Produção industrial recua 1,3% em abril, mas tem alta recorde na comparação anual

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/FGV

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, apontou que a produção da indústria recuou 1,3% em abril ante março. A projeção do mercado era por queda de 0,2%. Em março, a retração foi de 2,2%.

No entanto, a alta é recorde de 34,7% na comparação com abril de 2020 – dada a baixa base de comparação, já que, no período, o país vivia o momento mais crítico da pandemia, com fechamento das fábricas.

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Este foi o terceiro resultado negativo consecutivo do índice. No ano, a alta é de 10,5% e, em doze meses, de 1,1%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (2).

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produção industrial

Reprodução/IBGE

A queda de abril foi disseminada por 18 das 26 atividades pesquisadas. E foi impactada principalmente pela retração de 9,5% de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.

A segunda atividade com maior impacto no índice foi produtos alimentícios, que teve queda de 3,4% na comparação com março.

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Reprodução/IBGE

O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que o espalhamento do resultado negativo pelas atividades foi o maior desde abril de 2020.

“O crescimento da produção industrial já vinha mostrando um arrefecimento desde a segunda metade do ano passado. Com a entrada de 2021, o recrudescimento da pandemia e todos os efeitos que isso traz, o setor industrial mostrou uma diminuição muito evidente de seu ritmo de produção. Isso fica claro não só pelos resultados negativos, mas também pelo maior espalhamento desse ritmo de queda”, diz.

Com os resultados negativos de fevereiro, março e abril, o setor industrial perdeu o ganho acumulado que mantivera até janeiro acima do patamar pré-pandemia. “Em janeiro, tínhamos um saldo de 3,5% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, ou seja, antes da pandemia. Com os resultados de fevereiro, março e abril de 2021, o setor industrial está 1% abaixo daquele patamar”, afirma.

BTG vê cenário mais favorável nos próximos meses

Para a equipe do BTG Pactual (BPAC11), apesar dos produtores estarem cautelosos com atrasos na cadeia de produção, levando a falta de matérias primas e elevação dos custos, a melhora nas expectativas da vacinação, levando a elevação das projeções de atividade econômica, e da recuperação de grandes parceiros comerciais do Brasil, contratam cenário mais positivo para a indústria nos próximos meses.