Ser (SEER3): proposta pela Laureate tem várias ressalvas, destaca BTG

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Crédito: Divulgação

A proposta de compra da Ser Educacional (SEER3) pelos ativos brasileiros da Laureate parece positiva à primeira vista, mas tem várias ressalvas, na avaliação do BTG. Na noite de ontem, a Ser propôs a compra dos ativos por cerca de R$ 4 bilhões.

A Laureate é dona de instituições de ensino como Anhembi Morumbi e FMU.

De acordo com o BTG, a união das operações é “complementar e estratégica”, mas alguns pontos devem chamar a atenção dos investidores. Confira quais são eles:

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Compra não é barata para a Ser

De acordo com o banco, a proposta da Ser precifica os ativos brasileiros da Laureate em R$ 3,8 bilhões. Deste valor, R$ 623 milhões corresponde a dívida líquida. R$ 1,7 bilhão será pago em dinheiro e R$ 1,5 bilhão com a emissão de novas ações pela Ser.

“Considerando o cenário desafiador pós-pandemia, não foi um acordo barato”, destacou o banco, em relatório. O múltiplo da transação é de 9 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses. Atualmente, o múltipo da Ser é de 7,5 vezes.

Considerando a diluição que ocorrerá com o pagamento em ações, o negócio se parece mais com uma fusão do que com uma aquisição, para o BTG. O Ebita da Ser nos últimos 12 meses foi de R$ 428 milhões. Ao mesmo tempo, o da Laureate foi de R$ 413 milhões.

Baixa exposição a ensino à distância

Entre as ressalvas à compra, o banco destacou que as duas empresas têm pouca exposição ao segmento de ensino à distância. O setor representa 20% da base de estudantes, bem abaixo dos concorrentes.

Além disso, a transação causará diluição mas não deve criar valor de lucro por ação no curto prazo.

Outro ponto é que o acordo não prevê um período de lock-up para a Laureate, que vai ter 44% das ações da Ser. Isso deve gerar pressão de vendas da empresa no futuro, segundo o BTG.

Alta alavancagem

O relatório destacou ainda que a nova empresa vai nascer com alavancagem elevada (cerca de 3 vezes o Ebitda). Isso em um momento em que o Ebitda do setor está caindo.

Finalmente, o banco destaca que a possibilidade de a Laureate buscar outros compradores pode elevar ainda mais o preço da transação.

“É ainda cedo demais para saber se o movimento será positivo – principalmente com o ensino a distância crescendo no mercado – mas essas ressalvas ainda nos deixam com rating Neutro para Ser.”

O contrato prevê que a Laureate tem direito de buscar transações mais vantajosas com terceiros até 13 de outubro de 2020. Neste caso, a Ser pode igualar a proposta apresentada por outra empresa. Caso não o faça, a Laureate pode fechar a operação, mas terá de pagar multa de R$ 180 milhões para a Ser.

Nesta manhã, a Yduqs divulgou um fato relevante afirmando que poderia apresentar uma proposta mais atrativa dentro do prazo estabelecido no acordo.

Vantagens do acordo com a Laureate

Já a Guide destacou que a Ser vai dobrar de tamanho com a transação, chegando a 455 mil alunos. A receita combinada chega a R$3,4 bilhões.

Em relatório, a Guide afirmou que a fatia de R$ 1,7 bilhão a ser paga em dinheiro deve ser financiada. Como consequência, a Ser ficaria com um endividamento de cerca de três vezes o seu Ebitda.

Mesmo assim, a Guide afirmou que a operação terá um impacto positivo para a Ser.

Primeiramente. porque a empresa passará a ser o quarto maior grupo de ensino privado do Brasil. Além disso, porque a Laureate poderá captar novos recursos para o negócio, por já ter ações listadas na Nasdaq.