Queda de confiança na economia é a maior já registrada, afirma FGV

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/FGV

A Fundação Getulio Vargas antecipou a divulgação das sondagens quanto à confiança empresarial e do consumidor brasileiro, a fim de captar a sensibilidade das pessoas quanto à crise decorrente da pandemia de coronavírus.

O resultado, divulgado nesta terça-feira (14) é que o momento atual é o de confiança mais baixo já registrado historicamente.

“A FGV resolveu fazer essa prévia e antecipar os resultados que viriam apenas no final do mês porque as informações estão mudando diariamente. Tanto em relação aos números do avanço da epidemia quanto em relação às medidas que estão sendo tomadas pelas autoridades. Com isso, as percepções e expectativas quanto ao futuro estão mudando rapidamente”, explica a coordenadora das Sondagens, Viviane Seda.

Na prévia que levou em consideração dados levantados até ontem (13), os resultados foram um recuo no Índice de Confiança Empresarial (ICE) de 27,6 pontos, chegando a 53,7 pontos; e de queda de 22,1 pontos no Índice de Confiança do Consumidor, que chegou a 58,1 pontos.

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Resultado é pior do que crise de 2008

“A queda é realmente muito forte. São 27,6 pontos a menos na confiança empresarial, e 22 pontos na do consumidor. Não temos nenhuma comparação com outro momento que tenha registrado uma queda tão grande”, avalia Viviane.

“Durante a crise financeira de 2008, as quedas foram expressivas, mas ainda assim não caíram tanto”, ela revela. Em novembro de 2008, a confiança da indústria chegou a cair 13,8 pontos, menor registro antes do atual. Em outubro de 2008, a confiança do consumidor vaiu 10,8 pontos.

“Mesmo se considerarmos de setembro a novembro de 2008, temos uma queda de 34,5 pontos na perspectiva do empresariado. Agora, em menos de um mês, o recuo é de 27,6 pontos”, compara.

“É realmente uma deterioração forte na percepção do empresariado e também dos consumidores para agora e para os próximos meses”, complementa.