Pró-Brasil pode se transformar na próxima crise do governo

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Depois da saída de Luiz Henrique Mandetta da Saúde e Sérgio Moro da Justiça, as apostas já estão feitas para o que deve ser a próxima crise política do governo. Ela aponta diretamente para Paulo Guedes.

Tudo porque o ministro da Economia se mostra contrário ao programa Pró-Brasil.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo deste domingo (26), houve um mal-estar entre Guedes e o ministro do Desenvolvimento Regional, Roberto Marinho, horas antes do pronunciamento de Jair Bolsonaro na ocasião da demissão de Moro na sexta-feira (23). Na data, Bolsonaro reuniu todos os ministros atrás dele, como demonstração de apoio e unidade dentro do governo.

Nos bastidores, o que dizem é que Guedes vem sendo “frito” pelos aliados do presidente e já ganhou a pecha de “insensível com os pobres”, por se demonstrar insatisfeito com o plano que tem por meta gerar 1 milhão de empregos com obras públicas financiadas pelo governo.

De acordo com o plano Pró-Brasil, nos próximos três anos serão injetados R$ 30 bilhões na economia através de investimentos públicos. Além disso, outros R$ 250 bilhões serão destinados para concessões ao setor privado.

Para a equipe de Guedes, o intervencionismo estatal é muito prejudicial ao país.

Segundo a reportagem, Guedes acusou Marinho de atrapalhar a atuação do Banco Central na crise e na política de juros. “Não tenho nada para conversar com você”, teria avisado Guedes, ressaltando que só debateria com Marinho nas reuniões de trabalho do Pró-Brasil.

Adiado o anúncio da Justiça

Aguardado para sábado (25), o anúncio do novo ministro da Justiça deve acontecer entre hoje e segunda-feira (27).

Até ontem, era dada como certa a indicação de Jorge Antônio de Oliveira Francisco, atualmente na Secretaria Geral da Presidência da República.

No entanto, o próprio Jorge de Oliveira vem conversando com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que a indicação não seria interessante no momento. Isto devido às acusações do ex-ministro Sérgio Moro, que se afastou do cargo na última sexta-feira (24).

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“O presidente disse mais de uma vez que queria alguém de sua confiança para ter acesso a investigações. Esse não é o papel da Polícia Federal, prestar serviço ao presidente da República. A autonomia da PF é um valor fundamental que temos de preservar”, acusou Moro no anúncio de sua demissão.

Um dos principais conselheiros de Bolsonaro, Oliveira tem argumentado que a melhor alternativa para o governo seria uma “indicação técnica” para a Justiça.

Segundo aliados, ele teme que sua nomeação seja interpretada como uma possibilidade de o presidente influenciar na PF. O major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal é amigo pessoal do presidente e de seus filhos.

A ala militar do Palácio do Planalto defende que Bolsonaro encontre alguém com o mesmo “peso” de Sérgio Moro. Eles confiam na competência de Oliveira, mas preferem alguém acima de sob qualquer suspeita.

Novos nomes levantados

Diante do impasse, outros nomes estão sendo cogitados. Um deles seria o de Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e desembargador aposentado. Ele é apontado como tendo perfil bolsonarista.

Outra possibilidade aventada é a de desmembrar a pasta em Justiça e Segurança Pública. A Justiça ficaria com Oliveira e a Segurança Pública, com Anderson Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Torres havia sido cotado para a direção-geral da Polícia Federal. Mas já está certo o anúncio de Alexandre Ramagem, atualmente chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e amigo pessoal do cã Bolsonaro.