Produção industrial cai em todas as regiões do país

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A produção industrial apresentou forte queda em todo o país em março. O recuo de 9,1% na indústria nacional foi sentido em todos os 15 estados que fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal Regional.

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

É a primeira vez em oito anos que todas as 15 localidades recuam. Isto porque o estado do Mato Grosso entrou na pesquisa somente em 2012. O mais próximo desse resultado aconteceu em maio de 2018, com a greve dos caminhoneiros, que derrubou a produção industrial em 14 dos 15 locais.

produção industrial

 

Resultado por região

Por concentrar mais de um terço (34%) da indústria nacional, São Paulo foi o local que mais influenciou para o resultado nacional de março (-9,1%). A queda foi de 5,4%.

Essa foi a segunda taxa negativa do estado consecutiva, acumulando em fevereiro e março perda de 6,6%. Duas atividades contribuíram fortemente para essa queda: veículos, um dos setores que mais atua no estado, e bebidas.

Também ajudaram a diminuir a média nacional os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Eles tiveram recuos de 20,1% e 17,9%, respectivamente.

O Ceará, com -21,8%, foi o local que apresentou o maior recuo em termos absolutos, mas apenas o sétimo em termos de influência direta.

Também o Pará (-12,8%), o Amazonas (-11%) e toda a Região Nordeste (-9,3%) apresentaram recuos mais intensos do que a média nacional.

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Maior queda na produção

O resultado de 9,1% foi o pior para um mês de março desde 2002. E a maior queda já registrada desde maio de 2018 (quando a leitura foi de -11%).

O tombo da indústria reflete os efeitos da desaceleração da economia em decorrência da pandemia de coronavírus. “Os dados de março são efeitos diretos do isolamento social. Ele afetou o processo de produção no Brasil”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida. Ele lembra que, no formato antigo, com 14 locais (sem Mato Grosso), a única queda generalizada ocorreu em novembro de 2008. E foi decorrência da crise financeira global.

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