Prévia do PIB, inflação, IPO e corrida eleitoral nos EUA agitam a semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A agenda econômica reserva menos indicadores que de costume, mas inclui anúncios e pontos de atenção no radar dos investidores.

Entre eles, está, por exemplo, a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), prévia do PIB brasileiro.

A inflação, que vem sinalizando alta em índices como o IPCA, terá outra mostra do cenário: o IGP-10 ( Índice Geral de Preços – 10), que sai na próxima sexta (10).

Conheça a FinTwit, o maior fórum de finanças do mundo.

Hoje o Twitter é pauta na Money Week.

Com um dia a menos por causa do feriado desta segunda (12), o mercado está de olho de hoje no desempenho das ADRs de empresas brasileiras nas bolsas americanas.

Mas a semana terá um IPO aguardado — o do Grupo Mateus, rede de supermercados e lojas de atacado do Norte e Nordeste, que teve origem no Maranhão.

Corrida eleitoral americana

Na agenda externa, a corrida eleitoral do EUA, faltando pouco mais de três semanas para a contagem dos votos que vão decidir pelo nome do presidente, acirra ânimos, discursos e mexe com os mercados.

O debate entre Joe Biden e Donald Trump, que seria realizado na próxima quinta (15), foi cancelado, após o republicano se recusar a participar de maneira virtual.

Ainda se recuperando da Covid-19, Trump promete voltar à campanha presencial, enquanto luta para tirar a vantagem que Biden tem nas pesquisas.

Outro debate está previsto para a próxima semana, em 22 de outubro. Biden vai a um programa de entrevistas na ABC no dia 15.

Novas sondagens entre eleitores devem ser anunciadas nos próximos dias.

Bolsas de valores nos EUA: oscilações e alta na semana

A campanha eleitoral continua, claro, entre os pautas principais da semana — mas não só esse tema americano repercutirá nos mercados.

A falta de acordo entre democratas e republicanos para um pacote de estímulo à economia prossegue reverberando nas bolsas. Trump elevou a proposta para US$ 1,8 trilhão — ante o US$ 1,6 trilhão que a Casa Branca havia proposto.

Ocorre que os democratas da Câmara aprovaram um projeto de lei de US$ 2,2 trilhões no início de outubro, criando um impasse.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, na semana passada, já se disse “otimista” sobre um acordo.

Enquanto não há consenso no Congresso, as bolsas em Nova York oscilam mas têm se mantido em terreno positivo, como mostraram, na última semana, Dow Jones (que ganhou 3,27%), Nasdaq (avanço de 4,56%), S&P 500 (+3,85%).

Novas altas de coronavírus nos EUA e na Europa refletiram em Nova York, e devem continuar preocupando em mercados pelo mundo – enquanto não há notícias de vacinas aprovadas.

Moody’s avalia que Pix pode diminuir receitas dos bancos em até 8%

PIX pode reduzir uso de dinheiro em espécie no Brasil, diz UBS

Ibovespa vira a semana em alta

Após cinco semanas consecutivas em queda persistente, a bolsa de valores encerrou a última semana com ganhos de 3,69%.

A sexta-feira (9) fechou em queda 0,45%, aos 97.483,31 pontos — patamar médio da semana.

Ibovespa alternou perdas e ganhos, em ritmo acidental.

O saldo dos últimos dias acabou no positivo, impulsionado por Nova York. No mês a alta está em 3,04%. No ano, as perdas acumuladas estão em 15,70%.

Houve realização de lucros, em meio a um horizonte que deve se manter instável.

Linx (LINX3) diz que analisará nova proposta da Totvs (TOTS3)

Inflação e debate fiscal

O noticiário doméstico não ajudou: o relator da PEC Emergencial, Márcio Bittar (MDB-AC), adiou o anúncio da proposta do Renda Cidadã para depois das eleições municipais.

Houve especulações, que podem continuar, sobre o desmembramento do Ministério da Economia, nas áreas de Previdência e Trabalho.

Paulo Guedes teve que vir a público ontem para dizer que a ideia de desmembrar o Ministério da Economia é “conversa fiada”.

A inflação se manteve na pauta. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,64%, ficando 0,40 ponto percentual acima do observado em agosto, de 0,24%.

A projeção da mediana do mercado era de de 0,54%.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou 1,97% no primeiro decêndio de outubro, divulgou a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Assim, novos indicadores inflacionários e o debate a respeito do equilíbrio fiscal do governo vão continuar no rol dos assuntos principais dos investidores.

Inflação: IGP-10

No tema da apuração de preços, o anúncio aguardado da semana é o do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de outubro, que sai na sexta.

O IGP-10, levantado pela FGV, subiu 4,34% em setembro, ante 2,53% em agosto.

A projeção do mercado era por alta de 4,15%. Com o resultado, o índice acumula alta de 13,98% no ano e de 17,03% em 12 meses.

Em setembro de 2019, o índice caíra 0,29% no mês e acumulava elevação de 3,65% em 12 meses.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do indicador, subiu 5,99%, ante 3,38% do mês anterior.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-10, variou 0,46%, ante 0,48% de agosto. E o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% do IGP-10, variou 0,80% em setembro, ante 1,01% em agosto.

“A alta do índice de preços ao produtor continua sendo o principal responsável pela aceleração do IGP-10”, afirmou André Braz, coordenador da pesquisa, em setembro.

Setor de serviços

Outro ponto de atenção na semana: a divulgação, na terça, da Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, na leitura de agosto.

Na semana anterior, vale lembrar, o volume de vendas do varejo brasileiro teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto deste ano, divulgou o IBGE na quinta-feira (8).

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

Essa foi a quarta alta consecutiva do indicador no ano. Os maiores recuos foram de 2,4% em março e de 16,7% em abril.

O indicador alcançou o maior patamar da série histórica da PMC, iniciada em 2000.  Está 2,6% acima do recorde anterior, em outubro de 2014.

Em julho, a Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, apontou crescimento de 2,6% do setor, ante 5% de junho.

A expectativa era por avanço maior, de 3,1%. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a segunda taxa positiva desde o início da crise.

Antes disso, houve uma sequência de quatro taxas negativas entre fevereiro e maio (-1%, -6,9%, -11,7% e -0,9%, respectivamente). Ou seja, ainda falta bastante para o setor de serviços recuperar as perdas com a pandemia.

Prévia do PIB

Numa semana com menos indicadores, o destaque fica com a divulgação do IBC-Br de agosto, que terá anúncio na quinta (15).

O IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), teve alta de 2,15% em julho, ante 4,89% de junho.

O resultado veio abaixo da projeção do mercado, que era por avanço de 3,4%.

Dessa forma, o IBC-Br é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e foi divulgado no último dia 14 de setembro pelo Banco Central.

Na comparação com julho do ano passado, a queda é de 4,89%.

O Boletim Focus da última segunda (5) – esta semana o Banco Central divulgará na terça (13) –, mostrou uma leve redução na projeção. Na semana anterior, a queda esperada para a economia brasileira este ano era de 5,04%.

Agora está em 5,02%. Há quatro semanas, previa-se uma queda maior, de 5,31%.

Impactos da pandemia

O Ministério da Economia projetou, em 15 de setembro, uma queda do PIB de 4,7% em 2020, de acordo com boletim da Secretaria de Política Econômica (SPE).

A previsão se manteve igual em relação ao documento anterior, de julho, e reflete os impactos da pandemia do Covid-19 sobre a economia.

A projeção para 2021 também foi mantida, de crescimento de 3,20%. Para 2022, o governo espera uma alta de 2,50%.

Em julho, era 2,60%. Para 2023 e 2024 a estimativa foi mantida em +2,50%.

No terceiro trimestre deste ano, o PIB deve registrar uma alta de 7,3% em relação ao segundo, mas de queda de 4,9% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com o boletim.

IPO do Grupo Mateus

A estreia da semana na bolsa será a do Grupo Mateus, que acontece nesta terça (13). É o destaque no setor corporativo.

O Grupo Mateus chegará à bolsa quebrando dois recordes.

Com arrecadação de R$ 4,63 bilhões, será o maior IPO de 2020, até agora. Além disso, a companhia fará a maior estreia de uma empresa do Nordeste do país da história.

A ação saiu a R$ 8,97, piso da faixa indicativa de preço.

A companhia, que fatura R$ 10 bilhões ao ano, vai usar o dinheiro para expandir sua operação no Maranhão, no Pará e no Piauí.

A rede varejista teve origem no Maranhão, há 34 anos, e hoje está espalhado por 54 cidades.

O objetivo com a abertura de capital é ampliar ainda mais a atuação.

O fundador é o ex-garimpeiro e vendedor de cachaça Ilson Mateus, empresário de origem humilde que cresceu no mundo atacadista e varejista.

Para saber mais sobre a avalanche de IPOs na bolsa brasileira, clique aqui 

O Grupo Mateus é um conglomerado de empresas que opera no varejo de supermercados, atacarejo, móveis e eletrodomésticos, indústria de panificação, distribuição de medicamentos e construção.

As lojas estão também no Pará e Piauí, mas o grupo atende por entregas também no Tocantins, Bahia e Ceará.

O grupo é controlado por membros de uma mesma família.

São quatro acionistas: o próprio Ilson Mateus Rodrigues, Maria Barros Pinheiro (esposa de Ilson), Ilson Mateus Rodrigues Junior (filho) e Denilson Pinheiro Rodrigues.

Crescimento nos últimos anos

Dados dos últimos anos mostram o crescimento da empresa principalmente na última década.

O número de lojas, por exemplo, saltou de 65, em 2016, para 137 unidades neste ano.

Em 2018, a receita líquida foi de R$ 6,3 bilhões. E só nos primeiros meses deste ano, somou R$ 5,1 bilhões.

Isso representa um aumento de 27% na comparação com o mesmo período de 2019.

Assim, o Grupo Mateus caminha para atingir pela primeira vez uma receita anual de mais de R$ 10 bilhões.

Já o lucro líquido teve uma alta de 78% no semestre, totalizando R$ 297 milhões. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Grupo Mateus é o quarto maior do país em varejo alimentar.

Desde 2015 a empresa deseja fazer o movimento, que foi adiado por conta da crise econômica.

Mas agora, mesmo com a pandemia, o grupo decidiu seguir adiante.

Agenda externa

O exterior terá entre os principais anúncios da semana a leitura de setembro Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos Estados Unidos.

Sai na terça. O índice avançou 0,4% em agosto, pouco acima da projeção de 0,3% do mercado.

Em julho, o avanço foi maior, de 0,6%. Na base anualizada, houve avanço de 1,3%, ante 1% do mês anterior.

O núcleo do IPC, que exclui alimentos e combustíveis, também subiu 0,4%.

As informações são divulgadas pelo Bureau of Labor Statistics do Departamento de Trabalho americano.

Foi a terceira alta consecutiva do IPC (0,6% em junho e em agosto), e aponta uma aceleração gradual da inflação que acompanha a recuperação da economia após as desacelerações causadas pela pandemia.

Em março, o indicador teve recuo de 0,4%. Em abril, queda de 0,8%. E em maio, queda de 0,1%.

Também sai esta semana (na quarta, 14)  o Índice de Preços ao Produtor (IPP ou PPI na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que subiu 0,3% em agosto, pouco acima da projeção de 0,2% do mercado.

Em julho, a alta foi de 0,6%. Na comparação anualizada, o IPP teve queda de 0,2%, ante queda de 0,4% do mês anterior.

Balanços de cias americanas, e números da Europa e China

Na área corporativa, vão ser divulgados os primeiros números de balanços de empresas americanas do terceiro trimestre.

Citgroup e JP Morgan estarão entre essas companhias.

Também nesta semana serão anunciados números da economia da Zona do Euro: produção industrial (na quarta), índice de preços ao consumidor e balança comercial (na sexta).

A China consolida dados de exportações e importações, que sairão na segunda-feira (12), e índice de preços ao consumidor na quarta (14).

FIIs de agências bancárias precisam se reinventar

Por que a poupança é o principal investimento do brasileiro?

Aprenda a interpretar o Dividend Yield com essas quatro dicas