Qual é o melhor plano de previdência privada? PGBL ou VGBL?

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Como escolher o plano de previdência privada

Depois da aprovação da reforma da Previdência Social, no final do ano passado, a procura por planos de previdência privada aumentou.

No entanto, quem já pesquisou ou mesmo leu algo a respeito com certeza já se deparou com duas siglas que causam muitas dúvidas nesse tipo de investimento: PGBL e VGBL.

Elas significam, na verdade, as duas modalidades possíveis de contratação de um plano de previdência privada.

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PGBL significa “Plano Gerador de Benefício Livre” e é classificado como uma previdência complementar.

VGBL significa “Vida Gerador de Benefício Livre” e sua classificação é de um seguro pessoal.

A principal diferença entre os dois está na tributação, uma vez que o PGBL é mais indicado para pessoas que entregam a declaração completa do Imposto de Renda e o VGBL é mais indicado para quem entrega a declaração simplificada.

Contudo, ambos são regulados pelo mesmo órgão, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), e podem ser contratados nas mesmas instituições.

Se você está em dúvida sobre qual desses planos é melhor, sugerimos continuar a leitura, pois explicaremos em detalhes a diferença entre eles.

O que é previdência privada?

Antes de explorarmos as diferenças entre PGBL e VGBL é importante que você saiba o que é um plano de previdência privada, também conhecido como “previdência complementar”.

Saiba mais sobre previdência privada

A escolha da tributação tem que levar em conta o prazo e a forma de declaração do IR

Trata-se de um tipo de investimento em que você acumula um patrimônio durante algum tempo – normalmente por um longo prazo – para ter acesso a esse dinheiro em um momento oportuno.

Basicamente, a previdência privada é dividida em duas fases: a de acumulação e a do benefício.

Em geral, na primeira fase, a de acumulação, as pessoas ainda estão na etapa produtiva de suas vidas. Por esse motivo, quem opta por um plano de previdência privada geralmente retira um percentual de sua renda mensal para essa aplicação.

O valor a ser aplicado mensalmente varia. Você poderá definir quanto de sua renda deseja dedicar à sua aposentadoria no momento da contratação. Em regra, as pessoas preferem separar entre 10% a 12% daquilo que ganham por mês. Alguns planos exigem valor mínimo mensal.

E o que acontece com esse dinheiro, você deve estar se perguntando.

Aplicações

Durante toda a fase de acumulação, a seguradora responsável por sua previdência privada aplica os valores recebidos de seus clientes nos mais diversos tipos de investimentos.

Isso envolve aplicações em renda fixa e renda variável, tais como ações, fundos de investimentos e muitos outros, inclusive investimentos no exterior.

Nessa parte, a previdência se parece bastante com os fundos de pensão.

No entanto, os fundos de pensão são planos de previdência fechados, oferecidos apenas para os funcionários de determinadas empresas.

Já a previdência privada é um plano de previdência aberto, ou seja, acessível a todas as pessoas que se interessam por esse tipo de investimento e podem ser contratados em instituições financeiras.

Saiba mais sobre previdência privada

Em geral, os depósitos em planos de previdência são na fase produtiva da vida

 

Resgate

Por fim, precisamos falar sobre a fase mais importante de uma previdência privada: a de benefício. Afinal, após investir por anos, o que você quer realmente é aproveitar o dinheiro que acumulou.

No plano de previdência privada, você pode escolher entre duas formas de recebimento do benefício.

A primeira delas é sacar o valor total do patrimônio acumulado de uma só vez.

Essa alternativa é interessante para aquelas pessoas que querem realizar algum sonho como, por exemplo, comprar uma casa. Outra opção interessante seria reinvestir esse dinheiro em alguma aplicação que renda juros mensais para gerar uma renda extra.

A outra forma de recebimento do benefício é receber em parcelas mensais que, a depender do que for estipulado em contrato, pode acabar se tornando uma renda vitalícia ou com prazo determinado.

Para fins de aposentadoria, receber o benefício mensalmente é uma boa alternativa. Principalmente se você recebe na ativa um salário superior ao teto da Previdência Social (algo próximo a R$ 6 mil) e deseja manter o padrão de vida após se aposentar pelo INSS.

 

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Valores aplicados mensalmente podem complementar aposentadoria do INSS

Beneficiários

O saque total ou recebimentos mensais, de forma vitálicia ou por tempo determinado, constam no regulamento de cada plano, assim como as regras em caso de morte do titular.

Se o contratante estava na fase de acumulação, o beneficiário ou os beneficiários indicados por ele receberão o valor acumulado.

Se já estava na fase de recebimento, os valores podem ser revertidos aos beneficiários caso a opção tenha sido por parcelas por período garantido.

No caso de recebimento vitálicio e em alguns casos de recebimento temporário, com a morte, os pagamentos cessam e nenhum beneficiário tem direito aos valores.

Quais as diferenças entre PGBL e VGBL?

A principal diferença entre eles está na verdade associada à escolha da forma de tributação do imposto de renda. Pode-se optar pela tabela progressiva ou a regressiva. Em geral, o PGBL utiliza a tabela progressiva e o VGBL usa a tabela regressiva. Essa opção é feita na contratação.

Em linhas gerais, pela tabela progressiva, é possivel fazer abatimentos no imposto de renda ao longo da fase de acumulação. Porém, no resgate, o IR é cobrado sobre o saldo total do plano.

Na tabela regressiva, não é possível fazer abatimentos e o desconto do IR é feito no resgate apenas sobre os rendimentos.

Mas, para que você não tenha nenhuma dúvida, vamos explicar melhor.

PGBL

A principal vantagem do PGBL é permitir que você pague menos imposto de renda durante a fase de acumulação.

Isso acontece porque o PGBL tem como a sua principal característica a possibilidade de deduzir até 12% sobre a sua base de cálculo do IR.

Por esse motivo, é indicado para as pessoas que entregam a declaração completa do imposto de renda e que possuem a intenção de investir até 12% de sua renda anual em previdência privada.

E esse abatimento da base de cálculo se torna interessante, pois, quanto menor o IR a ser pago, maior será o valor que sobra de sua receita para investir.

Apesar desse benefício fiscal, um dos maiores problemas do PGBL é no momento em que você recebe o seu benefício, pois o imposto de renda será cobrado sobre todo o patrimônio acumulado.

Previdência Privada progressiva ou regressiva

Recursos depositados são investidos pelo administrador do plano em aplicações diversas

VGBL

O VGBL é classificado como um tipo de seguro pessoal, logo a forma como o imposto de renda se aplica sobre ele é diferente do que acontece no PGBL.

Nessa modalidade, o IR incide no momento do resgate e apenas sobre o valor do rendimento da aplicação e não sobre o patrimônio como um todo.

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Não é possível fazer deduções no imposto de renda, como acontece no PGBL. Por esse motivo, o VGBL é indicado para as pessoas que entregam a declaração resumida do IR.

Se quiser ler mais sobre as duas tabelas, clique aqui.

Também é importante lembrar que uma pessoa pode contratar, simultaneamente, um plano de previdência privada PGBL e outro VGBL.

Não existe nada na legislação que proíba isso, contudo a decisão precisa ser analisada com cautela para avaliar em que situações vale a pena.

Vantagens e desvantagens da previdência privada

Agora que você já conhece as diferenças entre PGBL e VGBL, voltaremos a nossa atenção para outro ponto muito importante quando o assunto é a previdência privada: suas vantagens e desvantagens.

Se você já contribui para a Previdência Social (INSS), pode se perguntar em algum momento se vale realmente a pena investir em uma previdência complementar.

Bem, o que podemos afirmar é que, na velhice, todo o dinheiro que você puder receber será extremamente necessário, pois o custo de vida aumenta consideravelmente nessa fase, principalmente no que diz respeito aos gastos com saúde.

Saiba mais sobre previdência privada

Taxas de administração e de carregamento podem reduzir rendimento dos planos

Hoje, a aposentadoria pela Previdência Social possui um limite, ou seja, um teto de pagamento, algo em torno de R$ 6 mil. E poucas pessoas conseguem atingir essa faixa.

Nesse sentido, uma das principais vantagens de se contratar uma previdência privada é a possibilidade de ter uma renda adicional na  aposentadoria.

Além disso, diferentemente da Previdência Social, a previdência privada permite que você saque o seu patrimônio e os respectivos juros a qualquer momento, ou seja, você não precisa esperar até a aposentadoria para utilizar esse dinheiro.

Os planos possibilitam também fazer resgates parciais ao longo do tempo, mas tem que ser respeitado o intervalo de 60 dias entre um e outro.

Entretanto, nesse saque antecipado, você pode amargar algumas perdas com a tributação, sobretudo no caso do VGBL, que tem alíquotas maiores para saques nos primeiros anos de aplicação.

Outro ponto a prestar atenção são os custos desses investimentos. A maior parte dos grandes bancos cobram taxa de carregamento a cada aporte ou resgate feito e todos cobram taxas de administração. Desta forma, dependendo dos valores, estas taxas podem abocanhar grande parte do rendimento.

Então, antes de contratar, questione a sua instituição sobre as taxas cobradas.

Previdência Social

É importante você saber que mesmo possuindo um plano de previdência privada, o ideal é continuar a contribuir com a previdência social.

Isso porque os planos de previdência privada não oferecem alguns benefícios previdenciários, tais como o auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez, a pensão por porte, o salário-maternidade, dentre outros, restritos aos contribuintes do INSS.

Contudo, alguns planos de previdência privada podem oferecer coberturas de risco, isto é, uma espécie de “seguro” que visa proteger o cliente e seus familiares em algumas situações.

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Nesse caso, é pago um pecúlio ao titular em caso de invalidez ou a seus familiares em caso de morte.

Alguns planos também preveem o pagamento de pensão por morte ou renda por invalidez, mas não contam, por exemplo, com o auxílio-doença e o salário maternidade.

É claro que as pessoas que trabalham no mercado formal e têm a sua carteira assinada já contribuem para o INSS automaticamente e não precisam se preocupar com isso.

No entanto, se você é autônomo ou exerce atividade sem vínculo empregatício, além de investir em previdência privada, deve considerar contribuir com a Previdência Social.

Saiba mais sobre previdência privada

É importante manter as contribuições à previdência oficial, que oferece benefícios adicionais

PGBL ou VGBL: qual escolher?

Como você viu até aqui, investir em previdência privada pode ser uma boa se você tem planos de longo prazo ou se pretende guardar dinheiro para a sua aposentadoria.

A escolha entre PGBL e VGBL dependerá exclusivamente do seu perfil, pois, conforme visto anteriormente, o PGBL é indicado se você entrega a declaração completa do imposto de renda, já o VGBL é indicado para quem entrega a declaração simplificada.

Logicamente, a forma de entrega da declaração do IR não impede de se optar por um ou por outro. Mas você deve levar em consideração que escolher um plano diferente do recomendado pode acabar acarretando perdas com o pagamento de impostos além do necessário.

 

Saiba mais sobre previdência privada

A escolha da previdência privada exige estudo e atenção aos detalhes

 

Se você tem a perspectiva de investir por longo prazo, mais de 10 anos, é mais interessante o VGBL, porque a tributação vai caindo ao longo do tempo. Para prazos mais curtos, o PGBL é o mais indicado.

Conversar com um assessor de investimentos é importante nessas horas, pois esse profissional está sempre atualizado com as últimas tendências do mercado financeiro e poderá indicar produtos que atendam ao seu objetivo.

Enfim, pesquise sempre, estude o assunto e se mantenha informado para obter o máximo que os seus investimentos podem lhe render. Seu bolso e sua aposentadoria agradecem.

(Texto original Késia Rodrigues)