Presidente do BC diz que aprovação do Orçamento criou “incerteza fiscal”

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Reprodução

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), avaliou que a aprovação do Orçamento de 2021 pelo Congresso Nacional criou um clima de “incerteza fiscal” no País.

De acordo com o executivo maior da autarquia, que nesta terça participou de uma videoconferência, a explicação “não foi boa o bastante”, e os efeitos podem prejudicar a economia do País.

“Provavelmente, a explicação para o Orçamento não foi boa o bastante e criou muita incerteza por algo que, na realidade, as pessoas esperavam ver de uma forma mais simples e clara”, pontuou.

“Eu acho que o ministro Paulo Guedes tem explicado o processo. A incerteza ao redor disso criou um prêmio fiscal. Precisamos explicar às pessoas o que vai ser feito, precisamos remover isso. E acho que é relativamente fácil fazer isso”, completou.

A declaração foi dada somente um dia depois de Paulo Guedes, Ministro da Economia, ter afirmado que não houve “má fé” dos envolvidos no processo de aprovação do Orçamento, que ainda carece da sanção presidencial

Cautela é a palavra de ordem para o presidente do BC

Roberto Campos Neto também foi abordado sobre o desejo de diversos setores da sociedade para que em 2021 seja decretado o estado de calamidade pública, repetindo o que ocorreu no País em 2020.

Segundo ele, é preciso ter cautela antes de forçar qualquer decisão nesse sentido, pois os impactos negativos podem ser maiores do que os benefícios.

“Se eu disser que estou entrando em estado de calamidade porque quero gastar R$ 25 bilhões a mais, eu posso garantir que os efeitos econômicos, nos mercados, vindos de distúrbios nas variáveis macroeconômicas, serão maiores do que o efeito econômico positivo de gastar mais”, ponderou.

“Nós temos que ser muito cautelosos com a narrativa que será usada se esse for o caminho adotado. Eu vejo claramente que, se você não tem a narrativa correta, vejo um efeito negativo em termos de algo para o qual você espera um efeito positivo. Acho que é isso que o mercado está nos dizendo, que as variáveis estão nos dizendo”, complementou.

Os reflexos, segundo o presidente do BC, estão aí para qualquer pessoa com o mínimo de poder de observação perceber.

“Podemos ver isso nos níveis de confiança, caindo novamente. As pessoas estão tentando entender esse novo movimento da pandemia, o impacto em suas vidas, e o quanto isso vai demorar”, disse.

Vacina é esperança

O presidente do BC engrossou um coro há muito tempo puxado por setores influentes da política e afirmou que o reaquecimento da economia como um todo está diretamente ligado ao aumento massivo da vacinação contra o novo coronavírus.

“Isso nos diz, basicamente, que até julho teremos a maior parte das pessoas mais expostas, aquelas com mais risco, vacinadas. E se você olha para o efeito disso na curva, pode-se dizer que no segundo semestre poderemos reabrir a economia. Há muitas suposições aqui, as coisas podem ser diferentes”, afirmou.

Para Campos Neto, se o Brasil acelerar o suficiente para vacinar dois milhões de pessoas por dia, o impacto nos níveis de atividade econômica serão “enormes”.

Até chegar a esse nível, no entanto, o caminho ainda é longo, já que o País sequer alcançou a marca de 1 milhão de vacinados por dia até esse início de abril.