Presidentes da Abrasce e Alshop falam sobre a crise do coronavírus nos shoppings

Rebeca Torres
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Crédito: Sunyu Kim / Unsplash

Por causa da pandemia do novo coronavírus, muitos setores da economia vêm sofrendo baixas e as redes varejistas estão entre aquelas que mais estão sendo afetadas pela crise gerada pela pandemia, já que diversos shoppings do Brasil estão abrindo ações de despejos contra lojistas inadimplentes.

Para entender melhor o que está acontecendo, a Eu Quero Investir entrevistou Glauco Humai, presidente da Associação Brasilleira de Shoppings Centers (Abrasce), e Nabil Sahyoum, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

Coronavírus e despejo dos lojistas

Glauco Humai, presidente da Abrasce, reconhece a gravidade da situação e diz que a entidade tem “trabalhado para minimizar o máximo possível do impacto desse crise mundial no setor”.

“O setor de Shoppings foi 100% atingido com a crise da COVID-19. Os 577 estabelecimentos localizados nas 222 cidades do Brasil estão fechados, seguindo as determinações dos decretos estaduais e municipais. A Abrasce vem trabalhando para minimizar o máximo possível o impacto dessa crise mundial no setor”, explica Humai.

Nabil Sahyoun, representante da Alshop, apresentou uma outra perspectiva. “Eu acho que depende muito da política de cada shopping, do quadro, se o lojista já estava em uma situação de dívida muito grande, se estava inadimplente, se o shopping tem interesse que ele fique ou não”, revela.

Sahyoun também disse que “são feitas muitas análises” e cada lojista é avaliado particularmente. “Se você tem um lojista que sempre teve uma condição de pagamento boa, se foi um bom empresário, com certeza, vai se fazer um acordo para ele continuar”, ressalta o presidente da Alshop.

Ações para conter a crise

Humai afirmou que há um “diálogo constante com as autoridades e com as entidades do varejo e dos lojistas”. Também disse que solicitaram ao governo federal o adiamento  de impostos que impactam diretamente na folha de pagamento.

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“Também estamos negociando com os municípios o adiamento da cobrança do IPTU, enquanto a crise durar e enviamos ainda uma carta para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a fim de negociar contratos feitos antes da crise. A preocupação é manter o fluxo de caixa. A responsabilidade de todos nesse momento é resolver a crise sanitária, mas não podemos esquecer a economia”, revelou Glauco Humai.

Outras ações, de acordo com Humai, envolvem recomendações aos shoppings para renegociarem os custos de aluguel e condomínio. “Para o aluguel, a recomendação é o adiamento da cobrança até que a situação melhore, também recomendamos descontos nas taxas condominiais, que estão variando entre 30% e 40%, além da isenção do fundo de promoção. Esse movimento já trouxe um benefício de R$ 1 bilhão para os lojistas durante a crise”, pontuou.

Nabil Sahyoun, da Alshop, explicou que estão negociando ao máximo para “minimizar a dor dos lojistas” e listou algumas ações.

“Enquanto as lojas estiverem fechadas, nós temos um grupo de empresários que vai isentar os lojistas e tem um outro grupo de empreendedores de shopping que vão postergar essa discussão pra frente, se vão cobrar ou não o aluguel de lojas fechadas. A gente tem uma compreensão de que como o quadro de movimento do faturamento vai ser muito baixo, os próprios shoppings não vão ter nenhum interesse em fazer uma cobrança a mais, pra não sangrar mais o lojista e correndo o risco que ele saia do empreendimento. O shopping não deseja que o bom lojista saia”, explicou.

Sahyoun também explicou como estão se dando as negociações em âmbito estadual. “Em relação ao governo do Estado, estamos em negociação para que a gente consiga pelo menos postergar seis meses o ICM na nossa volta, porque o faturamento vai ser baixo e ninguém vai pensar em pagar ICM na situação que está. Por isso a gente está pedindo a postergação, estamos pedindo ainda para o prefeito transferir pro ano que vem o pagamento de IPTU, já que ninguém vai ter caixa pra pagar IPTU neste momento também”, disse.

Retomada das atividades no pós-crise

Pra finalizar, Glauco Humai, presidente da Abrasce, afirmou que o setor de shoppings vai superar essa crise, pois, já vivenciaram outras. “Já passamos por outras crises e essa será mais uma que iremos vencer. Esse momento reforça a importância da operação omnichannel, algo que os shoppings já investem. Mas reforço que a prioridade nesse momento é garantir que a crise de saúde seja resolvida, para garantir segurança e que todos se sintam confortáveis para regressar às ruas e retomarem seus hábitos de consumo”, destacou Humai.

 

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