Quarentena é prorrogada até 10 de maio em todo o estado de São Paulo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / YouTube

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou na manhã desta sexta-feira (17) a prorrogação da quarentena em todo o estado até o dia 10 de maio, como uma das maneiras de tentar frear a proliferação do novo coronavírus.

A mais rica unidade da federação tem 12.841 casos confirmados e 928 mortos em decorrência do Covid-19.

É a segunda vez que Doria prorroga a quarentena. Ela começou em 24 de março e iria inicialmente até dia 7 de abril. Mas foi prorrogada novamente até o dia 22 de abril. Agora, vai até 10 de maio.

A prorrogação vale para os 645 municípios do estado de São Paulo.

“A prorrogação foi amparada por um comitê médico composto por 15 membros, composto por especialistas. Eles orientam todas as decisões tomadas pelo governo e prefeitura de São Paulo”, afirmou Doria na coletiva diária à imprensa.

Pico em maio

David Uip, infectologista coordenador do Centro de Contingência contra o Coronavírus no estado de São Paulo, já foi um dos infectados pelo vírus. Agora, está curado.

Ele disse que o pico de infecções deve ser em maio: “as curvas de ascensão estão dentro do esperado e até de uma forma melhor do que nós imaginávamos, porque nós entendemos que com esse distanciamento social foi possível achatar, em um primeiro momento, a curva de ascensão e diminuir o número de infectados”.

“Nós estamos esperando que esse pico aconteça e o desafio é que não seja um pico Monte do Everest e sim de um montanha. Nós estamos na ascensão da curva, mas investigamos que semana de maio vai se dar o pico”, afirmou.

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Uip disse que o vírus está concentrado na região metropolitana de São Paulo: “A população precisa estar convencida que o distanciamento é absolutamente fundamental. Primeiro, porque você melhora diminuindo o índice de transmissibilidade, depois porque diminui o índice de doença. Fundamentalmente você consegue impactar menos daqueles 20% de pacientes que precisarão ser internados e dos 5% que vão para as UTIs.”

O estimativa é de que 1% da população do estado de São Paulo seja contaminada, o que corresponde a 450 mil pessoas, segundo Uip: “Você trabalha com percentuais de indivíduos assintomáticos, a grande maioria acima de 50% serão assintomáticos e nem procurarão o sistema de saúde; 20% terão doença e vão precisar ser atendidos em hospitais e desses, 5% necessitarão de UTI. Então, com esses números nós planejamos a necessidade de leitos”.

Quarentena e isolamento

A quarentena obriga o fechamento de todo e qualquer comércio considerado não essencial ou de alto risco, como bares, restaurantes e cafés, que podem trabalhar em sistema de delivery ou drive thru; casas noturnas, shopping centers e galerias, academias e centros de ginástica, espaços para festas, casamentos, shows e eventos, e especialmente a grande preocupação que são as escolas públicas ou privadas.

Estão autorizados a funcionar: hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas, veterinários e petshops, transporte público, táxis e aplicativos de transporte, transportadoras e armazéns, supermercados, mercados, açougues e padarias, empresas de telemarketing, limpeza pública, bancos e lotéricas, postos de combustíveis, fábricas em geral e bancas de jornal.

O isolamento adequado para o estado do tamanho populacional de São Paulo deveria ser de 70%, mas está girando em torno de 49%, 50%. As pessoas simplesmente não estão respeitando a crise sanitária, a despeito do estado ter hoje mais infectados do que toda a Coreia do Sul.

Ciência em primeiro lugar

Como dando um recado ao governo federal, a Jair Bolsonaro (sem partido), Doria disse que “São Paulo acredita na ciência e quero voltar a reafirmar que São Paulo confia nos médicos que salvam vidas. Pelo amor à vida, às pessoas e por repeito à medicina, nós prorrogamos essa quarentena”.

“Para reabrir o comércio e os serviços precisamos ter o sistema de saúde também em condições de atendimento para salvar vidas. Aqui não tomamos medidas irresponsáveis, precipitadas ou baseadas no achismo ou ideologia”, afirmou o governador.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), fez um apelo para a população ficar em casa durante o feriado prolongado do dia 21 de abril, Dia de Tiradentes: “por enquanto, o isolamento social é o melhor remédio que temos contra o coronavírus”, disse.

Ele deixou claro que o sistema de saúde da capital está saturado: “já temos vítimas em todos os bairros e regiões da capital. Estamos abrindo novos leitos quase todos os dias. Ontem, 561 leitos foram entregues no Hospital de Campanha do Anhembi, mesmo assim hospitais estão ficando lotados apesar de todo esforço que a prefeitura está fazendo pra criação de novas vagas. Não vai adiantar se a população não seguir o que for recomendado”

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