Brumadinho leva produção industrial a recuar em 2019, após 2 anos de expansão

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Shutterstock

Depois de dois anos seguidos de crescimento, a produção industrial brasileira fechou 2019 em queda de 1,1%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PMI), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o gerente de pesquisa, André Macedo, “tiveram grande peso nesses resultados negativos os efeitos na indústria extrativa, em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho no início de 2019”.

À Agência IBGE, Macedo ressaltou que, se o setor extrativo (-9,7%) fosse retirado do cálculo, a variação da produção industrial seria de 0,2% no ano.

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Dessa forma, a produção ficou negativa após os desempenhos positivos de 2017 (+2,5%) e de 2018 (+1%).

No entanto, houve uma redução na intensidade das perdas do primeiro para o segundo semestre (de -1,4% para -0,9%).

Do lado positivo da balança do ano, está a produção de bens de consumo, tanto duráveis quanto não duráveis.

Resultado de dezembro

Em dezembro de 2019, a produção industrial nacional recuou 0,7%, na comparação com o mês anterior (com ajuste sazonal). Na comparação anual, a queda foi de 1,2%.

A queda foi maior que as projeções de economistas consultados pela agência Bloomberg, que projetavam retração de 0,5% em dezembro e de 0,8% no ano.

Com o resultado, o setor industrial recuou tanto no fechamento do quarto trimestre de 2019 (-0,6%), como no acumulado do segundo semestre do ano (-0,9%), contra iguais períodos do ano anterior.

Quedas por setor

Entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,7%) e máquinas e equipamentos (-7,0%), com a primeira acumulando recuo de 9,7% em três meses consecutivos de queda na produção; e a segunda intensificando a perda de 2,0% verificada em novembro de 2019.

Outras contribuições negativas relevantes vieram de indústrias extrativas (-1,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,2%), de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-6,6%), de metalurgia (-1,9%), de produtos de metal (-2,9%), de produtos de borracha e de material plástico (-2,5%), de produtos de minerais não-metálicos (-1,8%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,5%).

Contribuições positivas

Entre os nove ramos que ampliaram a produção, derivados do petróleo e biocombustíveis (4,2%); impressão e reprodução de gravações (39,8%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (5,3%).

Tá, e aí?

A queda na produção industrial brasileira já era esperada pelo mercado, muito em decorrência da tragédia de Brumadinho, que afetou diretamente a indústria extrativa: o setor recuou 9,7%, capitaneado pela Vale, que se viu obrigada a suspender sua produção em diversas plantas.

Pesaram também as incertezas em torno da disputa comercial entre americanos e chineses, além de refletir as dificuldades em torno da situação do emprego no país, que continua apresentado altas taxas de desocupação.

Nos últimos seis anos, com o início do período recessivo, a atividade industrial brasileira acumula perdas de 14,8% e a consolidação dos números de 2019, às vésperas da decisão do Copom sobre a Selic, reforçam ainda mais a aposta já majoritária, em um novo corte de 25 pontos base.

2020

A Rosenberg & Associados avalia que, em 2020, a indústria deve voltar ao terreno positivo, com uma alta de 3,5%.

“A aceleração da demanda doméstica, estimulada pelo crédito, FGTS e, em alguma medida, também pelo mercado de trabalho, são cruciais para este resultado (previsto para 2020); também a recuperação da produção da indústria extrativa mineral deve colaborar positivamente, tanto pela normalização da extração de minério de ferro como pela ampliação da extração de petróleo.

O relatório acrescenta que a melhora da construção civil deve contribuir, também, para um melhor resultado dos insumos típicos.