Produção industrial, Anfavea e payroll agitam a 1ª semana de junho

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação

A primeira agenda econômica de junho será marcada pela divulgação de indicadores com dados apurados em abril e maio.

As informações vão englobar os meses em que quarentena e as medidas restritivas para frear o novo coronavírus já prevaleciam na maior parte do país.

A produção industrial brasileira, o boletim mensal da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e os do payroll (que apontam o desemprego nos EUA) devem, portanto, revelar os efeitos ainda mais expressivos da pandemia na atividade econômica.

Produção industrial no Brasil

As informações contaminadas pelos efeitos da Covid-19 que serão anunciadas nestes primeiros dias do mês incluem a produção industrial brasileira, divulgada pelo IBGE na próxima quarta (3).

No último dia 5 de maio, a produção industrial brasileira apontava recuo de 9,1% de fevereiro para março. O resultado levava o patamar de produção voltando ao nível próximo ao de agosto de 2003.

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Foi o pior resultado para um mês de março desde 2002 e a maior queda já registrada desde maio de 2018 (quando a leitura foi de -11%).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), o tombo da indústria refletiu os efeitos da desaceleração da economia em decorrência da pandemia de coronavírus.

Na segunda (1º), saem o PMI (sigla em inglês para índice de gerente de compras) da indústria de transformação e a balança comercial de maio. Os dois indicadores também irão apontar o impacto da desaceleração provocada pela pandemia.

 

Indústria de veículos

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) anunciará seu balanço na quinta. Espera-se uma notícia nada animadora.

Em 8 de maio, segundo a associação, a produção nacional de veículos despencou 99% em abril, o menor nível mensal desde o surgimento da indústria, em 1957.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, reforçou, no dia daquele anúncio, a prioridade do setor à proteção da saúde dos funcionários, mas também chamou atenção para a necessidade urgente de se “encontrar meios de evitar que uma recessão grave leve o país ao colapso”.

Amanhã (1º) a Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores) informará também o impacto da crise sobre o mercado de veículos.

Dados do comércio automotivo em abril apontavam queda de 64,04% do número de emplacamento de veículos em relação a março, de 249.392 para 89.692. De fevereiro para março, o mercado já vinha em queda de 15,02%.

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Payroll

Nos Estados Unidos, a expectativa fica por conta dos dados do payroll, que vão mostrar o tamanho do desemprego no país. O índice é um termômetro da economia americana.

Por causa da pandemia e do lockdown decretado na maioria das cidades americanas, o último Payroll, apurado em abril, sinalizava um quadro impactante.

Em 8 de maio, o Bureau of Labor Statistics reportou 20,5 milhões de vagas de emprego a menos no país.

A taxa de desemprego subiu para 14,7%, aumento de 10,3 pontos porcentuais em relação a março.

Foi a taxa de desemprego mais alta da série histórica – a pesquisa é feita desde 1948. Ainda assim, ficou abaixo do que aguardava o mercado, que projetava uma taxa mais pessimista, de 16%.

Brasil

A semana de indicadores no país tem início com o tradicional boletim Focus do Banco Central.

A última pesquisa ainda registrava a piora do cenário econômico com a Covid-19. O dólar para final de 2020 subiu de R$ 5,28 para R$ 5,40.

A Selic foi mantida em 2,25% no final deste ano. Já o PIB foi reduzido de -5,12% para -5,89%. Espera-se para o PIB continuidade de redução nas próximas avaliações, mas com maior crescimento em 2021.

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O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao último trimestre de 2019, divulgou nesta sexta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a retração foi de 0,3%.

Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,803 trilhão no primeiro trimestre.

O resultado ficou em linha com as projeções do mercado, mas é o pior resultado desde o segundo trimestre de 2015, quando recuou 2,1%.

Bolsa de Valores

O mês de junho terá a volta da atividade econômica e fim do isolamento social em vários países, o que, segundo análise da Mirae Asset, será “um importante vetor para a retomada, mesmo que gradual, da economia”.

Outro ponto relevante será acompanhar notícias de medicamentos para a doença. A descoberta ou a proximidade de um antídoto contra o coronavírus pode ajudar a melhorar o humor no mercado financeiro.

Mas existe ainda possibilidade de uma segunda onda de contaminação pela pandemia do novo coronavírus em alguns países que estão retomando as atividades.

É preciso ficar atento às possíveis restrições dos EUA contra a China, que podem provocar apreensão no mercado financeiro global.

No país, o clima em Brasília continua tenso, com atritos entre o Executivo e o Judiciário — o que inclui inquérito da Polícia Federal sobre a fake news que envolvem apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e a apuração do Supremo Tribunal Federal a respeito da suposta interferência do governo sobre a PF.

Volatilidade

O cenário pode atrapalhar o Ibovespa. “Continuamos vivendo em um período de grandes incertezas, o que tende a gerar volatilidade no mercado acionário e cambial”, aponta a Mirae Asset.

O mês de junho dá a largada após um mês em que o Ibovespa acumulou alta de 8,57%. Na semana passada, o ganho foi de 6,36%. Mesmo com o maio positivo, o acumulado do ano fica negativo em 24,42%.

Este foi o melhor mês de maio da bolsa desde 2009. Naquele ano, em maio, a bolsa subiu 12,49%.

A Sabesp foi a campeã do mês de maio, com valorização de 35,53%, cotada a R$ 54,32. Para especialistas, o movimento de alta foi motivado pelo fato de ser uma ação defensiva.

As incógnitas serão a duração e os impactos do Covid-19 na economia global e local. Para a Mirae, “os investidores devem continuar procurando maior risco, em virtude do juro real baixo no Brasil e das oportunidades surgidas na Bolsa de Valores.”

Já o dólar fechou a sexta (29) em leve queda de 0,82%, para R$ 5,33. No mês, a moeda norte-americana depreciou 1,79%.

Balanços

A safra de balanços continua. A CVM, como se sabe, liberou às empresas informarem seus resultados após os 45 dias do encerramento do exercício.

Em vez do fim da safra em 15 de maio, os investidores acompanharão mais resultados. Nesta semana sairão:

– IMC (MEAL3), em 1º/6;
– Fras-Le (FRAS3), em 3/6;
– BRMalls (BRML3), em 4/6.

Agenda econômica

A semana terá ainda a divulgação de indices como o IPC-S (a 4ª quadrissemana), da FGV, nesta segunda, o IPC-Fipe, nesta quarta (3), e o IBC-Br, do Banco Central.

Pela ordem das últimas divulgações: na terceira leitura do mês de maio, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) ficou em -0,57%, ante -0,53% da semana anterior. A queda na inflação vem se confirmando a cada leitura: no início de maio era de -0,34%.

O IPC-S avalia a variação da inflação em um período de quadrissemana (dividindo o mês em quatro períodos de checagem). Isto em sete capitais do país. São elas: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

Na terceira quadrissemana de maio, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), que calcula a inflação na cidade de São Paulo, apresentou variação de -0,38%, ante -0,47% da semana anterior. Na primeira leitura de maio, o Índice de Preços ao Consumidor apresentou variação de -0,40%.

Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou um recuo de 5,9% em março.

O resultado se deve às medidas de paralisação das atividades econômicas em razão do isolamento social em meio à pandemia de coronavírus.

No trimestre, o recuo foi de 1,95% em relação aos três meses anteriores.

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