Queda em NY suscita preocupação com correção dos mercados

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

Ron William, estrategista de mercado e fundador da RW Advisory, deu entrevista ao site da CNBC e demonstrou sua preocupação com os mercados em Nova York.

Mesmo com persistentes riscos econômicos globais causados pela pandemia da Covid-19 e das tensões geopolíticas, a quarta-feira (2) viu o S&P 500 e o Nasdaq alcançarem máximas.

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De acordo com o economista, os preços dos ativos, que experimentam momentos de alta nos últimos meses, “podem estar à beira de um colapso acentuado”, conhecido como “momento Minsky”.

O tal “momento Minsky” (em alusão ao economista Hyman Minsky) refere-se a um colapso súbito do mercado após uma corrida de alta insustentável, que neste caso poderia ser alimentada pelo ambiente de “crédito fácil” criado como resultado de medidas de estímulo fiscal e monetário sem precedentes.

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Mercados quebraram recordes na quarta

A preocupação aumentou na quarta-feira (2), com o S&P 500 e o Nasdaq atingindo altas recordes, e com o Dow Jones Industrial Average fechando acima de 29.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro.

Na visão de William, há vários fatores responsáveis por esse “crash”.

O primeiro a ser citado foi a natureza estreita dos ganhos de mercado recentes, com grande parte das ações de preço positiva nos Estados Unidos sendo impulsionadas por gigantes da tecnologia .

“Esta é uma história contínua de tecnologia de rua, Wall Street e Main Street, todas divergentes”, comentou à CNBC.

“Se olharmos para o índice ponderado igual do S&P 500, ele mal ultrapassou seu pico de junho e, na verdade, tem se estabilizado desde então, então podemos ver lá a divergência”, observou o economista.

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S&P acumula 10,8% no ano

O especialista consultado pela CNBC compara o mercado americano com o do Reino Unido.

“Se olharmos para o resto do mundo fora dos EUA, o Reino Unido vem mostrando índices negativos”, lembrou.

O índice FTSE 100, do Reino Unido, registrou queda de mais de 20% no ano, descolado dos mercados dos EUA, que ultrapasou seus picos anteriores à crise.

O S&P 500, por exemplo, avançou 10,8% no acumulado do ano.

Liquidez e a volatilidade

Mas o cenário de liquidez e a volatilidade pode indicar um quadro perigoso, pondera Williams em entrevista à CNBC.

“Os fluxos de ETF (fundos negociados em bolsa) no S&P 500 atingiram um novo recorde de baixa”, acrescenta.

“Se dermos uma olhada no VIX (índice em tempo real das expectativas de volatilidade do mercado), que também mostrou crescimento atípico interessante à medida que os mercados subiram, indicam um hedge potencial para riscos de baixa ”, completou.

Horizonte de queda?

O momento Minsky citado por William pode ver os ativos caírem de “20 a 30% ou mais”, afirmou ele.

Ou seja, a atual recuperação “em forma de V”, pode levar a um “reteste contínuo do crash de março”.

O S&P caiu para 2.237,4 em 23 de março; nesta quarta-feira, fechou em 3.580,84.

Combinado com altas avaliações, sazonalidade negativa do final de agosto e início de setembro e o ciclo eleitoral que se aproxima, William disse à CNBC que o mercado pode estar procurando correção.

Isso pode ser saudável a longo prazo, diz ele, e pode culminar em um “período de reparo de vários anos antes que os riscos de longo prazo reapareçam novamente”.

Hoje: NY em queda

As bolsas americanas engataram a ré nesta quinta, após vários recordes consecutivos do S&P 500 e da Nasdaq.

Um dos motivos seria um robusto movimento de venda de opções das techs, concorridas nos últimos pregões.

O que mais impactou as ações foi o índice ISM de atividade nos serviços, que caiu a 56,9 pontos em agosto, mais que a previsão (57).

Apesar de os pedidos de seguro-desemprego na semana terem somado 881 mil e ficado abaixo da projeção (950 mil), analistas alertam que houve uma disparada de pedidos ao programa de Assistência ao Desemprego na Pandemia.

Existem ainda 29 milhões de americanos reivindicando benefícios relacionados à falta de trabalho. De todo modo, a realização um dia chegaria.

Nesta tarde, o Dow Jones caía 3,41%, o S&P 500 4,24% e o Nasdaq 5,72%.

As ações que mais recuaram: Tesla (-6,52%), Apple (-4,65%) e Zoom (-7,61%).