Produção industrial recua, após nove resultados positivos consecutivos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Rodrigo Felix Leal/AEN-PR

A produção industrial nacional recuou 0,7% em fevereiro na comparação com o mês anterior. O resultado interrompe uma sequência de nove resultados positivos consecutivos na Pesquisa Industrial Mensal (PIM). Ela foi divulgada nesta quinta-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A projeção do mercado era por alta de 0,5%.

No ano, a indústria acumula alta de 1,3% e, em 12 meses, queda de 4,2%.

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A indústria se encontra, agora, 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011. E 2,8% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020).

produção industrial

Reprodução/IBGE

“Nos últimos meses nós já vínhamos observando uma mudança de comportamento nos índices. Que, embora ainda positivos, já apresentavam uma curva decrescente, demonstrando um arrefecimento”, comenta o gerente da pesquisa, André Macedo.

Três das quatro grandes categorias econômicas pesquisadas e 14 dos 26 ramos observados tiveram desempenho no campo negativo em fevereiro. Ou seja, apenas 12 atividades tiveram taxas positivas, ele destaca.

Setor de veículos sofre com falta de insumos

As atividades que se destacaram negativamente foram veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,2%) e indústrias extrativas (-4,7%).

“O ramo de veículos vem sendo muito afetado pelo desabastecimento de insumos e matérias primas. Mesmo assim, a produção de caminhões vem tendo resultados positivos. Porém, a de automóveis e autopeças vem puxando o índice geral para o campo negativo”, explica Macedo.

Segundo o pesquisador, além do desabastecimento de matérias-primas, o grande número de desempregados, o aumento de preços, dificuldades no mercado internacional e a interrupção da concessão do auxílio emergencial no final do ano são alguns dos fatores que vêm influenciando a cadeia produtiva.

BTG (BPAC11): recrudescimento da pandemia e novos bloqueios explicam resultado negativo

Na análise do BTG Pactual (BPAC11), a piora nos indicadores e nas expectativas vem do recrudescimento da pandemia e das consequentes novas medidas de isolamento social, que promove o fechamento das fábricas.

Para o banco, há ainda incertezas elevadas em relação à falta de insumos – fato que é ainda mais intensificado com os novos bloqueios. E isto gera elevação nos custos de produção, que já pode ser sentida na elevação dos preços no IPA-industrial (segmento do IGP-M, indicador que apresenta alta de 30,31% em 12 meses até março).