Qual é o lastro da Bitcoin?

Arthur Severo
Arthur Severo Rodrigues é assessor de investimentos há mais de 11 anos. Possui as certificações ANCOR, CPA-20 e CEA. Foi trader de alta frequência do mercado de opções da BM&FBOVESPA por 3 anos, rentabilizando mais de 4000% seu investimento inicial. Também é entusiasta e investidor de criptomoedas, possui a certificação CBP (Certified Bitcoin Professional) emitido pela C4 - CryptoCurrency Certification Consortium. É formado em administração pela ESAG – UDESC.Celular: (48) 9 8824 1812 ramal: (48) 3031 3739 e-mail: arthur.severo@euqueroinvestir.com

Crédito: San Diego, California, Nov 16th 2015: The bit coin was invented by Satoshi Nakamoto in 2008 as a digital form of money but no one truly knows who Satoshi Nakamoto is. Transactions are done through peer to peer networks without the need of a bank making it the first decentralized digital currency. This is a close up photo of several gold plated bitcoins together symbolizing the bit coin market, modern technology, finance, internet, trading, etc.

Acredito que o questionamento mais recorrente quando começo a falar de bitcoins e criptomoedas com pessoas leigas é o seguinte: “Arthur não está muito claro para mim essa tal de bitcoin, qual o lastro dela?”.

E lá vamos nós navegar pela história das moedas novamente…

Muitas coisas já foram usadas como moeda, houve a época das conchas (inclusive eram feitos colares com esses objetos, o que era sinônimo de muita riqueza). Sal e especiarias também já foram usados, porém, foquemos nossa atenção na última parte da história, quando os metais (ouro e prata) passam a ser usados com essa finalidade.

Em outro artigo escrito por mim (A bitcoin e a moeda) trago as funções da moeda que são:

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  • Meio de troca
  • Unidade de conta
  • Reserva de valor

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Cito também as propriedades, que como principais temos:

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  • Durabilidade
  • Escassez
  • Transportabilidade
  • Fungibilidade, entre outras.

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Note que os metais, até o período em questão, se tornam a melhor opção de moeda, pois foram capazes de englobar tanto as funções quanto as propriedades de uma forma mais completa do que as outras opções.

Conforme o ouro e a prata foram ganhando adesão, alguns problemas foram aparecendo. Um deles era a dificuldade de transporte e armazenamento de quantidades maiores, era necessário muito espaço, energia e segurança para que esses itens fossem devidamente observados.

Foi nessa época que os bancos custodiantes dos metais começaram a trabalhar com recibos de custódia que mais tarde se transformariam no que chamamos de papel-moeda. Esses recibos nada mais eram do que direitos sobre determinada quantidade de ouro e prata. Ouvi dizer, inclusive, que as notas de dólar do século passado traziam escritos na própria nota a quantidade de ouro que ela representava.

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Assim, começam a circular as primeiras notas de papel-moeda, lastreadas em metais. Nessa época, para a impressão de uma nota de dinheiro era necessário ter o valor correspondente em metais.

Agora, avancemos alguns anos na nossa história… Imagine as populações crescendo, guerras, comércio, endividamento público. Tudo isso necessitava de mais dinheiro em circulação e esse dinheiro só poderia ser emitido com um lastro correspondente em metais, que por sua vez, eram limitados pela natureza. Houve alguns episódios de desvalorização do papel-moeda, que em outras palavras significava dizer que aquele dinheiro não mais valia “x” em ouro e sim, uma fração de “x”.

Essa tendência seguiu por muitos anos, até que em 1971, o então presidente Nixon através de um decreto, extinguiu a conversibilidade das notas (papel-moeda) por ouro. Isso mesmo, a partir daquele momento os bancos centrais poderiam imprimir dinheiro sem a preocupação de que aquele dinheiro impresso teria de fato os metais correspondentes em seus depósitos, pois não seria mais aceito a troca do dinheiro pelo seu correspondente em metais (ouro e prata).

A partir daquele momento, o lastro foi deixando de existir. E o que sobrou então? Confiança (fidúcia). Dessa pequena, resumida e sucinta história chego a duas conclusões, que fazem sentido quando estamos tentando entender o lastro da moeda e, consequentemente, da bitcoin:

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  • O dinheiro não precisa de lastro, o lastro (nesse caso em metais, limitados pela natureza) foi uma forma de limitar o poder irresponsável dos bancos centrais de imprimir dinheiro como bem entenderem, evitando a inflação da moeda e gerando mais confiança;
  • O poder de compra daquela moeda existe tão logo aqueles que a usem continuem achando que eles irão comprar bens e serviços no futuro. Ou seja, não precisamos de lastro, precisamos de confiança. Assim, se eu e você definirmos algo como moeda e concordarmos com isso, então, esse “algo” é moeda!

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[box type=”note” align=”” class=”” width=””]Houve casos ao longo da história, inclusive um dos mais emblemáticos aconteceu aqui no Brasil mesmo. Períodos de hiperinflação aonde houve perda total de confiança na moeda, da noite para o dia aquele “dinheiro” já não comprava mais nada. Imagine a dificuldade de se fazer previsões ou planejamentos em uma economia em que não se sabia o que a moeda iria comprar no momento seguinte… Bem, isso aconteceu. Foi preciso reunir as mentes mais brilhantes da nossa economia, além de um esforço gigantesco por parte da população para normalizarmos a situação. Fato marcado pelo nosso conhecido Plano Real.[/box]

Mas não se enganem! O Plano Real não lastreou nossa moeda novamente, e nem outros países o fizeram. Conforme os anos passaram, outros episódios aconteceram sob máscaras diferentes, ora para salvar economias, ora para financiar projetos sociais.

No final, autoridades centrais sempre detendo poderes excessivos, tomando decisões inconsequentes. E quem sofre as consequências? Eu, você, a sociedade como um todo, principalmente os mais pobres por não contarem com mecanismos de defesa e diversificação de suas poupanças. Aliás, os pobres não conseguem, se quer, poupar, pois usam todo seu dinheiro para necessidades básicas como comida e moradia.

Uma pausa no assunto…

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Reservas fracionárias – Dinheiro duplamente sem lastro

Espero que até aqui, todos já tenham entendido que o papel-moeda, de todas as economias, não possui qualquer tipo de lastro, se não a confiança. Mas calma, a coisa piora… Já ouviram falar no poder de multiplicação dos bancos ou reservas fracionárias?

Digamos que eu, Arthur,deposite R$ 1.000 na minha conta corrente. O banco “guarda” 10% desse valor, no caso R$ 100 (chamamos isso de depósito compulsório, percentual que o governo obriga os bancos a não usar. O depósito compulsório é uma das ferramentas de política monetária disponíveis) e os outros R$ 900 ele empresta para o Fernando que compra uma geladeira do Renato. O Renato, por sua vez, deposita esses R$ 900 no banco, o banco novamente guarda 10% (nesse caso, R$ 90) e empresta o restante, R$ 810, para o Eduardo e, assim, sucessivamente.

Nesse caso, e isso que fomos apenas até o terceiro exemplo, os meus R$ 1.000 se multiplicaram em R$ 2.710. Então, vejam se vocês concordam comigo: a “moeda digital” atual, essas que vocês enxergam na tela dos seus computadores ao abrir um extrato bancário, é duplamente sem lastro. Primeiro, porque o papel moeda inicialmente depositado, já não possuía lastro como conversado anteriormente. E, então, os bancos pegam esse papel-moeda e multiplicam várias vezes, do nada!

Percebam que, aumentar a oferta monetária é preciso. Os teóricos defendem que a oferta monetária deve aumentar de forma semelhante ao aumento do PIB. Quando essa oferta não respeita um aumento gradativo, ela colabora com o aumento da inflação, ou seja, perda do poder de compra do nosso dinheiro.

Por esse motivo, há casos que uma corrida bancária (quando todos correm para o banco para sacar seu dinheiro com medo que o mesmo não tenha os valores para honrar os saques) é uma profecia autorrealizável:

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  • As pessoas começam a falar que um certo banco está com problemas e pode não haver fundos para honrar os depósitos;
  • As pessoas com medo disso acontecer correm ao banco para efetuar o saque dos seus fundos e garantir que tenham seu dinheiro em mãos;
  • O banco que inicialmente não tinha problemas, quebra, pois não consegue honrar todos os saques de uma única vez.

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Mais uma vez, o que garante a solidez do sistema é a confiança. Nenhum banco no mundo trabalha com exatamente os mesmos valores depositados, há sempre alavancagem, há sempre multiplicação monetária.

Agora, analisemos a bitcoin. Uma moeda puramente digital aliada a uma tecnologia disruptiva (blockchain) que utiliza criptografia avançada para efetuar as transações com altos níveis de segurança. A rede Bitcoin é totalmente descentralizada, ou seja, não existe nenhuma autoridade central com poder de emissão sobre ela (a emissão acontece quando os “mineradores” validam novos blocos na cadeia de blocos. Isso será tratado mais a frente em maior profundidade). O protocolo da bitcoin prevê uma oferta de 21 milhões de bitcoins, a cada novo bloco validado há uma recompensa (emissão) de 50 novas unidades e a cada 4 anos essa recompensa cai pela metade, o que chamamos de halving.

Finalizo esse artigo esclarecendo um ponto levantado principalmente pelos céticos sobre o assunto de oferta monetária tradicional e oferta de bitcoins. Eles argumentam que um dos pontos que inviabilizaria a bitcoin é justamente que uma oferta monetária de 21 milhões de unidades não seria suficiente para suprir a demanda por moeda. O que acontece que, por convenção da rede, a bitcoin pode ser dividida em 100.000.000 de partes (1 satoshi). E caso a bitcoin alcance preços muito elevados e precisemos de partes menores ainda, isso poderia ser alterado pela comunidade e rede Bitcoin para suprir as demandas de liquidez, através de uma nova convenção.

Portanto, toda vez que nos depararmos com alguma objeção, tentem entender como o sistema atual funciona. Muitas vezes a verdade será dolorosa e chegaremos a conclusão que a bitcoin é mais eficiente como moeda do que qualquer outra moeda existente hoje…Confiemos!

Se considera um investidor conservador? Então você está em risco de extinção!

O cenário econômico virou do avesso e o país já não é mais o mesmo.

As taxas de juros caíram à níveis jamais vistos no Brasil desde o final do governo Militar (imagem abaixo) e levaram os rendimentos de Renda Fixa para próximo de Zero (ou negativos no caso da poupança).

Italian Trulli

A nova equipe econômica está incentivando novos investimentos no país, e com isso já não é mais possível ganhar dinheiro confortavelmente na poupança e em CDBs comuns. Por isso, estamos declarando a Extinção do Investidor Conservador.

Se você faz parte dessa espécie de investidor que está em risco de extinção, confirme seus dados no formulário abaixo e fale com nossa equipe. Vamos te ajudar, sem dor e sem custo.