Quanto rende a poupança atualmente?

É importante saber quanto rende a poupança, que é atrelada à Selic (conhecida como a taxa básica de juros da economia brasileira) e à Taxa Referencial (TR). Se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta de poupança irá render ao ano 70% da Selic + TR. Já se a Selic estiver superior a 8,5% ao ano, a poupança terá um rendimento fixo de 0,5% ao mês + TR.

Patrícia Auth
Patrícia Auth é jornalista formada pela Univali de Itajaí/SC. Trabalhou em impressos, como o Jornal de Santa Catarina, e também, como repórter na Rede Record e RBS TV. É casada, mãe da Lívia e adoradora de boa música e gastronomia.Na equipe EuQueroInvestir, é responsável pela produção de vídeos, e também escreve e edita artigos para o site.Entre em contato com a Patrícia pelo e-mail: patricia.auth@euqueroinvestir.com

A taxa Selic e a TR são reajustadas regularmente pelo Banco Central, órgão do governo responsável por regular a economia, que pode lançar atualizações até mensais sobre essas taxas. Em setembro de 2018, a Selic está em 6,5% ao ano, com a TR em 0%. Assim, o rendimento atual da caderneta de poupança é de 4,55% ao ano.

Atualmente, a previsão é que o Banco Central do Brasil mantenha a taxa Selic inalterada durante o ano de 2018 em 6,5% ao ano.

História da caderneta de poupança

A caderneta é um investimento utilizado pela maioria das pessoas. Estima-se que cerca de 85% dos brasileiros que realizam investimentos utilizam essa modalidade de alguma forma, mesmo que também tenha outros investimentos.

Ela foi criada em 1861, junto com a Caixa Econômica Federal, pelo Imperador Dom Pedro II. Desde então, este é um investimento destinado principalmente a pequenas quantias, com taxa de rendimento regulada pelo Banco Central e com garantia protegida pelo Governo Federal.

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A caderneta é muito utilizada por pessoas que querem proteger seu dinheiro da inflação. Assim, ela foi um mecanismo fundamental no período de hiperinflação sofrido no país nas décadas de 1980 e 1990.

Entretanto, em 1990, durante o período de forte instabilidade econômica do governo Collor, os depósitos da caderneta foram confiscados pelo Governo Federal, que destinou esses recursos às tentativas de reparo da economia. Os valores confiscados foram liberados novamente 18 meses depois, mas sem que houvesse correção monetária ou rendimentos no valor retido.

[box type=”note” align=”” class=”” width=””]Em 2012, ela passou pela maior reforma de sua história. A partir desse ano, o cálculo de rendimento foi alterado para passar a vigorar como é conhecido atualmente. Antes disso, todos os depósitos tinham rendimento fixo de 0,5% ao mês, sem estar atrelado à Selic ou à TR. No entanto, depósitos realizados antes de 03 de maio de 2012, quando a caderneta foi reformulada, ainda tem rendimentos calculados com a fórmula antiga.[/box]

Poupança e a inflação

Muitos investidores buscam o quanto rende a poupança como uma ferramenta para, principalmente, proteger seus ganhos da inflação. Para entender isso, é importante conhecer o que é a inflação.

A inflação é a perda do poder de compra do dinheiro. Ou seja, é quando os itens da economia ficam mais caros do eu eram em outro período de tempo.

Para ilustrar melhor essa ideia, imagine o seguinte cenário:

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Uma pessoa possui R$ 100 para comprar em um pacote de arroz por R$ 4 em janeiro de 2018. Nessa configuração, ela conseguirá comprar 25 pacotes. Agora, imaginando que, com a flutuação da economia, haja uma inflação de 25% no período de um ano. O pacote de arroz será vendido por R$ 5 em janeiro de 2019, e a pessoa, com os mesmos R$ 100, conseguirá comprar apenas 20 pacotes, cinco a menos que no ano anterior. Assim, o poder de compra de R$100 nessa economia diminuiu em 25%, a inflação do período. [/box]

Na nossa economia, no entanto, a taxa da inflação assume valores menores. Atualmente, a meta da inflação no Brasil é de 4% ao ano. Nesse cenário, aplicar o dinheiro em uma caderneta, o poupador terá uma taxa de rendimento maior do que a inflação do período.

No período de 2001 a 2017, o rendimento da caderneta superou a taxa da inflação em 15 das 17 oportunidades. Nos anos de 2002 e 2015, no entanto, a inflação foi a maior dessas taxas. Em 2002, houve inflação de 12,5%, enquanto o investimento rendeu 9,0%, enquanto em 2015 a inflação foi de 10,7% e a caderneta teve rendimento anual de 7,9%. No ano de 2018, é esperado que novamente a caderneta renda mais que a taxa de inflação esperada.

Isso mostra uma característica muito importante do sistema da caderneta: por seu rendimento não estar condicionado à inflação, é possível que o dinheiro investido nela perca poder de compra em um dado período de tempo. Isso acontece principalmente em períodos de alta inflação, como nos casos de 2002 e 2015. Em tempos de taxa inflação sob controle, no entanto, esse investimento é uma forma eficiente de proteger o seu dinheiro da alta dos preços.

[box type=”success” align=”” class=”” width=””]Todavia, existem investimentos indexados à inflação, o que garante que o seu dinheiro renderá mais que a inflação do período. Um deles é o Tesouro IPCA, um tipo de investimento garantido pelo Governo Federal que é calculado com base no valor da inflação acrescida de uma taxa de rendimento adicional. [/box]

Quanto rende a poupança

Considerando uma economia no ano de 2018 com a taxa Selic em 6,5% ao ano, com a TR a 2% ao ano, o valor depositado em uma caderneta irá render a uma taxa anual de 6,5% * 0,7 + 2% = 6,55% ao ano. Neste sistema, a taxa de inflação é de 4% ao ano.

Assim, um depósito de R$ 1.000 irá se transformar em R$ 1.065,50. Se essa mesma configuração fosse replicada durante um período de cinco anos, o total obtido para esse investimento de R$ 1.000 seria de R$ 1.373,31 no ano de 2023.

Enquanto isso, a inflação irá diminuir o poder de compra do dinheiro investido. Por isso, é importante saber qual será o valor em 2023 que será equivalente a R$ 1.000 em 2018. Considerando que a inflação se manteve constante, esse valor será igual a R$ 1.216,65 em 2023.

Dessa forma, é possível avaliar que o ganho real com esse investimento, descontando-se as perdas com a inflação, é de R$ 1.373,31 – R$ 1.216,65 = R$ 156,66.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Neste período de tempo, existem outros investimentos que conseguiriam ganhos reais maiores a esse apresentado, como o Tesouro Direto ou investimentos do tipo CDB, ambos com baixo risco, assim como a caderneta de poupança. Esses investimentos, que são chamados de investimentos de renda fixa, rendem à base de juros compostos, enquanto a caderneta trabalha com um sistema de juros simples.[/box]

Quais são os riscos da caderneta de poupança?

Por ser um investimento garantido pelo Governo Federal, a caderneta é um dos investimentos mais seguros que existem atualmente no Brasil. O pagamento dos rendimentos é feito mensalmente pelos bancos que oferecem essa modalidade, e o seu funcionamento é regulado pelo Banco Central do Brasil.

Além disso, um novo confisco da poupança não é mais possível sob a legislação vigente. Isso porque o Congresso Nacional editou uma emenda à Constituição que proíbe claramente qualquer tipo de medida que sequestre investimentos de cidadãos por parte do Governo Federal, seja na caderneta ou em qualquer outra modalidade.

Assim, o único risco dos investimentos depositados na caderneta seria a incapacidade do Governo Federal em honrar às suas dívidas. Essa é uma situação extrema na economia de um país, que muito dificilmente ocorreria. Antes disso, é mais provável que outros países ou órgãos internacionais como o Fundo Monetário Internacional, o FMI, socorreriam o Brasil e evitariam essa situação, que seria a “falência” de um país.

Benefícios da caderneta de poupança

O maior dos benefícios da caderneta é, sem dúvidas, a segurança que esse investimento proporciona. Como explicado, essas aplicações são protegidas pelo Governo Federal, o que garante, na prática, que eles sempre serão pagos conforme a taxa estipulada pelos indexadores.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Outro benefício da caderneta é a liquidez desse investimento. Resumidamente, a liquidez é a facilidade com que um investimento pode ser retirado para ter seu valor utilizado pelo investidor. A liquidez da caderneta é instantânea, assim, o valor investido em uma conta desse tipo pode ser utilizado a qualquer momento. Muitos bancos, inclusive, permitem que seus correntistas possam utilizar os recursos investidos a partir de um cartão.[/box]

Além disso, os rendimentos da caderneta são isentos de Imposto de Renda, ao contrário da maioria dos outros investimentos disponíveis. Assim, não há nenhum tipo de dedução nos ganhos advindos desse investimento.

Por fim, enquanto muitos investimentos demandam um valor mínimo de depósito, na caderneta é possível depositar qualquer quantia em dinheiro. Dessa forma, esse investimento é especialmente mais chamativo para aqueles que possuem poucos recursos, mas que mesmo assim desejam economizar e investir.

Desvantagens da Caderneta de Poupança

Uma grande desvantagem da caderneta é o baixo rendimento que esse investimento oferece. Enquanto a maioria dos investimentos da renda fixa rendem facilmente acima da inflação, a caderneta nem sempre consegue superar essa taxa, ou rende pouco acima dela. Assim, se a ideia do investidor é ter ganhos mais expressivos, esse pode não ser o melhor investimento.

[box type=”success” align=”” class=”” width=””]Outra desvantagem é a não indexação da taxa de ganhos ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, principal indicador da inflação. Por isso, é possível que a caderneta renda menos do que a desvalorização da moeda corrente, o real. Isso significa que é possível que se “perca” dinheiro com esse investimento, uma vez que o poder de compra do valor investido pode ser menor ao final do investimento em relação ao que era no início.[/box]

Investimentos similares à Poupança

Os investimentos que se assemelham à caderneta são os chamados investimentos de renda fixa. Além da caderneta, outros investimentos deste tipo são:

CDB – Certificado de Depósito Bancário

É um investimento que pode ser entendido como um “empréstimo” de dinheiro por parte do investidor ao banco de origem, que em troca paga uma taxa de juros atrelada ao CDI, uma taxa que acompanha proximamente a taxa Selic.

LCI – Letra de Crédito Imobiliário e LCA – Letra de Crédito do Agronegócio

Nesta modalidade, o recurso é captado por bancos públicos e privado, assim como no CDB, mas devem ser utilizados por esses exclusivamente para a disponibilização de empréstimos aos setores imobiliário e agropecuário. Os rendimentos também costumam ser atrelados ao CDI.

LF – Letras Financeiras

Embora seja um investimento de renda fixa, as LFs se distanciam da demais pelo alto valor necessário para realizar este investimento. O correntista deve disponibilizar, no mínimo, R$ 150 mil, que ficaram rendendo por no mínimo dois anos, sem possibilidade de liquidez antes desse período. Assim, essa é uma oportunidade para aqueles que desejam criar planos a longo prazo que necessitem de grande capital, como a compra de imóveis.

Tesouro Direto

Esse é o investimento mais próximo da poupança. Apesar de semelhante ao CDB, nessa modalidade, o investidor empresta dinheiro ao governo, a partir da compra de títulos da dívida pública.

Existem vários tipos de títulos, que variam em rendimento, liquidez e prazo de duração. Assim, o interessado deve escolher o melhor título, de acordo com seus planos e necessidades. É possível comprar títulos a partir de R$ 30, que rendem com valores atrelados à Selic, IPCA ou outras taxas.

Todos esses investimentos são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, que garante a restituição de até R$ 250 mil por pessoa por cada instituição em que ela possua investimentos. Assim, o investidor de menores valores fica blindado de qualquer imprevisto ou perdas nesses tipos de investimento.

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