Quais os primeiros investimentos do conservador saindo da poupança?

Fabian Fávero
Assessor de Investimentos na EQI Investimentos. Formado em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente cursando MBA em Investimentos e Private Banking pela IBMEC.

Crédito: Free Photos | Pixabay

Aprendi durante a faculdade de Direito a resposta padrão feita a todos os juristas: depende. Utilizarei no decorrer dos textos alguns clichês, e até já peço desculpas, mas realmente se faz necessário a essa pergunta. A primeira é: não compare a sua primeira página com a sétima de outra pessoa (se alguém souber o autor, só avisar que darei os devidos créditos). Ou seja, a jornada que de um investidor é única, cada um tem a sua, crescendo e conhecendo novos produtos de investimentos com o passar do tempo.

Mas por que eu falo isso? Em 1976 o compositor Cartola alertou que “O mundo é um Moinho”, e assim segue também o mercado financeiro. Pense comigo, o investidor saindo da poupança ou do famoso CDI ofertado pelos bancos, e de cara aplica os recursos em ações. Sem conhecer ou entender as oscilações do mercado, a volatilidade (tanto negativa quanto positiva) causa medo, o que é perfeitamente normal. Sem a devida atenção, as pás e lâminas do moinho, assim como na música, reduzirão o dinheiro e expectativas a pó.

Por isso, se não houver o devido acompanhamento e a ciência dos riscos, recomendamos a busca por ativos mais seguros. Mas quais seriam eles?

Investimentos em renda fixa fora do banco?

Sim, existe vida fora do banco. Muitas pessoas acreditam que as corretoras oferecem apenas renda variável, e por isso se distanciam criando um preconceito. Pelo que temos de contato e como operamos no dia a dia, posso afirmar que não é assim. Através de uma corretora você tem acesso a uma série de bancos e financeiras emissores de renda fixa.

Qual a primeira coisa que você faz quando decide comprar um produto? Você pesquisa, certo? Através da sua busca, você elege quais são os fabricantes e prestadores de serviço que irão ao encontro do que você busca. O fato de existir concorrência e o livre mercado (calma, não é um texto sobre liberalismo) faz com que todos busquem oferecer o melhor retorno. No banco, você tem acesso apenas aos produtos do próprio banco, o que acaba prejudicando o retorno obtido em um título.

Da mesma forma, o Tesouro Direto surge como uma oportunidade neste momento. Neste vídeo, o CEO da EQI, Juliano Custódio, aborda todos os aspectos referentes a essa aplicação.

Constantemente somos questionados sobre a segurança de investir através de corretora comparado a bancos. É a mesma. A segurança do dinheiro em bancos é o Fundo Garantidor de Crédito (ou simplesmente FGC), resguardando até R$250.000,00 por instituição financeira e limitado a R$1.000.000,00 por CPF.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Mas quais são esses investimentos?

Diversos são os investimentos em renda fixa: CDB, LCI, LCA, LC, Debêntures, CRA e CRI. Uma sopa de letrinhas, eu sei, mas é mais simples do que parece.

Os CDBs são os Certificados de Depósito Bancário, onde você basicamente empresta dinheiro ao banco para ele capitalizar. Você consegue mais informações sobre esse tipo de investimento aqui. Já as Letras de Crédito dos setores imobiliário e do agronegócio seguem a mesma ideia, porém os bancos tem que destinar os recursos especificamente aos setores. Como vantagem aqui, há o fato da isenção de imposto de renda. Mais detalhes sobre LCI e LCA, aqui.

Já as Letras de Câmbio não tem relação com câmbio (moeda). Elas têm o mesmo objetivo dos CDBs, por exemplo, mas são utilizados pelas Financeiras. As informações sobre elas você encontra nesse link. Porém, quando se trata de uma empresa privada querendo captar dinheiro no mercado, ela utiliza a emissão de debêntures. As debêntures são títulos de dívida de longo prazo, e esse post trouxe bastantes informações sobre elas. No mesmo sentido da captação privada, os CRIs e CRAs também se destacam. Vale, porém, ficar de olho nesta forma de investimento aos riscos inerentes a operação, e aqui tem mais detalhes.

Em conclusão:

Pesquise. Mas retornando aos clichês, Buffett diz para nunca testarmos a profundidade de um rio com os dois pés, por isso se antecipar a um produto desconhecido antes da hora pode ser muito perigoso para o seu capital. Possuir um acompanhamento neste momento para estar ciente dos riscos é fundamental. Sem esse cuidado, finalizando com a canção de Cartola: “quando notares estás à beira do abismo (…) que cavaste com os teus pés”.