Previdência privada: ainda vale a pena investir nos fundos?

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Foto: previdência privada vale a pena?

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Vagando pela internet em busca de conteúdos relacionados à previdência privada, é comum verificarmos que existe muitas opiniões divergentes sobre o assunto. No final das contas, sempre há uma segunda intenção por parte do autor dos conteúdos.

Se vamos ao site de um banco, encontramos a previdência como se fosse a melhor coisa do mundo; se entramos em sites relacionados a cursos de educação financeira, vemos o autor dar reviravoltas no texto afim de gerar dúvidas sem respostas para que o leitor acabe comprando o seu curso mágico.

Agora, se vamos em um site de notícias que abordou o tema, eles irão criticar a previdência privada de forma horrenda. Irão desenhar um monstro, porque falar mal dá mais “Ibope”.

E fica a pergunta: afinal de contas, previdência privada vale a pena ou não?

Previdência vale a pena?

A ideia desse artigo é desmistificar a previdência privada sem puxar a sardinha para lado nenhum. Ao invés disso, queremos fazer com que você, por mais leigo que seja, saia dessa página entendendo sobre o investimento.

Respondendo à pergunta base desse artigo, se a Previdência privada vale a pena, dizemos que SIM! Na maioria dos casos, a previdência vale a pena. Esse investimento só não vale a pena caso você esteja buscando algo de curto prazo.

Nesse caso a previdência privada não vale a pena, e o que o seu gerente falar além disso é bobagem.

Porém, em alguns casos a previdência irá valer mais a pena do que em outros. E claro, você só estará fazendo um bom negócio se souber escolher.

A escolha depende do seu perfil de investidor, sua faixa salarial e sua declaração de Imposto de Renda. A declaração de IR a faixa salarial são importantes porque ambos poderão te ajudar a pagar menos impostos.

Esse artigo também ajudará você a avaliar a sua própria previdência. Caso descubra que ela não é tão boa quanto o seu gerente mencionou que seria, consulte-nos através desse formulário no fim da página.

O que é previdência privada?

A previdência privada é um plano de aposentadoria complementar à previdência social ligada ao INSSOu seja, se você é um profissional liberal, ou possui um custo de vida acima do valor teto pago pelo INSS (R$ 6.433,57) que começou a valer em 2021, é muito importante começar a pensar em uma renda complementar para a sua aposentadoria. Neste caso, a previdência privada pode ser uma das soluções financeiras que supre essa necessidade.

Agora vamos entender o porquê têm muito conteúdo na internet dizendo que a previdência privada não vale a pena para você.

Desmistificando a previdência privada

Na maioria dos conteúdos sobre previdência privada, vemos autores criticando as altas taxas e a baixa rentabilidade da aplicação.

Nessa primeira parte do artigo, o intuito é desmistificar essas questões para depois te ajudar a escolher um bom plano de previdência privada. Vamos lá!

1. Previdência privada rende pouco

Uma das principais críticas dos autores sobre o tema é a questão da rentabilidade. Mas não é nenhuma novidade que os bancos ofertam investimentos de baixa rentabilidade para os investidores em TODAS as esferas do mundo dos investimentos.

Os títulos de renda fixa oferecidos pelos bancos, por exemplo, são tão medíocres que ao deduzir IR muitos perdem para a poupança.

Os fundos de investimentos também não escapam dessa rentabilidade ilusória. A maioriadeles não entregam rentabilidade superior a 90% CDI. Na verdade, a maioria desses fundos bem como os títulos de renda fixa ficam na mediocridade dos 70-80% CDI.

O CDI é uma taxa anual que utilizamos para calcular a rentabilidade dos investimentos. Hoje – julho de 2021 – a taxa CDI está em 4,15% ao ano, portanto, 80% do CDI equivale a 4,15  multiplicado por 0,80 = 3,33% ao ano.

Então, a previdência não é a única vilã em rentabilidade oferecida pelo seu gerente. Na verdade, ela só é mais uma das aplicações medíocres que o banco te oferece.

Em geral, encontramos melhores aplicações através das corretoras, instituições financeiras especializadas em investimentos que fazem a intermediação entre o investidor e o investimento.

É possível encontrar excelentes planos previdenciários através dessas corretoras de valores.

2. Taxas altas e abusivas

É bem verdade e pertinente essa consideração, pois algumas instituições (não todas) cobram altas taxas de administração. Além dela, há taxas de entrada e saída, também conhecidas como taxas de carregamento.

As taxas de administração são inerentes a todos os fundos previdenciários. Em resumo, é essa taxa que custeia o fundo e os profissionais ligados ao funcionamento e desempenho do mesmo. Dentre esses profissionais encontramos o gestor do fundo, o administrador, o distribuidor, o auditor independente, o operacional, o custodiante, dentre outros.

O problema não é a existência dessa taxa. Ao contrário, o verdadeiro problema é quando essa taxa é abusiva ao ponto de se tornar nociva para o investimento.

Já as taxas de carregamento não são impostas por todas as instituições, e a regra para a cobrança da mesma varia.

A saber, a taxa de entrada é aquela taxa cobrada pelo simples fato de contratação do plano. Isso mesmo! É um absurdo, mas é bem comum os gerentes incluírem essa taxa no seu plano sem avisar ao investidor da existência dela.

Já a taxa de saída é aquela taxa que o banco irá te cobrar no momento em que você precisar solicitar o resgate ou decidir fazer a portabilidade do seu plano previdenciário para um plano melhor e mais rentável.

Essa taxa é cobrada pelo banco como forma de inibir você de procurar um investimento melhor.

Antes de ser inibido a melhorar sua aplicação, faça contas e veja quanto você “perderá” ao pagar essa taxa de saída. Leve em consideração quanto tempo você levará para recuperar o esse valor em um plano melhor.

Os dois mitos

A princípio acredito que a previdência é interessante por complementar sua renda no futuro. Mas lembre-se, se você pensa em investir por um período de tempo inferior a 10 anos, dificilmente será a melhor aplicação.

Muito investidores mais jovens tem o costume de pensar que, se buscar outras aplicações “mais rentáveis”, pode-se chegar à velhice com um bom volume financeiro e assim viver de juros.

Na realidade atual, esse pensamento é plausível. Mas quem pode garantir que em 2040-2050 o Brasil ainda terá juros estratosféricos capazes de manter o seu custo de vida? Já parou para pensar nisso?

É importante que você tenha outros investimentos com essa finalidade. Em geral, as pessoas buscam investimentos que deem uma renda residual lá na velhice.

Agora, se a previdência privada nos dá exatamente isso, então porquê julgar ela um investimento ruim?

Já entendemos o porque ela é vista com maus olhos por grande parte dos investidores na primeira parte desse artigo. Então percebemos que se buscarmos bons fundos previdenciários, com taxas de administração aceitáveis e coerentes com o resultado apresentado pela gestão, por que não alocar esse investimento em nossa carteira?

É válido ressaltar que a previdência privada vale a pena, apenas como investimento de longo prazo. Vamos explicar o porquê logo a seguir, mas antes de entrar na questão vamos entender as diferentes possibilidades dos planos previdenciários.

Entendendo a previdência privada

Muita gente não entende sobre os diferentes tipos de previdência privada. Por isso, é natural que surjam dúvidas e desconfianças sobre o investimento.

Por isso, vamos entender os diferentes tipos de tributação (progressiva e regressiva). Além disso, abordaremos os diferentes tipos de planos previdenciários (PGBL e VGBL).

Tabela progressiva

A tabela de tributação progressiva progride de acordo com a faixa salarial do investidor. Ou seja, quanto maior o ganho anual do investidor, maior o imposto de renda a ser pago.

Por isso é recomendável que o investidor opte por esse plano caso ele tenha uma renda anual de até R$ 33.477,72.

Tabela progressiva da previdência privada
Fonte: Valor Investe

Tabela regressiva

A tabela de tributação regressiva regride a alíquota do Imposto de Renda conforme o tempo de duração do plano.

Nesse modelo de tributação, o IR é de 35% nos primeiros dois anos. É reduzido em 5% a cada dois anos de acordo com a tabela a seguir:

Tabela regressiva da previdência privada

Fonte: Valor Investe

Vale ressaltar que o IR é pago apenas no momento do resgate.

VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre

O VGBL é o plano previdenciário mais comum e mais recomendado. Ele é recomendável para todos os investidores que fazem a declaração de Imposto de Renda Simplificada. Por isso é recomendado em maior escala.

O VGBL é o plano previdenciário que tributa apenas os juros obtido no período.

Vamos ao primeiro exemplo prático:

O João contratou uma previdência privada do tipo VGBL cuja tabela tributária é regressiva. O João acumulou R$ 100 mil ao longo de 10 anos. Porém os aportes somaram R$ 80 mil e os outros R$ 20 mil são referentes aos juros que obteve no período. Nesse caso, o tributo será de 10% (de acordo com a tabela regressiva) sobre os juros do período (conforme plano VGBL). Portanto, o IR pago nesse caso é de apenas R$ 2 mil. Nesse caso, o João resgata R$ 98 mil de seu plano previdenciário.

R$ 20 mil * 10% (alíquota de IR) = 2 mil

R$ 100 mil – 2 mil = 98 mil (resgate líquido)

PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre

O PBGL é um plano previdenciário que te dá um benefício fiscal ao declarar o Imposto de Renda. Mas esse benefício é concedido apenas a quem faz a declaração de Imposto de Renda Completa.

Na prática, ao fazer uma previdência privada do tipo PGBL, você poderá reverter até 12% do valor que você pagaria de tributo ao governo direto para a sua previdência privada. Ao longo do tempo, essa acumulação extra pode ser muito interessante.

Porém o contragolpe do Leão vem ao solicitar o resgate ou usufruir do benefício previdenciário. Nessa ocasião, você será tributado sobre o montante total acumulado no seu plano previdenciário.

Isso não será um problema se você acumulou os recursos da maneira correta (deduzindo os 12% do IR). Afinal de contas, esse dinheiro iria para o Governo de qualquer jeito.

O problema é quando você aporta o dinheiro do seu bolso nesse plano, sem deduzir Imposto de Renda…. aí meu amigo, a facada realmente é dolorosa.

Vamos ao segundo exemplo prático:

O João dessa vez acumulou R$ 100 mil no seu PGBL e após 10 anos ele optou por resgatar seus recursos. O seu regime tributário é regressivo. Portanto, João irá resgatar R$ 100 mil menos 10% de tributos que serão cobrados sobre o montante acumulado (por ser PGBL). Ou seja, o resgate líquido fica em R$ 90 mil.

100 mil * 10% (alíquota de IR) = 10 mil.

100 mil – 10 mil (IR) = 90 mil (resgate líquido)

Outra situação

Agora vamos supor que o João contratou um Plano Previdenciário PGBL, cuja tabela tributária é Progressiva. Porém o João ganha mais de R$ 55.500 por ano (vide alíquota na tabela progressiva).

Nesse exemplo, temos um grande problema. O João teve a infelicidade de investir através do auxílio de um mau profissional e foi induzido a fazer um plano PGBL de tabela progressiva, mesmo estando na alíquota de IR mais alta (27,5%).

E ainda podemos ter um agravante: o João faz a declaração de IR simplificada. Ou seja, ele não gozará do principal benefício do PGBL que é a reversão dos 12% para a sua querida previdência. Vamos ver como ficaria o Imposto de Renda do João depois dos mesmos 10 anos acumulando dinheiro em sua previdência privada:

R$ 100.000,00 * 27,5% (Alíquota de IR) = R$ 27.500

R$ 100 mil – 27,5 mil = R$ 72.500,00 (Resgate líquido)

Observe que, ao fazer o resgate, a sangria será absurdamente alta. Mas isso não é culpa da previdência privada, e sim do profissional desqualificado da assessoria.

Temos aqui 3 exemplos práticos, onde o valor de imposto pago foi de R$ 2 mil para R$ 27.500 exatamente com o mesmo valor aplicado, o resgate líquido variou apenas com a escolha do plano e da tabela de tributação.

Entendendo o seu caso específico

A previdência privada vale a pena principalmente:

1. Para quem investe pensando em longo prazo (acima de 10 anos)

Para o investidor que tem como objetivo investir por prazos muito longos, 10 anos ou mais, um bom plano previdenciário vale muito a pena. Optando pela tabela de tributação regressiva, após 10 anos teremos uma alíquota de Imposto de Renda de 10% sobre o lucro, ou sobre o principal a depender se o Plano Previdenciário é VGBL ou PGBL conforme já dito anteriormente.

Esse investimento é bom tanto para quem pensa em usufruir do benefício previdenciário quanto para quem pensa em efetuar um resgate integral após o período.

2. Para investidores que têm condições de acumular dinheiro, mas não conseguem juntar

A previdência privada vale a pena também para pessoas que não possuem disciplina e têm dificuldades em juntar dinheiro.

A previdência privada pode ser feita como uma poupança forçada, com débito em conta. Assim, o investidor acaba sendo forçado a acumular recursos.

3. Para profissionais que fazem a declaração de Imposto de Renda Completa

A previdência privada vale muito a pena para quem faz a declaração de IR completa. A depender do valor acumulado, você pode reverter até 12% do pagamento do tributo que iria para o governo, para benefício próprio, acumulando na previdência privada.

4. Para pessoas que ganham até R$ 2.826,65 por mês ou R$ 33.919,80 por ano

A previdência privada vale a pena para as pessoas que se enquadram na folha salarial descrita acima, vale a pena fazer uma previdência privada do tipo VGBL (onde o IR cobrado é apenas sobre o lucro) e com o sistema de tributação Progressivo.

O sistema de tributação Progressivo isenta completamente o Imposto de Renda de pessoas cuja renda salarial é limitada em até R$ 22.847,88 por ano, ou R$ 1.903,99 por mês. Além disso, tributa em apenas 7,5% os investidores cuja renda salarial é de até R$ 2.826,65, fazendo desse plano a menor tributação de Imposto de Renda do mundo dos investimentos.

5 – Para profissionais liberais, autônomos e pessoas cujo custo de vida supera o teto do INSS

A previdência privada é super recomendada para profissionais liberais e autônomos. Sabemos que esse profissional raramente contribui para o INSS, mas geralmente o custo de vida supera o teto do benefício oferecido pelo INSS (R$ 6.433,57).

Portanto, é válido que esse profissional aloque parte de seus recursos em uma boa previdência privada e complemente a renda além do INSS.

Outro benefício é a isenção do come-cotas, famoso modelo de tributação criado pelo Governo para tributar os fundos de investimentos em geral, por serem aplicações de tempo indeterminado.

Para saber mais sobre a aplicação, converse com um assessor de investimento preenchendo o formulário abaixo.