Prévia da inflação, dívida pública e PIB dos EUA agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: FIERN.org.br

A semana será curta, com os dois dias de feriado de Natal na quinta e na sexta, mas a agenda econômica terá pontos de atenção dos investidores.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, é o destaque do calendário, em período de alta de preços apontados pelos principais da economia.

Em tempos de apreensão com gastos do governo e índices elevados de contaminação da pandemia, vale ficar de olho no anúncio do Tesouro sobre a dívida pública no país.

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Nos Estados Unidos, onde o cenário do surto de Covid-19 continua aterrador — com mais de 200 mil diagnósticos por dia e avanço em todos os estados do país –, a economia vem dando sinais de preocupação e a retomada patina.

Por isso é aguardada a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre.

Bolsa acima dos 180 mil pontos

Movida pela euforia dos mercados globais com o início da vacinação contra o novo coronavírus ou a proximidade do início de campanhas de imunização, a bolsa brasileira se manteve com índices animadores.

A bolsa de valores fechou a última semana cheia do ano com alta de 2,52%, anotando 118.023,67 pontos. Na última sexta-feira (18), houve uma pequena perda de 0,32%.

Mas há, claro, obstáculos nos próximos dias e um quadro obscuro pela frente.

Existe a alta dos casos nos EUA, Europa e Brasil. E anúncios de medidas restritivas contra a disseminação do vírus podem causar mais estragos na na atividade econômica.

Como ocorreu na semana anterior, em Nova York os investidores parecem resignados com a falta de entendimento sobre o pacote quase trilionário de incentivo fiscal ser aprovado ainda em 2020.

A aprovação pelo Congresso dos Estados Unidos de um novo pacote de estímulos aumentaria a injeção de dólares na economia mundial, reduzindo a pressão do câmbio sobre países emergentes, como o Brasil.

A semana anterior teve realizações de lucros. Europa e Ásia também caíram, embora não tenham perdido durante a semana.

Por aqui, o Ibovespa trafegou no positivo, graças por exemplo a momentos pontuais como a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que reforçou que não haverá prorrogação do auxílio emergencial e nem 13º salário do Bolsa Família.

Foi a incapacidade do poder público em resguardar a parte mais vulnerável da sociedade que garantiu o humor dos investidores.

Cautela

A sessão da sexta foi marcada pela cautela no mercado externo, depois do otimismo global de quinta (17) com o avanço das vacinas contra a covid-19.

Na sexta, os investidores internacionais foram influenciados pelo aumento no número de casos em diversos países e pelo ceticismo em relação às conversas no Congresso norte-americano.

O início da vacinação contra a covid-19 em diversos países aumenta as esperanças em relação à reabertura das economias.

Em dezembro, a alta acumulada é de 8,38%. No ano, a bolsa zerou as perdas na semana anterior e agora valoriza 2,06%.

Os três dias da semana começam sob a sombra da incerteza. A aprovação de novas vacinas pode mudar o rumo.

Na sexta à noite a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora americana, aprovou a vacina da Moderna, empresa de biotecnologia com sede em Cambridge, em Massachusetts.

Os EUA contam agora com os imunizantes da Pfizer e da Moderna na vacinação iniciada semana passada. A  aplicação dessa vacina na campanha dos EUA está prevista para esta segunda.

A alta expressiva de casos de Covid-19, porém, trará mais tensão ao noticiário.

Dólar: recuo e alta

O dólar fechou a sexta-feira com leve alta. A moeda norte-americana subiu 0,08%.

A moeda termina a semana acumulando avanço de 0,73%.

A moeda norte-americana interrompeu uma sequência de quatro semanas de queda, mas a bolsa acumulou a sétima alta semanal consecutiva, o melhor desempenho desde 2017.

Apesar da alta semanal, a divisa acumula recuo de 4,9% em dezembro.

IPCA-15: prévia da inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de dezembro será anunciado nesta terça (22).

A expectativa é de alta. O último boletim Focus elevou a projeção de inflação e queda do PIB em 2020.

A estimativa para o IPCA, considerada a taxa de inflação oficial do país, passou de 4,21% na semana passada para 4,35%.

Foi a 18ª semana seguida de correção para cima da inflação e reforçou a superação da meta do governo para o ano, de 4%. No início de novembro, o mercado esperava uma alta de 3,25%.

Para 2021, a estimativa para a inflação se manteve em 3,34%.

Daí a expectativa em torno do IPCA-15.

Acima das projeções

O indicador teve alta de 0,81% em novembro, contra avanço de 0,94% em outubro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor ficou acima das projeções do mercado, que esperava 0,72%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,13%.

E em 12 meses sobe 4,22%, superando também a meta de inflação do governo para o ano, de 4%.

Foi ainda a maior alta para o mês de novembro desde 2015. Em novembro de 2019, a taxa foi de 0,14%.

O BTG esperava uma variação de 0,62% para o IPCA-15 de novembro. E para o acumulado de 12 meses a previsão era de 4,05%.

Segundo análise do banco, os sinais são de alerta após a revisão do IPCA no Boletim Focus de 3,22% para 3,45% em 2020, o que gera pressão sobre a curva de juros.

Alimentos e bebidas puxaram a alta do IPCA-15 em novembro

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em novembro. Mas novamente o destaque é Alimentação e bebidas, que subiu 2,16%. No ano, o grupo acumula alta de 12,12%.

De acordo com o IBGE, os preços dos alimentos para consumo no domicílio subiram 2,69%, influenciados pela alta de alguns itens importantes na cesta das famílias, como as carnes (4,89%), o arroz (8,29%) e a batata-inglesa, que passou de -4,39% em outubro para 33,37% em novembro.

O tomate (19,89%) e óleo de soja (14,85%) também subiram, embora este último tenha desacelerado em relação ao mês anterior (22,34%). No lado das quedas, o destaque foi o leite longa vida, cujos preços caíram 3,81%.

A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,54% em outubro para 0,87% em novembro, principalmente em função da alta do lanche (1,92%). A refeição, por sua vez, variou 0,49%, frente à alta de 0,93% no mês anterior.

Transportes

O segundo maior impacto no IPCA-15 de novembro veio do grupo de Transportes, que subiu 1%.

O destaque foi a gasolina (1,17%), subitem de maior peso na composição do IPCA-15. Os preços de outros combustíveis, como o etanol (4,02%), o óleo diesel (0,53%) e o gás veicular (0,55%) também subiram.

A segunda maior contribuição no grupo veio do automóvel novo, com alta de 1,07%. Cabe mencionar ainda a desaceleração observada nas passagens aéreas, que passaram de alta de 39,90% em outubro para 3,46% em novembro.

Ainda em Transportes, as principais quedas foram observadas nos preços das passagens dos ônibus interestaduais (-0,52%) e dos ônibus intermunicipais (-0,40%).

Dívida pública

A necessidade de recursos em caixa para cobrir os gastos extras com a pandemia de covid-19 continua a pressionar a dívida pública, com o Tesouro Nacional emitindo títulos em níveis recordes.

Os números do Relatório Mensal da Dívida Pública de novembro sairão na quarta (23).

A Dívida Pública Federal (DPF) subiu, em outubro, em termos nominais, 2,47%, passando de R$ 4,527 trilhões para R$ 4,638 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que é a parte da dívida pública em títulos no mercado interno, subiu 2,48% em outubro, passando de R$ 4,281 trilhões para R$ 4,387 trilhões.

A alta deve-se, segundo o Tesouro, à emissão líquida de R$ 76,79 bilhões na DPMFi.

Além disso, houve a apropriação positiva de juros (quando os juros da dívida são incorporados ao total mês a mês), no valor de R$ 29,25 bilhões.

Maior nível para um único mês desde 2006

A emissão líquida de títulos da Dívida Pública Mobiliária Interna deu-se pela diferença entre o total de novos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional – R$ 173,26 bilhões – em relação ao volume de títulos resgatados (embolsado pelos investidores), que somou R$ 96,47 bilhões.

De acordo com o Tesouro Nacional, as emissões totais em outubro atingiram o maior nível para um único mês desde o início da série histórica, em 2006.

Até então, o recorde havia sido registrado em julho de 2020, quando o Tesouro colocou em circulação R$ 156,4 bilhões em títulos públicos.

PIB dos EUA

Na agenda externa, os números do PIB do terceiro trimestre dos EUA, que sairão na terça, são os mais aguardados da semana.

Em meio à escalada de casos, o país está em estado de atenção com lockdowns e decretos para diminuir a circulação de pessoas e aumentar o distanciamento social.

A atividade econômica causa inquietação. No último dia 16, quando o Federal Reserve (Fed) anunciou manutenção das taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano, um dos assuntos do comunicado foi justamente esse quadro de preocupação

O Fed reiterou que trajetória da economia dependerá principalmente do rumo do coronavírus — hoje com taxas recordes.

Atividade econômica

E observou que a atividade econômica, em recuperação, está “bem abaixo” do nível pré-pandemia.

O comitê disse que a pandemia apresenta riscos consideráveis ​​para as “perspectivas econômicas no médio prazo”.

Dessa forma, o anúncio do PIB deve apontar mais pistas sobre comportamento e perspectivas da retomada do crescimento.

A segunda estimativa do terceiro trimeste do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos confirmou a primeira leitura feita em outubro, que indicava alta de 33,1%, na comparação com o segundo trimestre e em termos anualizados.

A projeção do mercado era pouco superior: alta de 33,2%.

A informação foi divulgada em 25 de novembro pelo escritório oficial de estatísticas (BEA) do Departamento do Trabalho dos EUA. E aponta uma significativa recuperação ante os meses anteriores.

PIB reflete esforços de combate à pandemia

“O aumento do PIB do terceiro trimestre refletiu os esforços contínuos para reabrir negócios e retomar atividades que foram adiadas ou restringidas devido à Covid-19”, destacou o relatório preliminar de novembro.

Os gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiram a uma taxa anualizada de 3,7% no período.
Já o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, subiu 3,5%.

No segundo trimestre de 2020, o PIB havia recuado 31,4%, registrando o maior tombo desde a Grande Depressão.

A leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos veio pouco melhor do que o mercado projetava.

Apontou queda de 31,4%, ante recuo de 31,7% divulgados na segunda prévia. A primeira leitura apontava um tombo de 32,9%.

Ainda assim, o resultado foi o mais baixo já registrado desde os anos 1940, segundo o Bureau of Economic Analysis, do Departamento do Comércio dos EUA.

No trimestre anterior, que já captava em parte a crise decorrente da pandemia de coronavírus, a queda havia sido de 5%. E dois trimestres atrás, houve alta de 2,1%.

Veja a agenda completa

Segunda-feira (21)

  • BCB: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • MDIC: Balança comercial (semanal), às 15h
  • Confiança do Consumidor, zona do euro, às 12h

Terça-feira (22)

  • FGV: Sondagem do Consumidor (dez), às 8h
  • IBGE: IPCA-15 (dez), às 9h
  • EUA – PIB (3° tri.) – final às 10h30
  • EUA – Confiança do consumidor – Conference Board (dezembro), às 12h

Quarta-feira (23)

  • Tesouro: Relatório mensal da dívida pública federal (novembro)
  • FGV: INCC-M (dez), às 8h
  • FGV: Sondagem da Construção (dezembro), às 8h
  • FGV: Sondagem do comércio (dezembro, às 8h)
  • BCB: Nota à imprensa – Política monetária e operações de crédito (novembro), às 9h30
  • BCB: Fluxo Cambial (semanal), às 14h30
  • EUA, Rendimento pessoal (novembro), às 10h30
  • Gastos pessoais (novembro), às 10h30
  • Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 10h30
  • Índice de confiança da Universidade de Michigan (dezembro), às 12h

 

 

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