Prévia do PIB, inflação, China e Livro Bege agitam agenda da semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

O anúncio de indicadores que mostrarão a influência da pandemia na atividade econômica  marcará a agenda da semana.

No Brasil, a expectativa é pela divulgação do IBC-br, prévia do PIB, e por índices de inflação.

O IGP-10 trará o resultado de julho. IPC-Fipe, IPC-S e IGP-M apontarão prévias da inflação do mês.

Indicadores esperados no exterior

No exterior o radar de investidores aguarda a divulgação do PIB do segundo trimestre, indústria e varejo da China.

Nos EUA, o destaque é para o Livro Bege, do Federal Reseve, com as análises da economia do país em meio a números crescentes da segunda onda pandemia em 26 estados.

Produção industrial, Índice de Preços ao consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) e vendas no varejo também estão na agenda americana. A Europa verá a decisão do Banco Central Europeu sobre taxas de juros.

100 mil pontos, a volta

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A última vez que o índice havia fechado acima dos 100 mil foi em 5 de março, com 102.233,24

A semana passada foi encerrada com um patamar atingido pela última vez no início de março — antes de a pandemia exigir a quarentena como estratégia contra o avanço do novo coronavírus.

A bolsa de valores voltou a subir, ganhando 0,88% na sexta-feira (10). Na semana, o Ibovespa ganhou 3,38%.

E encerrou o pregão da sexta novamente acima dos 100 mil pontos: a 100.031,83 pontos.

A última vez que o índice havia fechado acima dos 100 mil foi em 5 de março, com 102.233,24.

Uma semana depois dessa marca, a bolsa brasileira enfrentaria a já histórica série de seis circuit breakers.

Exatamente um ano atrás, em 10 de julho de 2019, o Ibovespa fechava com 105.817,06 pontos, uma diferença de 5,43% para o alcançado hoje.

A bolsa brasileira seguiu o otimismo que impulsionou os índices de Nova York e do resto do mundo, por causa de uma possível vacina da Gilead que surgiria, em tese, até dezembro.

No mês, a alta é de 5,23%. No ano, a queda acumulada é de 13,50%.

O dólar recuou pelo terceiro dia seguido. Dessa vez, perdeu 0,31% e foi a R$ 5,3218.

Novo contexto

A retomada do Ibovespa é uma boa notícia para os investidores e ainda tem mais potencial pela frente.

Agora, os 100 mil pontos ocorrem em um contexto de plena pandemia mundial.

“Desta vez esses 100 mil pontos acontecem em um momento de medo em que não temos nada de ‘normal’”, compara o assessor de investimentos da EQI, André Arantes.

Confira o que justifica a alta e as expectativas para o futuro nesta reportagem

A semana começa com essa boa notícia. Mas o mercado se mantém no terreno das incertezas — com fatores como a segunda onda de Covid-19 nos EUA.

O país registrou alta da doença em ao menos 26 estados.

Reforma tributária

No Brasil, a semana terá a Câmara dos Deputados como ponto a ser observado. O presidente Rodrigo Maia promete retomar na terça as discussões pela reforma tributária na comissão mista da Casa.

A volta da CPMF, ventilada pelo governo, está fora de questão, disse Mais.

“Acho que a tributária vai continuar andando. Temos julho e agosto para debater e votar”, adiantou Maia na Money Week.

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou estar ansioso para que os parlamentares aprovem o texto nos próximos 90 dias.

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“[O modelo de reforma tributária] Está absolutamente pronto para ser disparado. Primeiro de janeiro deste ano já estava tudo combinado”, afirmou.

IBC-Br

Focus

IBC-br mostrou uma queda de 9,73% em abril na comparação com março, no cálculo com ajuste sazonal

O IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, será anunciado na próxima terça (14).

O último índice mostrou uma queda de 9,73% em abril na comparação com março, no cálculo com ajuste sazonal.

Sobre abril de 2019, a queda é de 15,09%, sem ajuste.

O resultado foi o pior para o mês de abril em toda série histórica do índice, mas veio em linha com as expectativas do mercado.

Desta forma, no acumulado do ano até abril, o IBC-Br tem queda de 4,15% e em 12 meses, recuo de 0,52%

No trimestre de fevereiro a abril, o recuo é de 6,94% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma retração de 5,55%.

Monitor do PIB de maio

Divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) sai na próxima quarta (15);

O índice apontou uma retração de 9,3% na atividade econômica de abril.

No trimestre móvel finalizado em abril, a queda da atividade foi de 6,1%, em comparação a março. Na comparação inter anual, a economia retraiu 13,5% em abril e 4,9% no trimestre findo em abril.

Em termos monetários, o PIB em valores correntes foi de aproximadamente 2,358 trilhões no acumulado do ano até abril.

“O dado de abril mostra que a retração recorde é a pior da história recente”, afirmou na última divulgação Claudio Considera, coordenador do Monitor.

“A indústria e o setor de serviços, que respondem por aproximadamente 95% do valor adicionado total da economia, tiveram os maiores recuos de sua série histórica.”

IGP-10

Em junho o índice teve alta de 1,55%, resultado acima do esperado pelo mercado, que era de  1,49%

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) está na agenda de quarta (15).

Em junho o índice teve alta de 1,55%.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que era 1,49%. A divulgação foi feita pela Fundação Getulio Vargas nesta terça-feira (16).

Em maio, a taxa havia sido de 0,07%. Com este resultado, o índice acumula alta de 4,55% no ano e de 7,18% em 12 meses. Em junho de 2019, o índice havia registrado elevação de 0,49% no mês e de 6,57% em 12 meses.

Todos os índices componentes do IGP-10 apresentaram aceleração e contribuíram para o avanço da taxa do indicador.

O IGP-10 mede a evolução de preços no período compreendido entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês atual.

Ele é composto em 60% pelo Índice de Preços por Atacado (IPA). Mais 30% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e 10% do Índice Nacional de Custos da Construção-10 (INCC).

IPC-Fipe, IPC-S, IGP-M

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), indicador de inflação que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, terá o anúncio da 2ª quadrissemana na sexta (17)

O índice teve variação de 0,40% na primeira quadrissemana de julho.

Na comparação com a última quadrissemana apurada em junho, houve avanço nos preços de Transportes (0,34% para 0,47%), Vestuário (-0,86% para -0,22%) e Saúde (0,58% para 0,70%).

Em sentido contrário, Habitação registrou queda de 0,45% para 0,43%. Alimentação foi de 0,69% para 0,51%. Despesas Pessoais, de 0,37% para 0,35%. E Educação, de 0,03% para -0,02%.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), na segunda quadrissemana, sai na quinta (16), pela Fundação Getulio Vargas.

Subiu 0,50% na primeira semana de julho.

O resultado é de 0,14 ponto porcentual em relação à última leitura de junho, que foi de 0,36%.

A divulgação foi feita nesta quarta-feira (8)

Das oito classes de despesa que compõem o indicador, sete apresentaram aumento de preços.

Aluguel

Referência para o reajuste do aluguel, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a ser divulgado na sexta (17), variou 1,18% nos primeiros dez dias de julho.

No mesmo período de junho, a variação era maior, de 1,36%.

Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, o indicador veio acima da expectativa do mercado, que era por avanço de 1,02%.

No resultado final de junho, o índice ficou em 1,56%, ante 0,28% de maio. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (10) pela Fundação Getulio Vargas.

Segundo André Braz, coordenador da pesquisa, a inflação ao produtor continua pressionada, mas registra desaceleração em comparação a junho.

PIB chinês

O PIB chinês caiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019

A China anuncia os números do segundo trimestre do PIB na quarta. Saem também os indicadores de junho para vendas no varejo, produção industrial e as taxas de desemprego.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês caiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019.

A queda, revelada pelo Bureau Nacional de Estatísticas da China, é inédita na história chinesa.

A contração no primeiro trimestre é o primeiro declínio desde 1992, quando os registros trimestrais do PIB começaram a ser realizados. Isto apesar de “os números oficiais chineses sempre sempre questionáveis”, ressalta a Reuters em reportagem.

A previsão dos analistas era de que o PIB chinês encolhesse 6,5%. No trimestre anterior, a economia da China havia registrado um avanço de 6% (de setembro a dezembro de 2019).

Coronavírus explica queda no PIB

A explicação para a queda brusca do PIB está na pandemia de coronavírus. Desde final de dezembro do ano passado o país luta contra a expansão do vírus.

A partir de janeiro, foram implantadas paralisações e quarentenas em larga escala para limitar o contato humano e, assim, conter a propagação do coronavírus.

O país fechou suas fronteiras, impedindo o comércio internacional, e paralisou praticamente toda atividade industrial e comercial.

A pandemia dá alguns sinais de retorno, mas a China indica recuperação econômica nos últimos meses.

PMI da China

Pesquisa da IHS Markit com a Caixin Media mostrou que o índice de gerentes de compras da indústria chinesa subiu de 50,7 em maio para 51,2 em junho.

Este é o maior nível em seis meses e indica que a indústria se expande em ritmo forte após o impacto da Covid-19. O PMI oficial divulgado ontem já apontava a tendência.

De acordo com o National Bureau of Statistics (NBS), o PMI ficou em 50,9, quando a projeção era 50,4. Em maio, o indicador apontava 50,6.

Mesmo assim, o Banco Central da China informou no último dia 29 de junho que, apesar de a pandemia de coronavírus estar menor no país, os riscos à economia seguem altos.

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De acordo com comunicado do Banco do Povo da China, a ideia é continuar orientando que os juros fiquem baixos para que o potencial das reformas siga sendo explorado.

Desta forma, o suporte financeiro às pequenas e médias empresas e às companhias privadas continuará.

O Banco Central chinês soltou o comunicado às agências de notícias de todo o mundo após participar de reunião do comitê de política monetária, em 24 de junho.

Livro bege

Federal Reserve

O presidente Jerome Powell participa da conferência de imprensa virtual FOMC em 10 de junho de 2020

O Federal Reserve divulgará nesta quarta (15) o relatório sobre a economia do país.

O documento elaborado pelo Fed  serve como referência para as decisões que a instituição tomará sobre a economia dos Estados Unidos.

Os dirigentes da instituição avaliaram, em maio, a queda acentuada da atividade econômica em todos os distritos do país em razão da paralisação causada pela pandemia do coronavírus.

Naquele relatório anunciado há quase dois meses o Fed reforçou o que já vinha informando sobre o impacto da crise do coronavírus na economia americana.

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Os dados foram compilados até 18 de maio, quando boa parte dos estados ainda mantinham isolamento social, bixa circulação de pessoas nas ruas com medidas de restrição e funcionamento apenas de serviços essenciais.

A Livro Bege informa que houve recuo evidenciado da economia em todos os distritos do país, com queda da atividade industrial.

O Fed destaca também aumento da demanda por empréstimos a pequenas empresas, que ajudaram a reduzir demissões, e diminuição da venda de imóveis, com oferta mais baixa.

Fomc: juros perto do zero até 2022

O Fed divulgou no dia 1º de julho a ata da última reunião do Fomc (sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto), realizada em 10 de junho.

Na ocasião, o Fed manteve as taxas de juros perto do zero. O Fomc informou que projeta juros perto de 0,10% pelo menos até o fim de 2022.

O documento destaca mais uma vez o impacto da crise causada pela pandemia do novo coronavírus na economia dos EUA.

Diz o documento: “Os membros pretendem manter essa meta de intervalo de juros até que estejam seguros de que a economia esteja a caminho de cumprir as metas e mantenha estabilidade de preços”.

EUA: vendas do varejo

As vendas no varejo de junho dos Estados Unidos, apuradas pelo Census Bureau, do Departamento de Comércio dos EUA, sairão na quinta (16)

Na divulgação de maio, foi anotada alta na variação mensal de 12,4%, bem acima da projeção do mercado que era de 8%.

A leitura também marca um aumento bastante significativo em relação a abril, quando o indicador revisado registrou -14,7% (-16,4% na divulgação anterior).

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16),

Em maio, as vendas totalizaram US$ 485,5 bilhões, em comparação com os US$ 412,6 bilhões (revisados para cima) de abril.

O núcleo das vendas no varejo, que exclui alimentos e combustíveis, variou 12,4%, ante projeção de 5,5% e leitura do mês anterior  de -15,2%.

Produção industrial americana

Outro dado divulgado esta semana, só que pelo Federal Reserve (Fed), será o da produção industrial dos EUA em junho. O anúncio acontece na quarta (15)

Em maio, a produção total aumentou 1,4%, com muitas fábricas retomando pelo menos parcialmente as operações depois das paralisações realizadas como medida de contenção à pandemia.

Ainda assim, o resultado ficou 15,4% abaixo do nível pré-pandêmico de fevereiro.

A maioria das grandes indústrias registrou aumentos, com destaque para a produção de veículos e peças.

A utilização da capacidade para o setor industrial aumentou 0,8 ponto percentual. Foi para 64,8% em maio, uma taxa de 15 pontos percentuais abaixo da média de longo prazo (1972–2019). E 1,9 pontos percentuais abaixo do nível mínimo durante a Grande Recessão.

produção industrial

 

Índice de Preços ao Consumidor

AIE plano

Indicador teve deflação de 0,1% em maio, puxado pela queda no preço da gasolina

O escritório de estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA divulgará o Índice de Preços ao consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) de junho na terça (14).

O indicador teve deflação de 0,1% em maio, puxado pela queda no preço da gasolina.

Foi a terceira leitura consecutiva de retração. Em abril, o IPC caiu 0,8% em abril, o maior declínio desde dezembro de 2008. Nos 12 meses até maio, o IPC subiu 0,1%.

O núcleo do IPC, que exclui os preços de alimentos e energia, teve queda de 0,1% e alta de 1,2% na base anual, em comparação com uma queda de 0,4% no mês anterior.

IPC