Prévia do PIB dos EUA aponta queda de 4,8% no primeiro trimestre

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Segundo prévia divulgada nesta quarta-feira (29), o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre deve ficar em -4,8%.

No quarto trimestre de 2019, o PIB teve avanço de 2,1%.

A queda, segundo relatório divulgado pelo Bureau of Economic Analysis, se deu por conta da crise do coronavírus.

Houve queda acentuada na demanda e na produção do país. Isto devido às medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as paralisações determinadas por diversos estados.

Os economistas consultados pela Dow Jones aguardavam uma queda menor, de 3,5%.

De acordo com a CNBC, esta é a primeira leitura negativa do PIB norte-americano desde 2014 (quando o resultado foi -1,1%). É também a maior queda desde os -8,4 do quarto trimestre de 2008, durante a crise do subprime.

PIB EUA: economistas enxergam recessão

A maioria dos economistas já vê os EUA em recessão. Mas a definição técnica para recessão é a queda do PIB em dois trimestres consecutivos.

Para Spencer Hill, economista do Goldman Sachs, o resultado consolidado deve ser pior do que o apresentado hoje. “Acreditamos que a realidade econômica durante o trimestre foi ainda pior. Revisões maiores do que o habitual são comuns em recessões e outros períodos de alta volatilidade econômica”, disse à CNBC.

Uma segunda estimativa do primeiro trimestre, com base em dados mais completos, será divulgada dia 28 de maio.

PIB EUA

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Para o economista Victor Beyruti Guglielmi, da Guide, a recessão começa a “mostrar sua cara na maior economia do mundo”. “As evidências são de que devemos ter uma recuperação mais lenta do que inicialmente projetada”, afirma.

Guglielmi aponta como especialmente preocupante a forte queda no consumo pessoal, que representa cerca de 68% do PIB americano. “Se olharmos para serviços, que naturalmente tem uma queda mais lenta, a queda de 10,2% que o setor sofreu reforça a tese da retomada mais lenta”, diz.

Para ele, a segunda leitura deverá ser ainda pior, assim como o resultado do segundo trimestre. “Deve ser confirmada a a pior recessão desde 1940 na maior economia do mundo”, avalia.