Prévia do PIB, varejo, Oi (OIBR4), BRF (BRFS3) e Fed agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A semana seguinte à vitória do democrata Joe Biden nas eleições dos EUA, que mexeram com os mercados globais, terá indicadores e anúncios de peso — entre os quais prévias do PIB e da inflação, além de dados sobre vendas no varejo.

A prévia do PIB sairá com a divulgação, pelo Banco Central, do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

As vendas no varejo serão divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

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A corrida eleitoral americana refletiu nas bolsas do mundo todo e provocou otimismo. Os mercados  registraram ganhos com perspectivas do novo governo.

O Ibovespa seguiu a tendência de alta — mas os números da economia do Brasil continuam no radar dos investidores, preocupados com a elevação inflacionária e a recuperação da atividade econômica.

No setor corporativo, a safra de balanços terá ao menos 70 resultados de empresas como Oi (OIBR4), BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Via Varejo (VVAR3),  BTG Pactual  (BPCA11) e BR Distribuidora (BRDT3).

Dirigentes do Federal Reserve farão pronunciamentos importantes, nos dias posteriores ao anúncio do triunfo Biden — num momento de apreensão sobre os números da retomada da economia do país, em meio à divulgação de alta de casos de Covid-19 nos EUA.

Bolsa: a semana após dias de ganhos, acima dos 100 mil pontos

As eleições americanas deram impulso e geraram euforia nos mercados globais, com o entendimento de que, com Biden na presidência, há a possibilidade de, em resumo, um pacote de estímulo à economia ser finalmente aprovado.

Alinhado com a empolgação no exterior, o Ibovespa fechou a semana com números positivos.

A bolsa encerrou a sexta-feira (6) na estabilidade, com mais 0,17%, a 100.925,11 pontos.

Mas a alta nos três dias anteriores (segunda-feira teve feriado e o mercado não funcionou) garantiram o maior ganho semanal desde junho, com ganhos de 7,42%.

De 1º a 5 de junho, a bolsa avançou 8,28%.

Novembro acumula ganhos acumulados de 7,42%. No ano, as perdas somadas chegam a 12,73%.

O dólar fechou a sexta em queda. A moeda norte-americana caiu 2,74%, indo a R$ 5,3937, e fechou a semana com queda de 6,10%.

A semana começa com o mercado de olho na repercussão do pleito americano, e a poucos dias das eleições municipais no Brasil — que deve manter indefinições sobre reformas e o orçamento do governo federal para 2021.

Mercados globais

Nova York teve os seguintes números na semana passada: o S&P subiu 7,31%, o Nasdaq teve alta de 9,01% e Dow Jones ganhou 6,87%.

O Euro Stoxx 50 recuou 0,36% hoje (na semana, ganhou 8,31%). O FTSE 100, de Londres, se manteve no positivo, com 0,07% (na semana, mais 5,97%).

O DAX alemão caiu hoje 0,70%, mas na semana ganhou 7,99%. O CAC 40 francês desceu 0,46% (na semana, mais 7,98%).

O FTSE MIB, de Milão, perdeu hoje 0,25%, mas subiu 9,69% na semana. E o IBEX 35 espanhol, que caiu 0,78%, avançou 6,48% na semana.

O mesmo movimento se viu nas bolsas da China e no Nikkei (5,87% na semana).

As ainda elevadas taxas de contaminação pelo novo coronavírus — nos EUA e Europa, que tem algumas de suas principais capitais em lockdowns — preocupam o mundo e os mercados.

A notícia de uma vacina contra o vírus, algumas em fases finais de desenvolvimento mas sem conclusão de testes, continua como ponto de atenção.

Prévia do PIB

Um dos indicadores aguardados na semana sai na sexta (13).

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), tido como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), será divulgado pelo Banco Central e pode apontar sinais de melhora ou não dos rumos da economia do país.

O indicador anunciado pelo BC será o de setembro.

(IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 1,06% em agosto, ante 2,15% de julho e 4,89% de junho.

O resultado veio abaixo da mediana de 1,70% aguardada pelo mercado. Ainda assim, marca a quarta recuperação seguida.

Na comparação com agosto de 2019, o indicador caiu 3,92%. No ano, o acumulado é de queda de 5,44%. Em 12 meses, queda de 3,09%.

No trimestre até agosto, o IBC-Br acumula 5,94% de alta, na comparação com o trimestre anterior.

Projeções

Na análise do BTG Pactual, divulgada em outubro, a projeção era de aumento de 1,7% na comparação com o mês anterior. Já na comparação anual, a expectativa era de queda de 4,6%.

O resultado ficou aquém das expectativas do banco, mesmo com o forte avanço de todos os setores em agosto – serviços teve crescimento de 2,9%; vendas no varejo, de 3,4%; e indústria, de 3,2%.

“Os resultados dos setores tendem a desacelerar. Para os próximos meses, ainda há muita incerteza, principalmente pela cautela dos consumidores, pelo cenário desafiador no mercado de trabalho e pela proximidade do fim do auxílio emergencial”, avaliam os economistas Álvaro Frasson e Luiza Paparounis.

Para setembro, a estimativa do mercado é de alta de 1,06%.

O banco suíço UBS prevê alta de 1,2% no comparativo mensal ou queda de 1% no comparativo anual.

“Esperamos queda de 4,5% para 2020 contra consenso de -4,8%”, diz relatório da UBS.

Vendas no varejo

A agenda da semana inclui também o anúncio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) sobre vendas no varejo. Os dados são do mês de setembro e saem na quarta (11).

O volume de vendas do varejo brasileiro teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto deste ano.

Foi a quarta alta consecutiva do indicador no ano. Os maiores recuos foram de 2,4% em março e de 16,7% em abril.

Conforme a instituição, o indicador alcançou o maior patamar da série histórica da PMC, iniciada em 2000. O indicador estava 2,6% acima do recorde anterior, em outubro de 2014.

Na comparação com agosto de 2019, o comércio cresceu 6,1%, terceiro resultado positivo consecutivo. No acumulado do ano, o setor registrou menor ritmo de queda (-0,9%).

Nos últimos 12 meses, até agosto, acumulou crescimento de 0,5%, após três meses de estabilidade.

“O varejo em abril teve o pior momento, com o indicador se situando 18,7% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos.

“Esses números foram sendo rebatidos nos meses seguintes, até que em agosto o setor ficou 8,2% acima de fevereiro”.

A UBS projeta alta de 6,5% no comparativo anual), de 1% nos últimos doze meses e o 5ª avanço mensal consecutivo.

Serviços

A Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sai na quinta (12), com a leitura de setembro.

O indicador apontou que o setor de serviços cresceu 2,9% em agosto, na comparação com julho.

Foi a terceira alta seguida, acumulando crescimento de 11,2% no período.

Ainda assim, o resultado não foi suficiente para recuperar as perdas de 19,8% entre fevereiro e maio, piores meses da pandemia no Brasil.

Na comparação com agosto do ano passado, o setor de serviços recuou 10%, sexta taxa negativa seguida nessa base de comparação.

No acumulado em 2020, a queda está em 9%.

Em 12 meses, até agosto, o recuo é de 5,3%, mantendo o indicador em trajetória descendente iniciada em janeiro e chegando ao resultado negativo mais intenso da série deste indicador, iniciada em dezembro de 2012.

IGP-M

A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, que apontou alta de 0,86%, confirmou mais uma vez a pressão inflacionária neste segundo semestre.

Por isso espera-se com atenção o resultado da primeira prévia de novembro do IGP-M, que sairá na terça (10).

A UBS prevê que o IGP-M de novembro terá alta de 2,8%.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta o aluguel, desacelerou em outubro: ficou em 3,23% em outubro, ante 4,34% do mês anterior.

Com o resultado, o índice acumula alta de 18,10% no ano e de 20,93% em 12 meses.

Comparativamente, em outubro de 2019 o índice havia subido 0,68% e acumulava alta de 3,15% em 12 meses.

Segundo André Braz, coordenador da pesquisa, o IGP-M foi influenciado pela trégua oferecida pelo minério de ferro, que contribuiu para a desaceleração da taxa do Índice de Preços ao Produtor Amplo (5,92% para 4,15%).

A variação do preço da commodity passou de 10,81% para queda de 0,71%, movimento que favoreceu o recuo da taxa do grupo matérias-primas brutas (10,23% para 5,55%).

Os demais índices componentes do IGP-M, permaneceram em aceleração. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,77%, ante 0,64% em setembro, alta influenciada pelo grupo alimentação (1,30% para 1,90%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (1,15% para 1,69%) subiu graças à aceleração do grupo materiais e equipamentos, cuja taxa passou de 2,97% para 4,12%”, afirma.

Oi (OIBR4), BTG Pactual (BPCA11) e JBS (JBSS3) soltam balanços

A temporada de balanços terá uma semana movimentada. Estão previstos resultados trimestrais de cerca de 70 companhias.

Entre elas estão BTG Pactual (BPCA11), BR Distribuidora (BRDT3), Sabesp (SBSP3), Linx (LINX3) Yduqs (YDUQ3), Eletrobras (ELET6), Braskem (BRKM5), B3 (B3SA3), Banco Inter (BIDI11),  Cyrela (CYRE3), Marfrig (MRFG3).

Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3), Oi (OIBR4), BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3) também soltam seis balanços.

Veja o calendário completo dos balanços desta semana aqui.

A OI OIBR4) é um dos destaques. A empresa, que solta seus resultados na quinta (12), reportou prejuízo de R$ 3,28 bilhões nos resultados referentes ao segundo trimestre deste ano.

Isso representou uma alta de 118% na comparação com o mesmo período do ano passado, com prejuízo de R$ 1,48 bilhão.

O BTG Pactual (BPCA11) esteve com executivos da Oi (OIBR3 OIBR4) e concluiu que a execução do plano de recuperação da empresa, até aqui, é “impecável”.

“Nossa principal conclusão é que a administração está executando de maneira impecável o plano de recuperação estabelecido há alguns meses e aprovado na assembleia geral de credores realizada em meados de setembro”, diz o banco.

A Oi está em recuperação judicial, processo que começou em 2016, e é hoje uma empresa em reestruturação.

O plano é desmembrar o negócio em quatro partes e redirecionar o foco da companhia.

Em um plano de recuperação judicial aprovado recentemente pelos credores, a Oi definiu que venderá as partes da companhia que compreendem telefonia móvel, data centers e torres.

Ficará apenas com a parte do negócio de fibra ótica, que é o mais saudável. E, ainda assim, com uma parcela do negócio.

Isso porque uma fatia (que pode chegar a até 50%) deve entrar na venda, para ajudar a quitar sua dívida líquida, que ultrapassa R$ 26 bilhões.

Venda dos ativos da Oi

Primeiramente, torres e data centers serão leiloados no dia 26 de novembro, como definiu recentemente a Justiça. Ambos os ativos já receberam ofertas.

Serão oferecidas 637 torres da telefonia móvel e 222 estruturas em locais como shoppings, por exemplo. O valor é de R$ 1,067 bilhão. Os cinco data centers receberam uma oferta de R$ 325 milhões, R$ 250 milhões à vista e R$ 75 milhões a prazo.

Sobre a operação de telefonia móvel, a meta é fazer o leilão em meados de dezembro, mas ainda não há uma data definida. A Oi recebeu oferta de R$ 16,5 bilhões pelo negócio.

A venda da infraestrutura em fibra está no processo de due diligence, que está sendo realizado pelos potenciais licitantes e deverá terminar em novembro.

BRF (BRFS3)

A BRF (BRFS3), que divulga balanço na terça (10), registrou um lucro líquido consolidado de R$ 307 milhões no segundo trimestre deste ano.

Considerando as operações continuadas, o resultado representa uma alta de 60,8%.

Já no total societário, o resultado foi de queda de 5,5%.

Conforme a empresa, excluindo-se os impactos de Covid-19, no resultado do trimestre, o lucro teria sido de R$ 477 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 1,031 bilhão, queda de 33,3%, com margem de 11,3% (-7,2 pontos porcentuais).

A receita líquida avançou R$ 9,104 bilhões, alta de 9,2%.

Ações

Do início do ano até aqui, as ações da BRF (BRFS3) registram uma queda de quase 50%. Em 2 de janeiro, o papel da empresa valia R$ 35,88. Nesta sexta (6), fechou em R$ 17,80.

Olhando para a máxima de R$ 71,55 alcançada em setembro de 2015, fica a pergunta: o que está acontecendo com a BRF? Vale a pena comprar agora, aguardando uma recuperação no longo prazo? Confira.

A queda das ações da BRF, bastante significativa, acontece justamente em um período em que houve aumento da exportação de proteína animal para a China. E também aumento no consumo interno no Brasil, devido ao maior preparo de alimentos em casa e também à ajuda financeira às famílias, com o auxílio emergencial.

Por que então a companhia não se beneficiou desse movimento? Para o analista Luis Sales, da Guide Investimentos, apesar de a BRF estar “fazendo a lição de casa”, reestruturando sua dívida e melhorando questões de governança, a visão do mercado sobre a empresa mudou.

“A percepção anterior era de uma empresa muito mais resiliente em relação a resultados e melhor em termos de governança”, diz. Para ele, o valor da ação está subdimensionado no momento, mas isso não acontece sem razão.

Leia mais sobre a BRF aqui

Fed

Na agenda externa, a semana tem poucos indicadores. As atenções se voltam para os discursos dos dirigentes do Fed.

Entre eles está Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, que se pronunciará na segunda (9). O diretor Randal Quarles e Robert Kaplan, dirigente em Dallas, vão discursar na terça.

Eles vão dar mais sinais dos rumos da política monetária americana numa semana pós-eleições.

Na última quinta (5), o Fed decidiu nesta quinta (5) manter as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, disse que a pandemia de coronavírus continua impactando a economia do pais, afetando o emprego e a atividade.

O Fed manteve sua política monetária de afrouxamento intacta e se comprometeu novamente a fazer o que puder nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia.

O banco central dos EUA não comentou sobre a eleição em seu comunicado de decisão de política monetária divulgado após reunião de dois dias.

“A atividade econômica e o emprego continuaram a se recuperar, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano”, disse o Fomc.

“A pandemia da Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo.”

Na quinta será a vez do presidente do Fed Jerome Powell falar. Ele vai discursar no Fórum do Banco Central Europeu, no mesmo dia em que haverá pronunciamentos de Christine Lagarde, presidente do BCE.

Na quinta, sai o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de outubro dos EUA, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics do Departamento de Trabalho americano. O indicador avançou 0,2% em setembro.

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