Produção industrial avança 3,4% em setembro, na comparação anual

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Governo do Espírito Santo/Divulgação

A produção industrial brasileira cresceu 3,4% em setembro, na comparação com igual período de 2019. O resultado interrompe dez meses de resultados negativos seguidos nesta comparação.

A expectativa do mercado era por resultado inferior: 2,2% de crescimento anualizado, ante queda de 2,7% em agosto.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E foram divulgados nesta quarta-feira (4).

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Na comparação com o mês de agosto, o avanço foi de 2,6%, ante 3,6% de agosto.

Em maio, o indicador apontou avanço de 8,7%. Em junho, 9,6%. E julho, 8,6%.

Estes cinco meses de crescimento eliminaram a perda de 27,1% acumulada entre março e abril, quando a produção industrial havia caído ao nível mais baixo da série.

Com isso, em setembro, a atividade industrial no país se encontrava 0,2% acima do patamar de fevereiro último. Neste mês, a pandemia ainda não havia afetado a produção.

O setor acumula perda de 7,2% no ano e de 5,5% em doze meses.

Produção de veículos automotores avança 14,1%

Entre as atividades, a influência positiva mais relevante em setembro foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias. O segmento avançou 14,1%, impulsionado pela continuidade do retorno à produção após a paralisação decorrente da pandemia.

O setor acumulou expansão de 1.042,6% em cinco meses consecutivos de crescimento na produção, mas ainda assim se encontra 12,8% abaixo do patamar de fevereiro último.

As indústrias extrativas (-3,7%) registraram o principal impacto negativo em setembro, interrompendo, dessa forma, três meses de resultados positivos consecutivos e que acumularam expansão de 18,2%.

Entre as grandes categorias econômicas, em relação a agosto de 2020, os bens de consumo duráveis tiveram a maior taxa positiva. Com crescimento de 10,7%. Foi o quinto mês seguido de expansão na produção, acumulando nesse período avanço de 520,3%. Porém, mesmo com esses resultados positivos recentes, o segmento ainda se encontra 2,8% abaixo do patamar de fevereiro último.

Produção industrial recua 0,6% no terceiro trimestre

O setor industrial recuou 0,6% no terceiro trimestre de 2020. E permaneceu com o comportamento negativo presente desde o último trimestre de 2018 (-1,3%), em todas as comparações contra igual período do ano anterior.

A redução na intensidade de perda, observada na produção industrial na passagem do segundo (-19,4%) para o terceiro trimestre de 2020 (-0,6%) foi explicada pelo ganho de ritmo nas quatro grandes categorias econômicas. São elas: bens de consumo duráveis (de -64,8% para -8,2%), bens de capital (de -38,6% para -11,1%). Também bens intermediários (de -12,6% para 3,1%) e bens de consumo semi e não-duráveis (de -16,6% para -3,1%).

Todas as grandes categorias acumulam recuo no ano

No acumulado no ano, frente a igual período de 2019, o setor industrial caiu 7,2%. Tendo resultados negativos em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 64 dos 79 grupos e 68,4% dos 805 produtos pesquisados.