Produção industrial cai 58% em março; setor automotivo amplia lay-off

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a produção industrial caiu 58% em março, conforme o relatório Sondagem Industrial.

Significa dizer que o uso da capacidade industrial no mês atingiu o pior patamar em dez anos. Esse resultado foi impactado pelo coronavírus e as medidas de contenção da pandemia.

De acordo com a CNI, a atividade havia começado 2020 mais aquecida em comparação a anos anteriores, com utilização da capacidade instalada do setor em 67%.

Entretanto, essa elevação foi interrompida por conta da paralisação imposta. O tombo foi de 33,3 pontos em março, ante os 47,5 pontos de fevereiro.

Segundo a CNI, o percentual de utilização da capacidade instalada da indústria é calculado pela relação entre a produção industrial no mês, em volume, e a estimativa do quanto seria produzido se todo o equipamento estivesse operando em capacidade máxima.

Utilização média da capacidade instalada

Fonte: CNI.

Setor automotivo em lay-off

O efeito do coronavírus na linha de produção também levou a indústria automobilística a suspender temporariamente 74% dos contratos de trabalho de 107 mil empregados.

Trata-se do chamado lay-off, ou diminuição da jornada. A maioria dos acordos inclui redução de salários. O levantamento é do Grupo Globo.

Conforme a pesquisa, 79,2 mil funcionários foram envolvidos em algum tipo de medida anunciada por 13 fabricantes de carros, caminhões e ônibus até a última segunda-feira (27).

Isso porque a maioria das linhas de produção do país está parada desde março. O setor empregava 106.996 pessoas, de acordo com dados da Anfavea, a associação das fabricantes.

Acontece que as companhias aderiram à Medida Provisória 936 do governo federal, que flexibilizou regras trabalhistas temporariamente, com o intuito de evitar demissões em massa.

Assim, jornada e salários podem ser reduzidos por até três meses. Ou, o contrato de trabalho pode ser suspenso por até dois meses.

Segundo o ministério da Economia, ambas as ações têm, em contrapartida, um complemento de renda a ser pago pelo governo, calculado com base na parcela do seguro-desemprego.