Previdência privada: mesmo no longo prazo, investidor segue conservador

Ronaldo Araújo
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Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

A previdência do sistema oficial no Brasil apresenta vários entraves para que se tenha uma aposentadoria tranquila. Somado a isso a tradição conservadora nos investimentos, o histórico de juros elevados, mercado financeiro não tão acessível, e pouca previsibilidade do futuro por conta de uma memória inflacionária, forma-se o cenário perfeito para o desenvolvimento do mercado de previdência privada no país.

Neste artigo ,você verá com profundos detalhes do que se trata esse tipo de investimento. Ao ler o texto, você conhecerá os principais tipos de fundos previdenciários. Além disso, saberá qual é a diferença entre previdências abertas e fechadas. Por fim, descobrirá as grandes vantagens de investir em um plano de previdência privada.

O que está esperando? Leia agora mesmo!

O que é previdência privada?

Muito se fala no termo previdência privada mas nem todos têm grande clareza sobre o que de fato ela é, como funciona ou ainda quais são seus tipos. Nesse sentido, podemos dizer que se trata de uma modalidade de investimento com foco no médio e no longo prazo. Isso porque ela visa complementar a renda de quem se aposenta por meio da previdência pública.

Aliás, é exatamente por esse motivo que a previdência privada também é chamada de previdência complementar. Até mesmo por conta da recente reforma que o sistema de aposentadoria pública passou, a previdência privada tem recebido cada vez mais aportes. Isso indica um número crescente de adeptos que entendem não ser salutar depender apenas do sistema público, ou seja, do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Dados da consultoria Mercer indicam essa realidade. O saldo de novos participantes do sistema privado teve um aumento de mais de 20% entre o segundo semestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2020. Antes, tinha-se um total de 11,2 milhões de investidores. Já agora a pesquisa constatou que o número subiu para 13,5 milhões. Ou seja, houve um salto de mais de 2,3 milhões de pessoas no espaço de apenas um ano.

Qual é a diferença entre previdência aberta e previdência fechada?

Essa é outra dúvida bastante comum quando o assunto é previdência. No entanto, é muito fácil diferenciá-las.

As previdências fechadas são aquelas oferecidas exclusivamente por empresas (públicas ou privadas) e também por associações de classe, como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia CREA. Nesses casos, os planos são voltados apenas aos empregados ou associados. Em outras palavras, não estão disponíveis para o público em geral.

Já as previdências abertas são aquelas ofertadas pelas instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional. Entram no grupo corretoras de investimentos, bancos e gestoras de recurso independentes. Como o próprio nome diz, estão abertas para aquisição de qualquer pessoa que esteja interessada. Basta que o investidor escolha um plano de sua preferência e faça a abertura do investimento para que possa efetuar as contribuições.

Em termos de patrimônio financeiro, as duas modalidades de planos de previdência se igualam. Ambos os tipos de investimento acumulam um valor em torno de R$ 1 trilhão de reais. Os dados são da Associação de Entidades Fechadas de Previdência ABRAPP e da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida FenaPrevi.

O que são fundos previdenciários?

Toda vez que algum investidor faz aportes em um plano de previdência, o dinheiro é direcionado a um determinado fundo de investimento. É por meio desse mecanismo que o recurso pode ser rentabilizado. Como a aplicação em questão se trata de um plano previdenciário, o fundo para o qual o dinheiro é destinado chama-se fundo previdenciário.

Esses veículos de investimentos possuem uma estrutura comum a todos os fundos, mas também apresentam características próprias a depender da classe do fundo em questão.

Em relação ao formato comum a todos os fundos, podemos citar a presença de alguns personagens característicos. O primeiro deles é a administradora do fundo. É ela quem faz o cálculo das cotas e o processamento de aplicações, bem como os resgates. Para isso, uma taxa é cobrada do fundo: é a já bastante conhecida taxa de administração.

Além disso, existe a figura da seguradora. É ela quem faz a custódia de um fundo de previdência e fica responsável pela distribuição de suas cotas. Junto a isso tem-se o gestor do fundo previdenciário, que é responsável pela alocação dos recursos do fundo sempre obedecendo a política de investimentos e as regras segundo a classe do respectivo fundo.

Para quem investe em previdência, é imprescindível saber em qual o tipo de fundo previdenciário seu recurso está sendo aplicado. O mais intrigante de tudo é que a maioria dos investidores não sabe essa informação, nem tampouco qual o rendimento auferido por meio de seu investimento. Isso é preocupante, pois o dinheiro aplicado pode estar sendo mal remunerado sem que um investidor saiba disso.

Quais são as principais classes de fundos de previdência existentes?

De forma a melhorar o entendimento sobre essa modalidade de aplicação, cabe conhecer melhor os fundos previdenciários, suas classes, os tipos de ativos que investem e o risco associado. Com isso, é possível acompanhar o rendimento de uma carteira previdenciária e fazer com que ela seja muito mais rentável ao longo do tempo. Isso é capaz de proporcionar uma aposentadoria de valor considerável.

Entre os principais tipos de fundos previdenciários, se destacam os fundos de renda fixa. A razão disso é o volume de recursos que eles concentram: aproximadamente 83% de toda a indústria. No entanto, esse número tem apresentado declínio pois o registro anterior de doze meses atrás era de 89%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima).

Acompanhe a seguir o detalhamento de cada uma das principais classes existentes de fundos previdenciários.

Fundo previdenciário de renda fixa

Conforme já falado, é a classe de fundo que detém o maior percentual de aplicações no mercado de previdência privada. E não é pouca coisa, chegando quase que a totalidade de todos os recursos da indústria. No entanto, essa fatia vem diminuindo gradativamente à medida que novas alternativas são colocadas à disposição do público. Afinal, investidores têm aumentado o conhecimento a esse respeito.

Essa modalidade de investimento pode se apresentar de duas formas. A primeira delas é representada pelos fundos previdenciários prefixados. Esses fundos aplicam seus recursos em papéis de renda fixa que tem uma rentabilidade previamente conhecida.

Ou seja, no ato de aderência aos títulos já se sabe qual será a rentabilidade auferida no dia do vencimento do papel. Isso é útil para trazer previsibilidade para a aplicação. Por outro lado, tem o incômodo de poder sofrer desvalorização do ganho real caso a inflação suba muito no período de investimento.

O segundo modelo diz respeito aos fundos de renda fixa pós-fixados. Nessa modalidade, a rentabilidade final dos títulos só é conhecida quando ocorre o vencimento dos papéis. Geralmente, o investimento acompanha algum indexador e sua rentabilidade se dá conforme acontecem as oscilações.

Um bom exemplo desse tipo de aplicação são os títulos de renda fixa pós-fixados atrelados à inflação, como os papéis do Tesouro Nacional que a consideram como benchmark. Sua rentabilidade é medida como um percentual que excede o IPCA (IPCA + 5%, por exemplo). Com isso, a rentabilidade total resultante é desconhecida. O que se sabe é que haverá ganho real (acima da inflação) de 5%, independentemente de qual patamar inflacionário for atingido.

Fundo previdenciário multimercado livre

A classe de fundos previdenciários multimercado é a segunda que mais concentra recursos. Segundo a Anbima, todos os multimercados de previdência juntos somam quase 14% da indústria inteira.

Mas nem sempre foi assim. Apenas um ano atrás esse percentual era de pouco mais de 8%. Isso denota um forte movimento dos investidores rumo a rentabilidades melhores do que aquelas oferecidas pela renda fixa.

Talvez a maior predileção por essa classe de fundo apresentada ultimamente se deva ao amplo leque de aplicações possíveis. A um gestor de fundos multimercados previdenciários é permitida a livre alocação dos recursos em diferentes tipos de ativos. As possibilidades vão desde instrumentos de renda fixa (para resguardar alguma rentabilidade) até os instrumentos derivativos usados para hedge, passando pelo mercado de ações.

Tudo isso faz com que exista uma grande variedade de previdências multimercados capazes de agradar diferentes investidores. Pode-se encontrar opções moderadas que apresentam pouca oscilação como também fundos com maior variação em sua cota patrimonial. A escolha da composição da carteira depende dos objetivos de cada um.

Fundo previdenciário balanceado

Essa modalidade de fundo previdenciário é relativamente recente. Ela surgiu com a nova classificação anunciada pela Anbima em novembro de 2019. Devido à evolução do mercado previdenciário, novas categorias foram emitidas como forma de aprimorar essa vertente de investimentos. Tudo isso faz parte de um novo movimento ocasionado pela diminuição da taxa de juros.

Os fundos balanceados existem em outras quatro subdivisões de sua categoria. Elas são divididas em intervalos numéricos. O primeiro deles vai até 15%, o segundo de 15% a 30%, o terceiro de 30% até 49% e o último intervalo fica por conta de ser acima de 49%.

Todas essas porcentagens se referem ao total de recursos alocados em renda variável. Dessa forma, a primeira faixa de fundos balanceados (até 15%) obedece o limite de 15% em renda variável. De forma análoga, todos os outros intervalos seguem o mesmo princípio.

Essa classificação é bastante proveitosa para quem possui uma carteira de fundos previdenciários. Isso porque é possível controlar o risco de uma forma mais eficiente. Esse é um detalhe que muitas pessoas (infelizmente) também não conhecem. O patrimônio em previdência pode (e deve) ser distribuído em diferentes fundos de previdência. Ou seja, não precisam ficar concentrados em apenas um local.

Outra vantagem dos fundos balanceados é poder segmentar as aplicações de acordo com o perfil do investidor. Assim, é possível “provar” um pouco do mercado de risco sem se expor em demasia. Um investidor que tenha tradição em aplicar apenas em renda fixa pode migrar seus recursos pouco a pouco para o mercado de risco começando por um fundo balanceado que apresenta baixa oscilação.

​Quais são as vantagens de investir em previdência privada?

Acompanhe a seguir os principais benefícios da previdência privada:

​Come-cotas

Essa “pegadinha” é uma cobrança semestral de impostos que incide sobre fundos de investimentos. Trata-se de uma antecipação do pagamento de tributos que é descontada na forma de dedução das cotas do investidor. A cada seis meses, portanto, o número de cotas decai a título de pagamento de impostos.

No entanto, isso não ocorre em fundos previdenciários. Assim, isso acaba sendo uma enorme vantagem desse tipo de investimento. A razão para isso é que o pagamento de tributos em previdência privada se dá apenas no momento do resgate do valor investido. Em outras palavras, isso permite que o recurso aplicado possa render mais ao longo dos anos. Nenhum percentual é descontado antecipadamente na forma de impostos.

​Liquidez

Muita gente imagina que investir em previdência privada significa ficar com o dinheiro obrigatoriamente “preso”. Poucas ideias estão tão erradas como essa e isso acaba afastando investidores.

Na verdade, os resgates de uma aplicação desse tipo devem ocorrer no prazo máximo de três dias. Em comparação com a maioria dos fundos de investimentos com prazo de até trinta dias, esse é um período muito razoável, com dez vezes mais liquidez. O único ponto de atenção fica por conta do prazo de carência entre um resgate e outro. É preciso respeitar o período mínimo de 60 dias.

​Débito automático

Em fundos de investimento tradicionais, o titular é obrigado e fazer seus aportes de forma manual. Ou seja, caso deseje aplicar mais dinheiro em um fundo do qual já é cotista, deve fazer os procedimentos junto à sua instituição financeira para movimentar o dinheiro para dentro do fundo.

Já na previdência privada existe a possibilidade de fazer uma programação prévia de uma determinada quantia de dinheiro. Assim, a pessoa realiza a aplicação de forma automática, via débito de uma conta bancária.

Isso é especialmente útil para quem tem dificuldades em investir parte dos seus recebimentos mensais. Também é uma boa opção  para quem não tem a memória lá muito boa.

​Tributação

Na previdência privada, existe uma possibilidade de escolha que praticamente não se vê em outras áreas da vida: optar pelo formato de cobrança do imposto de renda incidente. Em qualquer outro investimento ou tributo que se pague no Brasil, a incidência se dá de forma compulsória. Ninguém escolhe a alíquota de IPI que quer pagar, por exemplo.

Contudo, em investimentos previdenciários é possível escolher entre duas modalidades de pagamento de imposto de renda: estamos falando da tributação progressiva e do modelo regressivo. A primeira opção é indicada para quem ganha acima de R$ 150 mil por ano, pois é possível deduzir da base de cálculo mais dinheiro do que usando o modelo simplificado de declaração do IR. Quem planeja realizar saques futuros abaixo da faixa de isenção da tabela de IR da Receita Federal também pode se beneficiar desse modelo.

Já a segunda opção (a tabela regressiva) ajuda quem pretende fazer o investimento em previdência a longo prazo. Isso porque a alíquota regride com o passar do tempo, alcançando incríveis 10% de tributação após decorridos 10 anos. Considerando o Brasil, pode-se dizer que é uma carga de imposto baixo (ou pelo menos abaixo da média).

​Sucessão patrimonial

Outra grande vantagem da previdência privada é que ela pode ser usada como instrumento de sucessão patrimonial. De fato, é a opção mais eficiente (e econômica) para essa tarefa e a grande razão para isso é que planos de previdência não passam por inventário. Sim, isso mesmo que você leu!

Apenas quem já passou por um processo de inventário sabe a burocracia enfrentada. No meio jurídico, é sabido que um processo desses leva em torno de um ano quando é resolvido sem problemas. Qualquer enrosco pode fazer com que o tempo seja bem maior. Além disso, os custos envolvidos são capazes de dilapidar em até 20% o patrimônio deixado aos herdeiros.

Tudo isso é evitado quando a previdência é escolhida como forma de transmitir recursos aos beneficiários. Não há processo judicial de inventário e o melhor de tudo: o acesso ao dinheiro se dá de forma quase instantânea. Basta apresentar a documentação junto à instituição financeira que detém o recurso. Isso é especialmente útil para que os parentes que ficaram não passem necessidade, pois a situação pode ficar bastante ruim em caso de bloqueio dos bens do falecido.

​Benefício fiscal

Quem é titular de um plano de previdência privada pode se valer de suas vantagens para obter benefícios fiscais. Isso pode ocorrer tanto para optantes da tabela regressiva de pagamento de imposto de renda quanto para quem escolhe a modalidade PGBL.

No primeiro caso, é possível alcançar uma alíquota de imposto de renda de apenas 10%. Nenhum outro investimento apresenta uma taxa tão baixa. O mínimo que se consegue após esse valor são os 15% pagos normalmente em um fundo de investimento não previdenciário.

Já para quem opta por planos do tipo PGBL, existe a possibilidade de destinar até 12% de sua renda para previdências desse tipo. Isso faz com que a base de cálculo do imposto de renda junto à Receita Federal diminua e, com isso, a carga tributária a ser paga também é reduzida. Mas antes de fazer essa opção é necessário fazer contas para verificar se o modelo de declaração simplificada é mais vantajoso ou não.

​Portabilidade

Esse mecanismo é um dos apetrechos que faz com que a previdência privada seja tão sofisticada. A máxima de que “girar patrimonio enriquece intermediário” não tem efeito aqui, pois é possível fazer a movimentação de recursos sem gastar nenhum centavo investido. E isso só é permitido a investimentos em previdência.

Ocorre que qualquer investidor pode alternar entre os fundos de previdência no qual mantém aplicações. Ou seja, caso haja insatisfação com baixas rentabilidades ou com altas taxas, é possível simplesmente mudar. E essa mudança pode ser feita entre fundos de uma mesma instituição ou até entre instituições financeiras diferentes.

Tudo isso acontece sem que haja perda de capital, conforme já falado. No entanto, não é só o dinheiro que é preservado: o tempo de contribuição que conta para abaixar a alíquota do imposto na tabela regressiva também é mantido. Com isso, sempre que o investidor quiser movimentar o seu recurso não precisará se preocupar com perdas de patrimônio ou de benefícios fiscais.

A previdência privada é um dos instrumentos financeiros mais requintados disponíveis no mercado. Infelizmente pouca gente sabe disso, apesar do volume financeiro ser enorme nessa modalidade. Para você que conhece melhor o investimento agora, cabe fazer suas ponderações e aproveitar esse enorme mar de vantagens que é a previdência do sistema financeiro privado de capitais.