PSL luta para “construir nova identidade” após brigas com o presidente Bolsonaro

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Senado

Construir uma nova imagem, totalmente desatrelada ao presidente da República, Jair Bolsonaro. Essa é a missão que o PSL está encarando nesse início de 2020, ano de eleições municipais em todo o País.

Depois de ganhar força em 2018, eleger o presidente da República, garantir um fundo eleitoral de R$ 202 milhões e um tempo de televisão próximo a 1 minuto (57 segundos), a estratégia do partido tem tudo para mudar.

Os desentendimentos com o “clã” Bolsonaro e a consequente saída dos membros da família da legenda certamente darão ao PSL uma escolha: o partido manterá a linha de raciocínio que colocou Jair, Flávio e Carlos como vencedores em suas respectivas disputas em 2018 ou mudará de identidade?

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De acordo com informações do Correio Braziliense, a intenção do partido é “construir uma nova identidade”, mas aproveitando o crescimento que a sigla teve justamente impulsionada pela campanha do atual presidente da República.

De olho nas principais prefeituras do País, a cúpula do PSL teria aberto conversas com os Democratas para fazer uma aliança na Bahia, e também estaria disposta a negociar com os Republicanos. Fora de cogitação está qualquer acordo com PT, PCdoB e PSOL.

Bolsonaro fora é bom ou ruim?

Cristiano Noronha, cientista político da Ark Advice, comentou o que pode se esperar do PSL sem a figura do presidente da República atrelada à legenda em 2o20.

Em sua visão, a saída de Jair Bolsonaro e de toda a família pode causar impactos diferentes em certas regiões do País, tanto positivos quanto negativos.

“Em relação à última eleição municipal, a tendência é que o partido cresça em 2020. A partir da candidatura e eleição de Bolsonaro, o PSL teve uma votação expressiva, que rendeu uma boa fatia do fundo partidário. Então, a sigla vem com mais recursos e tempo de TV neste ano. Agora, se a gente for comparar com a expectativa, se o presidente ainda fosse filiado, deve haver uma redução”, ponderou.

“Nos principais centros urbanos, quem poderia se aliar ao partido por conta de Bolsonaro pode mudar de intenção. Em São Paulo, por exemplo, deve haver essa dificuldade”, completou Noronha.

Para o presidente do diretório paulista do PSL, o deputado federal Júnior Bozzella, isso é fruto do bom trabalho que vem sendo desenvolvido pela legenda mesmo após todo o desgaste causado pelas brigas com Jair Bolsonaro.

“Estamos indo às regiões para orientar os trabalhos, ver de que forma o PSL vai aplicar sua energia. No plano nacional, estamos fazendo um bom trabalho. Em 3 de fevereiro, teremos reunião da Executiva Nacional com todos os presidentes estaduais para debater o plano estratégico dos Estados”, adiantou.

“Conversando com os presidentes estaduais, temos percebido que as coisas estão encaminhadas e, em fevereiro, teremos um grande encontro”, emendou, assegurando que o distanciamento do partido da família Bolsonaro e dos deputados dissidentes está facilitando a conversa com outras agremiações.

Três nomes fortes para o futuro

Entre os nomes que aparecem como fortes para substituir Bolsonaro como “a identidade” do PSL estão o do senador Major Olímpio, o da pré-candidata à Prefeitura de São Paulo (SP), deputada Joice Hasselmann, e provável candidato a prefeito do Rio de Janeiro (RJ), deputado estadual Rodrigo Amorim.

Olímpio destacou que, apesar da saída de Bolsonaro, o número de filiados continuou a crescer. Segundo o parlamentar, a perda provocada pela desfiliação do presidente e da campanha dos deputados rebeldes não diminuiu em mais que 50 o número de filiados em São Paulo, por exemplo.