastos com viagens, festas, idas a bares e restaurantes foi a principal fonte de economia de quem conseguiu guardar dinheiro em 2020, o que indica uma formação de poupança em razão da mudança de hábitos durante o isolamento.

Investidor

Para 56% das pessoas que declararam ter economizado, essa foi uma das fontes de recursos.

Um ano antes, quando não havia pandemia, apenas 34% das pessoas que economizaram apontaram essa redução de gastos como origem dos recursos poupados.

O impacto da pandemia e do distanciamento social sobre a forma como os brasileiros economizaram dinheiro foi tão significativo a ponto de 7% afirmarem que guardaram porque “não tinham onde gastar”.

A segunda maior fonte de economia em 2020 foi a não realização de compras desnecessárias, apontada por 24% das pessoas que conseguiram guardar algum dinheiro. Em 2019, o item liderava entre os gatilhos para poupança, com 47% das respostas.

O controle das despesas e a reserva de parte do salário do mês vieram na sequência, apontados por 19% e por 11%, respectivamente, como formas de economizar em 2020.

Ambos apresentam queda em relação ao levantamento anterior, quando os dois itens foram apontados como justificativas para a economia por 34% e 35%, respectivamente, das pessoas que guardaram algum dinheiro em 2019.

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