IPCA-15 avança 0,94%, acima da projeção e maior valor desde 1995

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: FIERN.org.br

Prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,94% em outubro. Este é o maior resultado para o mês desde 1995. E ficou acima da projeção do mercado, que era por 0,81%, ante 0,45% do mês anterior.

No ano, a prévia da inflação acumulou alta de 2,31% e em 12 meses atingiu 3,52%.

A divulgação foi feita nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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Para o analista e sócio da EQI Paulo Filipe de Souza, o resultado acima do esperado serve de alerta de que pode haver uma alta de juros mais rápida do que esperado a partir do ano que vem.

“Uma das formas do Banco Central controlar a inflação é subindo a taxa básica de juros e, se a inflação romper a meta, isso deve ocorrer”, ele diz.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir sobre os juros, com o mercado apostando amplamente que a taxa Selic deverá se manter em 2% até o fim deste ano.

Outra recomendação é, que neste cenário, o investidor deve procurar por títulos pós-fixados, que apresentam taxas mais interessantes que os pré-fixados.

Para Alejandro Ortiz Cruceno, economista da Guide, o resultado do IPCA-15 não deve alterar o atual plano de voo do Banco Central, uma vez que a inflação acumulada no ano segue consideravelmente abaixo da meta de 4%. “Seguimos acreditando na manutenção da taxa Selic em 2%. Obviamente, espera-se que o Banco Central condicione a manutenção do instrumento à ancoragem das expectativas de longo prazo, assim como à persistência do regime fiscal (teto de gastos)”, afirma.

Alimentos e bebidas puxam a alta do IPCA-15

Os preços dos alimentos e bebidas pressionaram o IPCA-15 de outubro, com a maior alta (2,24%) entre os grupos e o maior impacto (0,45 ponto percentual).

A maior contribuição (0,13 p.p.) veio das carnes (4,83%), na quinta alta consecutiva.

O índice também foi puxado pelas altas do óleo de soja (22,34%), do arroz (18,48%), do tomate (14,25%) e do leite longa vida (4,26%).

Houve queda nos preços da cebola (-9,95%) e da batata-inglesa (-4,39%).

IPCA-15: transportes têm segunda maior variação

O grupo dos Transportes teve a segunda maior variação em outubro (1,34%), puxado pelas passagens aéreas, que subiram 39,90% e contribuíram com 0,13 p.p. no IPCA-15 do mês.

O segundo maior impacto (0,04 p.p.) veio da gasolina (0,85%), sua quarta alta consecutiva, embora menos intensa que no mês anterior (3,19%).

Os preços do seguro voluntário de veículo subiram 2,46%, após sete meses consecutivos de quedas. Apenas ônibus interestadual (-2,73%) e gás veicular (-1,36%) tiveram variações negativas.

Demais grupos

Os Artigos de residência subiram 1,41%, acelerando em relação a setembro (0,79%), com altas em todos os itens, destacando-se mobiliário (1,75%) e TV, som e informática (1,68%).

O grupo de Vestuário teve alta de 0,84%, puxado por roupas masculinas (1,31%) e infantis (1,07%). Já os preços de roupas femininas caíram 0,10%. As joias e bijuterias subiram 1,73%, acumulando alta no ano de 10,68%.

Em Habitação (0,40%), o maior impacto veio do gás de botijão, alta de 2,07%. Já o gás encanado recuou 0,17%; taxa de água e esgoto subiu 0,16%, e energia elétrica subiu 0,11%.

Fortaleza registra maior alta do IPCA-15

Em outubro, o IPCA-15 subiu em todas as localidades pesquisadas. O maior resultado foi o da região metropolitana de Fortaleza (1,35%). Onde foi puxado pelos preços do arroz (23,02%), das carnes (4,79%) e da gasolina (2,78%).

Já a menor variação foi a da região metropolitana de Salvador (0,43%), por conta da queda nos preços da gasolina (-5,87%).