Presidente do Bradesco: demanda por crédito sobe para R$ 20 bi por dia

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, revelou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que a demanda por crédito em seu banco aumentou dez vezes nos primeiros dias da crise do coronavírus.

O executivo comparou a “loucura” das empresas em busca da liquidez com a voracidade que a população partiu em busca de álcool gel, produto mais cobiçado durante a pandemia.

Lazari informou que a demanda subiu de R$ 2 bilhões por dia para R$ 20 bilhões.

“Empresas que nunca pediram crédito, que têm linhas aprovadas há mais de cinco anos no Bradesco e que nunca tomaram crédito, vieram pedir os recursos porque queriam proteger o caixa e ter mais liquidez”, comentou.

“Optamos por distribuir isso (a liquidez) ao longo do tempo porque não podemos atender somente as grandes empresas, temos de atender as pequenas”, completou o executivo.

Na visão do presidente do Bradesco, a economia brasileira sofrerá uma retração de até 4% em 2020 por causa da pandemia, mas o problema começará a ser resolvido já em 2021.

“Vamos em frente. Vai passar. Um dia de cada vez”, apostou.

Demanda controlada

A demanda de crédito, que explodiu no começo da pandemia de coronavírus, já está normalizada, segundo o presidente do Bradesco.

“Como era antes da crise do coronavírus, com R$ 2 bilhões, R$ 3 bilhões de pedidos por dia. Foram três, quatro dias de loucura, mas que passaram porque todo mundo pediu no mesmo dia e, daí, não dá para atender”, pontuou.

“O problema maior que estamos enfrentando é que os bancos americanos cortaram 80% das linhas dos bancos brasileiros e o preço quadruplicou porque precisavam atender as empresas americanas que estavam demandando recursos”, completou Lazari.

Parte da solução

Em outra entrevista publicada nesta quarta-feira, desta vez para a Folha de S.Paulo, o presidente do Bradesco saiu em defesa das instituições financeiras, às vezes alvo de duras críticas.

“Essa não é uma crise financeira. É uma crise de sobrevivência”, comentou Lazari. “Todo o mercado mundial acaba imputando culpa aos bancos. Mas nós não somos parte do problema, somos parte da solução”, completou.

Na visão do executivo, cada parte da sociedade precisa desempenhar o papel que lhe é cabida para, na soma, o País conseguir encontrar uma solução para controlar os efeitos da pandemia do coronavírus.

“Quando você está doente, você não vai numa agência bancaria ou num pet shop pedir para o seu gerente ou o balconista te examinar. Você vai procurar um médico. Então, cada um no seu lugar”.

Crise de 2008 x crise do coronavírus

O presidente do Bradesco também foi questionado sobre o que espera ao fim da pandemia do coronavírus, que já vem sendo apontada pelo FMI como mais danosa à economia do que a crise econômica mundial de 2008.

Para Lazari, é “óbvio” que haverá inadimplência em níveis elevados, mas os bancos estão bem preparados para lidar com os efeitos devastadores que a pandemia deixará no sistema financeiro global.

“É óbvio que vamos ter uma crise maior pela frente. Algumas empresas de fato vão fica pelo caminho. Mas tiramos lições importantes da crise de 2008, que passou a exigir, em nível internacional, muito mais capital e provisões para que os bancos estivessem mais capitalizados. Hoje, os bancos brasileiros estão muito bem capitalizados e têm provisões suficientes. Mas eles também vão se proteger para enfrentar essa inadimplência que vem por aí”.

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Débito fiscal x Reforma da Previdência

Para o executivo do Bradesco, o buraco fiscal que será criado por conta de todo o dinheiro que o governo está injetando para conter a pandemia do coronavírus já tem tamanho. E não é pequeno.

Lazari previu que o problema fiscal “será do mesmo tamanho do benefício que obtivemos com a reforma da Previdência, algo como R$ 800 bilhões ao longo de dez anos”.

O presidente do Bradesco encerrou a entrevista afirmando que torce para que tudo isso se resolva “o mais rápido possível”.

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