Quais os melhores investimentos com Selic baixa?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Em tempos de Selic baixa e mercados de ações com alta volatilidade, qual o melhor investimento a fazer? Diversificar os investimentos é uma boa opção.

A Selic, taxa básica de juros, é aquela utilizada como referência para todas as outras taxas praticadas no mercado. Ao pegar um empréstimo no banco, ao fazer um financiamento habitacional, ao comprar um título do Tesouro Direto, a Selic sempre está lá, direta ou indiretamente.

Quem define a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne de 45 em 45 dias para definir a política monetária.

Atualmente, a Selic encontra-se em seu mais baixo nível histórico: 3,75% ao ano, desde a última redução na semana passada.

Com isso, os investimentos de renda fixa, baseados prioritariamente em dívidas do governo reguladas pela Selic, tornam-se menos rentáveis.

“A poupança, por exemplo, rendendo menos do que a inflação, não garante nem o poder de compra do investidor”, avalia o superintendente de investimentos da Infinity Asset, Camilo Cavalcanti Junior. Para ele, em tempos de Selic baixa, o caminho é mesmo a diversificação.

“O momento é de crise e de turbulência. É muito difícil visualizar o que vem pela frente. Então, nestes momentos, é importante dosar os investimentos”, recomenda. A orientação, afirma o especialista, é dividir os investimentos em três partes.

Selic baixa: divisão dos investimentos em três partes

A primeira delas deve ser a reserva de segurança. “Este dinheiro, mais do que render, tem que ser a garantia de que, diante de qualquer emergência, estará lá, corrigido e disponível. Então, o investimento tem que ter liquidez rápida e baixo risco de calote”, afirma.

Neste caso, ele recomenda a aposta em fundos conservadores, como os títulos do Tesouro Direto, especialmente o Tesouro Selic, que é o mais conservador de todos.

Uma segunda parte dos investimentos deve focar nos ganhos de médio e longo prazo, visando a aposentadoria e a manutenção do poder de compra ao longo dos anos.

Para este caso, uma boa dica é o Tesouro IPCA+. Este papel é corrigido pela inflação e apresenta uma taxa bastante atraente para o momento. “Os títulos de cinco anos, por exemplo, têm taxa de 4% mais inflação. Isto quer dizer que ele será corrigido pela inflação e ainda vai te render ao longo dos anos 4%”, explica.

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“Se tudo der errado, o país estiver em crise, e a inflação disparar, ainda assim você mantém o poder de compra e ganha os 4%. Se tudo der certo, ótimo, porque você garante esses 4% ao longo dos anos”, complementa. Ele cita ainda os títulos do IPCA+ de 20 e 30 anos como boas opções. “O rendimento é de 5% mais inflação”, diz.

Por último, uma terceira parte dos investimentos deve se destinar à bolsa de valores. “Mas é preciso cuidado. Não dá para mergulhar de cabeça. É preciso colocar o pé na água primeiro”, brinca.

Segundo ele, não é possível indicar uma porcentagem ideal a ser direcionada para ações ou para os outros tipos de investimento. “Isto depende muito do perfil de cada investidor, se mais conservador ou mais ousado”, afirma.

A recomendação, especialmente para quem está começando, é ir com calma, experimentando investir baixas quantias até sentir-se mais à vontade no mercado.

A princípio, a bolsa deve ser encarada também dentro de um portfólio de investimentos de longo prazo. No entanto, os mais aventureiros podem operar com horizonte de mais curto prazo, sujeito a um alto nível de risco.