Produção industrial, IGP-M, Caged e payroll estão na agenda da semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação

A semana reserva uma série de indicadores importantes para se entender o comportamento da economia em meio à crise sanitária. Com semana mais curta por causa do feriado na sexta, o mercado no Brasil terá o anúncio de dados da produção industrial, da inflação, com a divulgação do IGP=M (Índice Geral de Preços – Mercado ), o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Com números recordes e em alta de casos e mortes causadas pela Covid-19 no país, a maioria dos estados e municípios adotou medidas restritivas de circulação de pessoas para conter a disseminação do vírus e tentar desafogar o sistema colapsado de saúde.

São Paulo e Rio anteciparam feriados de 2021 e 2022 da última sexta (26) até o domingo de Páscoa, num período chamado de recesso emergencial.

Mas o Ibovespa terá atividades normalmente até quinta-feira (1º). A B3 (B3SA3) comunicou que funcionará normalmente apesar da antecipação dos feriados em São Paulo. A bolsa decidiu também manter as datas 0riginais desses feriados.

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Somente na sexta (2) a bolsa não vai funcionar. Em Nova York, por causa do feriado da Sexta-Feira Santa, também não haverá pregão para o investidor acompanhar o desempenho das ADRs.

No setor corporativo a semana terá ao menos 39 anúncios de resultados do quarto trimestre de 2020. Entre elas estão a Oi (OIBR4), Cogna (COGN3), Qualicorp (QUAL3) e Centauro (CNTO3). A temporada de balanços desse período está quase no fim.

Outro ponto de atenção será a divulgação pelo Banco Central, na segunda (29) dos dados de crédito de fevereiro, que devem sinalizar ou apontar aumento na inadimplência.

Na agenda externa, destaque para a o payroll, folha de pagamentos não-agrícolas oficial dos Estados Unidos, que traz o aguardado relatório de emprego elaborado pelo Bureau of Labor Statistic.

Petróleo, Opep e Canal de Suez

A semana terá ainda a reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O encontro acontece em meio ao impasse do bloqueio do Canal de Suez por um cargueiro encalhado desde terça (23), cuja solução é indefinida. Os ministros da Opep podem, na quarta-feira (31), definir uma retomada da produção nos próximos meses.

O impacto do bloqueio no Canal de Suez para o mercado brasileiro dependerá de quanto tempo levará para a resolução do problema, segundo analistas ouvidos pela Wisir.

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O navio gigante da Ever Given, de 220 mil toneladas, continua encalhado no Canal de Suez, o principal caminho que liga o oriente e o ocidente e por onde passa 10% do comércio mundial.

A rota entre Ásia e Brasil, que movimenta quatro navios de contêineres por semana, não está diretamente prejudicada, pois não passa pelo canal.

No entanto, como a demanda de importações no Brasil está muito alta, com navios cheios, muitas empresas vinham utilizando também a rota europeia para trazer os produtos — as embarcações fazem o transbordo na Europa e seguem para o Brasil. Sem essa alternativa, a capacidade volta a diminuir, o que deve voltar a pressionar os fretes.

“Se o problema no Canal de Suez for resolvido até segunda-feira, o efeito será pequeno. Haverá atrasos nas escalas dos navios, congestionamentos, mas em uma semana esse impacto já deverá ser absorvido. O problema é se o bloqueio durar mais do que isso. Será uma redução na capacidade em um momento em que o mercado já sofre com o frete nas alturas”, afirma Leandro Barreto, sócio da consultoria Solve Shipping.

Rotas alternativas

Com especialistas prevendo que o Canal de Suez permanecerá bloqueado por mais alguns dias, ou semanas, em meio às dificuldades para desencalhar o cargueiro, centenas de navios começaram ontem a buscar rotas alternativas.

Alguns petroleiros já optaram por viajar pelo extremo sul da África, acrescentando semanas à viagem, por uma região conhecida pela pirataria.

Uma viagem do Canal de Suez, no Egito, a Roterdã, na Holanda – o maior porto da Europa – normalmente leva cerca de 11 dias. Aventurar-se ao sul da África, em torno do Cabo da Boa Esperança, adiciona pelo menos mais 26 dias, segundo a empresa Refinitiv. O desvio também encarece a viagem.

As taxas de combustível adicional custam mais de US$ 30 mil por dia, dependendo do navio, ou mais de US$ 800 mil no total para a viagem mais longa. Mas a outra opção é esperar na entrada do canal que o engarrafamento se dissipe e enfrentar taxas de atraso – que variam de US$ 15 mil a US$ 30 mil por dia, segundo o Estadão.

Ibovespa na gangorra

A bolsa de valores fechou a semana com um acumulado de menos 1,24%, a 114.780,62 pontos. A sexta-feira (26) ainda tentou reverter o quadro, subindo 0,91%, em linha com os índices positivos em Wall Street.

A sexta, da mesma forma que os outros dias, foi de oscilações abruptas, uma autêntica gangorra. O mercado torceu o nariz, por exemplo, para ilusão de equilíbrio fiscal que é o texto do Orçamento 2021 aprovado esta semana no Congresso Nacional.

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Segundo análise do BTG Pactual, houve na semana e especialmente na sexta clima de cautela interna, diante do avanço da pandemia e medidas de isolamento social e do risco fiscal após a aprovação do Orçamento 2021, com mais verbas para emendas parlamentares.

No Brasil, observa o Traders, serviço de notícias para o mercado, o clima político continuará no radar, com as pressões sobre o presidente Jair Bolsonaro para tomar mais medidas para controlar a pandemia de coronavírus.

Possíveis mudanças ministeriais, prossegue o Traders, e novas propostas para aumentar os auxílios para a população no Congresso também podem interferir no humor dos mercados. A próxima semana será também marcada pelos feriados para tentar deter o coronavírus.

O mercado não conseguiu manter os 115 mil pontos. Pesou, na análise do Traders, a nova desvalorização forte do real, que volta a preocupar os investidores ao resistir ao aumento dos juros pelo Copom. O dólar insiste em se manter acima de R$ 5,70 no mercado futuro, maior nível desde 10 de março, acumulando mais de 4,5% de alta na semana.

Vacinas e restrições

O aumento das mortes, que chegam perto dos 4 mil a cada 24 horas, poderá alongar as restrições e, além de assombrar o país e aumentar o quadro de apreensão, complicar a retomada econômica e o ambiente político.

O quadro da vacinação no país avança lentamente, com 7,03% da população imunizada. O Instituto Butantan anunciou nesta sexta-feira (26) que começou a desenvolver a produção-piloto da primeira vacina brasileira contra o coronavírus.

O anúncio amenizou a pressão na sexta sobre o Ibovespa.

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Soube-se, mais tarde, após reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, que a tecnologia da vacina foi desenvolvida pelo Instituto Icahn, da escola de Medicina do hospital Mount Sinai, de Nova York, em um sistema de licenciamento chamado “royalty-free”.

O governo de São Paulo estima que a vacinação com a Butanvac comece em meados de julho, após o término da fase de testes e aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) — projeção contestada por especialistas.

Cerca de 7 horas depois do anúncio da Butanvac, foi a vez de o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciar que pesquisadores financiados com recursos do governo federal entraram com pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de realização de testes para uma vacina contra a covid-19, batizada de Versamune-CoV-2F.

O imunizante está sendo desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, em parceria com as empresas Farmacore Biotecnologia e PDS Biotechnology Corporation.

O imunizante deve ficar ficar pronto, segundo ele, para a vacinação no início de 2022.

Mercados globais

As ações subiram em Wall Street, Europa e Ásia, apesar de terem experimentado alguns momentos no negativo. Ações de bancos e as que representam a reabertura econômica puxaram as altas.

Os investidores respiraram aliviados os dados que mostram uma inflação moderada.

Os temores de um aumento da inflação diminuíram depois que os dados mostraram pressões de preços controladas.

O presidente Joe Biden anunciou uma nova meta de distribuir 200 milhões de vacinas da Covid em seus primeiros 100 dias no cargo. Até sexta-feira, 100 milhões de vacinas contra o coronavírus foram aplicadas desde a posse de Biden.

Na Europa, os líderes se queixaram sobre a falta de entregas contratadas da AstraZeneca, enquanto o continente enfrenta uma terceira onda de infecções, que já estimula novos fechamentos mais rigorosos de suas economias.

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Com petroleiros engrossando a fila de embarcações que querem passar do Mar Vermelho para o Mediterrâneo, os preços da commodity dispararam, em meio a especulações de que o deslocamento ds navios pode levar semanas.

São assuntos que devem continuar no noticiário e no radar dos investidores.

Produção industrial

Na quinta (1º), sai a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números da produção industrial serão os de fevereiro. No balanço de janeiro, o IBGE apurou que houve crescimento de 0,4% ante dezembro. Na comparação com o mesmo mês de 2020, a alta foi de 2%. Mas, em 12 meses, a queda ficou em 4,3%.

De acordo com projeções da UBS, o número de fevereiro apontará para um crescimento de 1,5% comparado com janeiro de 2020 e o avanço de 3% nos últimos doze meses.

A UBS justifica essa previsão com a abertura parcial da economia, flexibilizada em muitos estados durante dezembro e janeiro – mas a gradual contenção da mobilidade urbana e o fechamento da atividade econômica com o agravamento da economia devem afetar negativamente o resultado.

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A mesma estimativa de desaceleração da produção industrial em fevereiro é citada pelo Traders, com
1,6% na comparação mensal, segundo a LCA Consultores. A tendência será de piora nos meses seguintes pela falta de peças e isolamento social.

É o deve ocorrer também na divulgação, na quinta, com a divulgação dos dados de vendas de veículos da Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores).

A agenda doméstica inclui outros dois números de peso: da balança comercial de março e PMI industrial no Brasil.

IGP-M

A terça (30) terá o anúncio do IGP-M de março.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta o aluguel, subiu 2,53% em fevereiro, em linha com as projeções. A leitura de janeiro foi de 2,58%. Com o resultado de fevereiro, o indicador acumulou alta de 5,17% no ano e de 28,94% em 12 meses.

O IGP-M é composto por três indicadores. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) representa 60% do IGP-M. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) responde por 30%. E o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), pelos outros 10%.

O IGP-M de março deve aumentar e superar os 3,0% no mês e 31,0% em 12 meses, segundo analistas do mercado.

Caged

O Caged de fevereiro terá anúncio nesta segunda (29) pelo Ministério da Economia.

Depois de fechar 2020 com a geração de 142,6 mil novos postos de empregos formais, o Brasil iniciou 2021 com a abertura líquida de 260.353 vagas de trabalho com carteira assinada no Caged.

Segundo os números divulgados nesta terça-feira (16) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o saldo positivo foi puxado pelo desempenho da indústria geral, com 90.431 postos formais de emprego.

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Logo na sequência veio o setor de serviços, com 83.686 novas vagas, distribuídas principalmente nas atividades de Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

O índice de fevereiro deve apontar desaceleração, de 260,3 mil vagas em janeiro para 240 mil, na análise de analistas do mercado.

A UBS estima um número ainda menor: 200 mil vagas em fevereiro.

O time da Macro Research, do BTG Pactual, fez um alerta na última divulgação do índice. De acordo com os especialistas, “com as novas medidas de restrição de mobilidade social, a tendência é de que os números de fevereiro não repitam o bom resultado, principalmente no setor de serviços”.

Pnad Contínua

Sobre números de emprego, haverá outro índice que os investidores devem acompanhar esta semana. Na quarta (31), o IBGE anuncia o resultado da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do mês de janeiro.

A taxa de desemprego fechou o quatro trimestre de 2020 em 13,9%, após ter atingido 14,6% no trimestre anterior, conforme divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (26).

O dado corresponde a 13,4 milhões de pessoas na fila por uma vaga no mercado de trabalho. Em 2018, a desocupação ficou em 12,3%, e no ano seguinte, foi de 11,9%.

A taxa deve mostrar um aumento do desemprego de 13,9% em dezembro para 14,0%, projetam analistas consultados pelo Traders.

Payroll

A semana trará ainda taxa de desemprego dos Estados Unidos do setor privado, calculados pela empresa ADP, realizada junto a Moody’s Analytics, na quarta (31), e que deve indicar alta de 117 mil postos em fevereiro para 485 mil em março.

Será uma prévia do payroll de março divulgado na sexta (2).

Em fevereiro o índice apontou a criação de 379 mil postos de trabalho A projeção era de criação de 182 mil vagas naquele mês e 166 mil de janeiro (corrigido dos 49 mil).

A taxa de desemprego caiu a 6,2%, ante leitura anterior de 6,3%.

Especialistas do mercado estimam que a taxa fique em 6% em março. A expectativa é de criação de 580 mil vagas em março.

Veja a agenda completa

Segunda-feira (29)

  • FGV: Sondagem de Serviços (março), às 8h
  • BC: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • BC: Política monetária e operações de crédito (fevereiro), às 9h30
  • Caged: Geração de emprego formal (fevereiro)
  • EUA: Federal Reserve – Discurso do diretor Christopher Waller, às 12h

Terça-feira (30)

  • Zona do Euro: Confiança do Consumidor, às 6h
  • FGV: IGP-M (março), às 8h
  • IBGE: Índice de Preços ao Produtor – indústrias de transformação (fevereiro), às 9h
  • Tesouro: Resultado primário do governo central (fevereiro)
  • Alemanha: Índice de preços ao consumidor (março), às 9h
  • EUA: Confiança do consumidor – Conference Board (março), às 11h
  • EUA: Confiança do consumidor mensal, às 11h
  • EUA: Variação de estoques de petróleo API (semanal), às 17h
  • Japão: Produção industrial mensal, às 20h30

Quarta-feira (31)

  • Reino Unido: PIB (4º trimestre), às 3h
  • Zona do Euro: Índice de preços ao consumidor – final (março), às 6h
  • IBGE: PNAD Contínua (janeiro), às 9h
  • EUA: Geração de vagas de trabalho – pesquisa ADP (março), às 9h15
  • BCB: Nota à Imprensa – Política Fiscal (fevereiro), às 9h30
  • BCB: Fluxo Cambial (semanal), às 14h30
  • Japão: PMI industrial Caixin mensal, às 22h45

Quinta-feira (1º)

  • Alemanha: Índice PMI Markit da indústria de transformação (março), às 4h55
  • Zona do Euro: Índice PMI Markit da indústria de transformação (março), às 5h
  • Reino Unido: Índice PMI Markit da indústria de transformação (mar), 5h30
  • 9h: IBGE: Pesquisa Industrial Mensal (fevereiro), às 9h
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 9h30
  • Brasil, Markit: Índice PMI da indústria de transformação (mar), ás 10h
  • 15h: MDIC: Balança comercial mensal (março), às 15h
  • Fenabrave: Emplacamentos de veículos (março)
  • EUA: Índice ISM da indústria de transformação (março), ás 11h

Sexta-feira (2)

  • EUA: Relatório de emprego payroll não-agrícola mensal (março), às 9h30
  • EUA: Taxa de desemprego mensal, às 9h30