Previdência privada: vale a pena ou é uma ilusão?

Com as recentes alterações no cenário político e econômico brasileiro alguns preconceitos terão que cair. Você está pronto?

Fabian Fávero
Eu Quero InvestirColaborador do
Previdência Privada

Crédito: @Freepik / Freepik

Algumas pessoas realmente acreditavam que, passados 30 anos (no mínimo) de suas vidas, o governo lhes garantiria uma mesada justa por todo esforço desprendido ao decorrer de suas vidas. Não se desespere. Ele ainda vai. Entretanto, a reforma da previdência adiou o sonho de alguns e diminuiu o valor deste benefício de outros. Fazendo com que muitos busquem a previdência privada.

Acima de tudo, não estamos aqui para julgar o mérito de tal medida. Ela foi necessária. O planejamento de um país muito se assemelha ao de uma família. Não podemos gastar mais do que arrecadamos sem prejudicar áreas essenciais e principalmente, o futuro.

Por isso, muitos dos que foram atingidos pela reforma estão absorvendo apenas agora a mudança e se questionando: por que não se planejaram antes?

A previdência privada é uma alternativa?

No mundo dos investimentos há uma ferramenta essencial para aqueles que pensam na hora em que deixarão de trabalhar: a previdência privada. Por outro lado, criamos um estigma com o decorrer do tempo que este era mais um produto bancário que nos empurravam e devíamos recusar.  Porém, quando bem utilizada, ela é sim uma boa forma de acumular capital pensando no futuro e com alguns benefícios pontuais.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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As previdências privadas são fundos responsáveis por gerir os recursos de seus segurados e ajuda-los a poupar. O objetivo é o longo prazo. Existem duas classificações: os abertos e fechados. Os abertos são aqueles oferecidos por seguradoras e bancos e estão disponíveis para qualquer pessoa. Já os fechados são aqueles oferecidos por empresas privadas aos seus funcionários, sendo a contribuição normalmente descontada diretamente na folha de pagamento.

Ainda, existem dois tipos de previdência privada: o PGBL e o VGBL. O primeiro é uma forma interessante de que, no fim do ano, você consiga abater as aplicações neste fundo na declaração anual completa do Imposto de Renda. Já o VGBL não possui este benefício, porém é indicado para aqueles que fazem a declaração simples do Imposto de Renda.

Quanto a tributação, também existem duas as formas. Existe a tabela progressiva, variável entre 7,5% e 27,5% dependendo da retirada mensal. Há também a tabela regressiva, que se inicia em 35% e chega até 10% após o valor estar aplicado por 10 anos. Cada tributação e cada tipo de previdência deve ser analisada conforme o perfil do investidor, desde suas contribuições, rendas mensais e declaração de Imposto de Renda.

Por que escolhê-los?

Estes fundos previdenciários possuem alguns benefícios bem interessantes aos investidores. É possível atrelar as aplicações mensais a uma conta bancária. Desta forma, ocorre o débito em conta, fazendo com que o investidor crie a disciplina necessária de poupar pensando no futuro.

Havendo o débito, se exclui também taxas de transferências normalmente cobradas por bancos. Os investimentos ainda são livres do imposto “come cotas”,uma taxa cobrada todos os meses de maio e novembro como antecipação do Imposto de Renda devido em todos os outros fundos de investimentos.

Sabendo disso, vale relembrar que os fundos permitem cadastrar beneficiários para recebê-lo em casos de força maior. Falecendo o titular do plano, aquele que foi indicado tem acesso ao valor sem necessidade de inventário. Em outras palavras, ainda é permitido ao investidor que mude de fundo sem perder a contagem de tempo decorrida até a data ou que pague imposto de renda.

Ou seja:

Na hora de pensar na sua aposentadoria e começar um fundo de previdência privada alguns pontos precisam ser observados. Busque aqueles planos que não cobram taxa de carregamento de entrada e saída. Quanto a taxa de administração, ela não deve ser superior a 1% ao ano, afinal isso influencia na sua rentabilidade a longo prazo. São várias as opções de fundos de previdência, então busque um assessor de investimentos para lhe auxiliar, afinal você não quer alguém que só lhe procure quando for começar a investir, e sim que acompanhe os rendimentos e fique atento a novas oportunidades!

Durante uma palestra com o gestor de uma das maiores administradoras de fundos previdenciários do Brasil nos foi passado um aviso: a reforma da previdência, hoje em tramitação, não é a última a ocorrer. Por exemplo, as idades mínimas. Hoje foram alteradas para 62 e 65 anos para mulheres e homens, respectivamente. Pasmem, elas não permanecerão assim para sempre. Com o passar do tempo, elas tendem ainda a serem aumentadas. Em outras palavras, mais tempo de contribuição para receber menos!

Com as recentes alterações no cenário econômico e as que ainda estão por vir, lembre-se que não somos mais crianças e o governo não é nosso pai.

Para concluir, comece a se planejar! Quando você decidir se aposentar agradecerá por, hoje ter dado o primeiro passo.