Produção de aço tem queda de 14,3% no primeiro quadrimestre de 2020

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Brasil Escola

Também sob impacto da crise gerada pela pandemia global, a aciaria nacional apresentou queda no início deste ano.

Nos primeiros quatro meses de 2020, a produção brasileira de aço bruto chegou a 10 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 14,3%, se comparada a igual período do ano passado, segundo o Instituto Aço Brasil

Tombo em abril

Mas no comparativo de produção de aço bruto em abril último, a queda foi ainda mais expressiva, de 39% para idêntico mês de 2019.

Os laminados, por sua vez, também se ressentiram do fator exógeno pandêmico e tiveram redução de 9,3% (7,1 milhões de toneladas), também comparado ao primeiro quadrimestre de 2019.

Em abril, na fase aguda da crise, a produção de laminados foi de 1,2 milhão de toneladas, 36,6% inferior a abril de 2019.

Já a produção de semiacabados para vendas (2,7 milhões de toneladas) apuraram queda de 13,2%. Em abril, essa produção ficou 23,8% aquém de igual mês do ano passado, ao atingir somente 599 mil toneladas.

Vendas em descenso

Igualmente em descenso, as vendas internas corresponderam a 5,6 milhões de toneladas na primeira quadra desse ano, ou seja, recuaram 9,5%, no mesmo comparativo.  Mas em abril último, contra abril de 2019, essa queda foi bem superior:  35,6% o equivalente a 976 mil toneladas.

No quadrimestre inicial de 2020, o consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 1,1 milhão de toneladas, 34,6% abaixo do apurado no mesmo período de 2019.

Grave crise

“Esses dados atestam a situação da grave crise de demanda que a indústria de aço enfrenta hoje. Isso a levou a operar com apenas 42,2% de sua capacidade instalada, quando deveria estar operando acima de 80%”.

A explicação, em tom tenso, é do presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, sobre os contornos da crise no setor, divulgados nessa segunda-feira (25), pelo próprio site da entidade.

Previsão pessimista

Segundo o dirigente, a indústria de transformação vive situação semelhante, fruto das necessárias medidas de isolamento social tomadas para enfrentamento da pandemia. E faz uma previsão nada positiva.

“A manutenção, entretanto, dessa situação, sem que ocorram flexibilizações, levará a novas paralisações de equipamentos, fechamento de plantas e ao consequente aumento do desemprego”.

Para a indústria brasileira do aço, acrescenta Lopes, a “flexibilização deve ser feita com base em protocolos de segurança que protejam a população, tendo como prioridade absoluta a saúde”.

Consumo encolhe

Outro indicador relevante da atividade, o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos atingir 6,2 milhões de toneladas nos primeiros quatro meses de 2020 ou uma queda de 9,4%, para o mesmo comparativo.

Importação cai

Também nos primeiros quatro meses deste ano, as importações apuraram queda de 17,8% frente a igual período de 2019, para uma produção de 705 mil toneladas. Em valor, elas atingiram US$ 745 milhões ou 13,4% em igual comparação.

Mas especificamente em relação a abril último, as importações somaram 186 mil toneladas (US$ 182 milhões), o que representa recuo de 24,0% (em quantum) e de 19,8% em valor, frente  a abril de 2019.

Exportação também

Como era de esperar, igualmente as exportações recuaram (17,5%), tanto em produção (4,1 milhões de toneladas), quanto (5,1%) em valores (US$ 2,1 bilhões), no primeiro quadrimestre do ano, frente ao mesmo período de 2019.

Em abril, as exportações também apuraram queda de 17% na produção (883 mil toneladas) e de 21,9% (US$ 481 milhões), se comparado a igual mês do ano passado.

Confiança abalada

Como não bastasse tantos dados adversos, também a confiança do empresariado no futuro próximo está seriamente abalada.

Fato é que o Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de maio atingiu 26,9 pontos. “Isso indica que os CEO´s do setor continuam sem confiança tanto sobre a situação atual quanto as expectativas para os próximos meses”, concluiu o presidente-executivo do instituto.