Prévia da inflação, reforma tributária e balanços do 2TRI agitam a semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A penúltima semana de julho marca o início da temporada de balanços do segundo trimestre.

Empresas como Weg (WEGE3), Renner (LREN3), Hypera (HYPE3) e Neoenergia (NEOE3) vão apresentar seus resultados.

A agenda econômica inclui ainda a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), prévia da inflação e o debate sobre a reforma tributária no Congresso Nacional.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Indicadores de PMIs da zona do Euro e EUA também reforçam o calendário econômico.

Índice bateu na sexta os 102.888,25 pontos, maior nível desde 5 de março

Bolsa beira os 103 mil pontos

O Ibovespa fechou acima dos 100 mil pontos na sexta (17) e atingiu uma marca que não batia havia quatro meses.

A sessão de sexta encerrou com alta de 2,32%. A semana acumulou 2,86% e fez o índice bater nos 102.888,25 pontos, o maior nível desde 5 de março.

Na quinta, a bolsa recuou 1,22%, aos 100.553,27.

Ibovespa se descolou de Nova York, que ficou mista, alternando avanços e recuos.

No mês, os ganhos foram de 8,24%.

No ano, caiu 11,19% – queda que já foi maior no acumulado.

O dólar terminou com alta de 1,02% nesta sexta, a R$ 5,3805. Na semana, subiu 1,14%.

Tensão

O humor do mercado acompanha notícias sobre o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19.

Enquanto o país ainda enfrenta alta de casos e gráficos que apontam estabilidade da pandemia em ao menos 10 estados — mas com números em níveis elevados.

É uma situação similar à dos EUA, que passa por avanço da doença em estados populosos como o Texas, Califórnia e Flórida, com até 70 mil casos notificados no total a cada 24 horas.

Por tudo isso, a perspectiva é de volatilidade diária. Bons indicadores na economia, que mostram uma recuperação lenta, aqui e no exterior, têm animado os investidores.

Trump diz que aplicará novas sanções à China por Hong Kong

China X EUA

O clima de tensão entre China e EUA, que sinalizam sanções comerciais por causa de Hong Kong.

O presidente norte-americano Donald Trump anunciou na última terça-feira (14) que vai colocar um ponto final no tratamento especial a Hong Kong.

Trump alegou que aplicará novas sanções à China por ter “extinguido a liberdade” da região.

“Assinei um decreto que põe fim ao tratamento especial dos EUA a Hong Kong. Agora, será tratada igual à China continental”, assegurou.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que a medida é uma represália norte-americana à aprovação da lei de segurança nacional da China sobre Hong Kong.

Trump não quer falar, ao menos neste momento, sobre a Fase 2 do acordo comercial com a China.

O impasse costuma resvalar nas bolsas americanas.

Paulo Guedes confirma imposto sobre dividendos em evento financeiro

Fase inicial da reforma: junção do PIS e do Confins no Imposto Sobre Valor Agregado

Reforma tributária

O assunto, que volta a ser tratado esta semana na Câmara dos Deputados, pode afetar o sobe e desce no Ibovespa – com impacto proporcional à repercussão do debate em Brasília.

O ministro da Economia Paulo Guedes definiu a próxima terça como “Dia D” para enviar o projeto do governo ao Congresso com a 1ª parte da reforma tributária.

A fase inicial contemplará a junção do PIS e do Confins no Imposto Sobre Valor Agregado (IVA).

Defensor da criação de um novo tributo sobre transações financeiras, uma nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), Guedes afirmou que não tratará do assunto nesse primeiro momento.

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia já mandou o recado ao governo: afirmou nesta quinta-feira (16) que descarta a volta da CPMF .

“Nossa carga tributária é alta demais, não admite novos impostos”, argumentou Maia.

Guedes disse que planeja a criação de um “imposto digital” de 0,2%. A taxa incidiria sobre pagamentos do comércio eletrônico e plataformas de streaming.

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia

“Nossa carga tributária é alta demais”, lembrou Maia

O presidente da Câmara reforçou que a aprovação da reforma tributária é o caminho mais importante para a retomada do crescimento econômico brasileiro.

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Ressaltou que só a reforma tem condições de gerar um aumento da atividade econômica de forma sustentável e melhorar o ambiente de negócios no Brasil.

“Queremos aprovar a reforma do Congresso junto com o governo federal”, ponderou Maia.

IPCA-15 registrou uma variação de 0,02% em junho

Prévia da inflação

Outro tema no radar do mercado esta semana é a divulgação do IPCA-15, que sairá na próxima sexta (24) com os dados de julho apurados pelo IBGE.

Tido como prévia do IPCA, ou da inflação oficial, o  IPCA-15 registrou uma variação de 0,02% em junho.

O resultado surpreendeu o mercado, que esperava uma queda entre 0,05% e 0,06% no indicador que mede a inflação.

Em maio o resultado do IPCA-15 foi de -0,59%. Já na comparação com junho de 2019, a taxa foi de 0,06%.

No ano (janeiro a junho), o índice acumula alta de 0,37%.

Em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 1,92% em junho ante expectativas de 1,85%.

Confiança do Consumidor

A semana terá outros indicadores que funcionam como termômetros da economia.

Na sexta (24) sai também o índice de Confiança do Consumidor, da FGV.

O indicador foi de 62,1 pontos em maio para 71,1 pontos em junho. O avanço de 9 pontos, apesar de positivo, recupera apenas 44% das perdas sofridas entre março e abril.

Estes dois foram os piores meses da crise do coronavírus.

O IPC-S da 3ª quadrissemana vem na quinta. No último dia 16, a FGV informou que o índice de Preços ao Consumidor Semanal subiu 0,56% na segunda semana de julho.

Na semana anterior, a primeira do mês, o registro foi de 0,50%.

Na zona do euro, o PMI de junho ficou acima do projetados pelo mercado

Prévias dos PMIs

O instituto IHS Markit divulga na sexta prévias dos PMIs (siglas de inglês para Índices de Gerente de Compras) compostos da Zona do Euro e dos EUA.

Todas as leituras acima de 50 pontos do PMI indicam crescimento da atividade econômica. O PMI composto é a junção do PMI da indústria e de serviços.

Na zona do euro, o indicador composto de junho ficou em 48,5, acima dos 47,5 projetados pelo mercado.

Em maio, a leitura era de 31,9 pontos. Já o PMI de serviços subiu de 30,5 para 48,3. A expectativa era por 47,3.

O PMI industrial da zona do euro de junho ficou em 47,4 pontos, ante uma projeção de 46,9. Em maio, o resultado havia sido 39,4 pontos.

Em junho, o Índice dos Gerentes de Compras composto e o de serviços dos Estados Unidos veio acima da projeção do mercado e indicando avanço em relação a maio.

O índice composto ficou em 47,9 pontos, quando a expectativa era por 46,8. No mês anterior, a leitura foi de 37 pontos.

O índice de serviços ficou em 47,9 pontos, ante projeção de 46,7, e leitura de 37,5 em maio.

PMI industrial dos EUA apresentou resultado de 49,6 pontos, ante 39,8 de maio.

romi-industria

A Romi (ROMI3) apresentou retração de 53,2% nos lucros do 1TRI20

Temporada de balanços

Começa esta semana a temporada de balanços das grandes empresas.

Os resultados dos segundo semestre de 2020 são aguardados com expectativa maior: vão revelar a intensidade ou não dos efeitos da pandemia nos balanços das companhias.

O período que será reportado — de abril a junho — inclui a etapa mais severa da quarentena e das medidas de restrição contra a disseminação da Covid-19, até o início da flexibilização.

Na terça (21), após o fechamento da bolsa, as Indústrias Romi (ROMI3) e Neoenergia (NEOE3) divulgam seus resultados.

A Romi (ROMI3), empresa do segmento de máquinas-ferramenta e máquinas para processamento de plásticos, apresentou uma retração de 53,2% nos lucros do primeiro trimestre de 2020.

A Neoenergia (NEOE3), gigante do do setor elétrico brasileiro, apurou um lucro de R$ 577 milhões no primeiro trimestre de 2020, valor 17,3% maior do que o mesmo período do ano passado.

Lojas Renner

Lucro líquido da empresa atingiu R$ 10,4 mi, um desempenho 93,6% inferior ao do mesmo período de 2019

Weg (WEGE3) e Renner (LREN3)

O balanço da Weg (WEGE3), uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo sai na quarta (22), antes da abertura do pregão na bolsa.

A Weg registrou lucro líquido de R$ 440,023 milhões no primeiro trimestre de 2020, um aumento de 43,4% em relação ao mesmo período de 2019.

A quinta (23) terá o relatório da Renner (LREN3) depois do encerramento da sessão.

O lucro líquido da gigante do varejo atingiu R$ 10,4 milhões, um desempenho 93,6% inferior ao registrado em igual período de 2019.

Na sexta, será a vez da Hypera (HYPE3). No primeiro trimestre de 2020, o lucro líquido foi de R$ 238,2 milhões, queda de 25,8% em comparação com mesmo período de 2019.