Presidente do BC critica ideia de “imprimir dinheiro” para sair da crise

Paulo Amaral
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Crédito: Agência O Globo

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), criticou a proposta do secretário de Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, de “imprimir dinheiro” para conter a crise de coronavírus no País.

Em entrevista exclusiva para o portal Uol nesta quinta-feira (9), Campos Neto afirmou achar “perigoso” esse tipo de procedimento no atual cenário econômico brasileiro.

“Eu acho que o argumento de imprimir dinheiro porque a inflação está relativamente baixa é perigoso porque se temos um sistema de meta de inflação que tem assimetrias, se você imaginar que, quando você está embaixo, você vai imprimir dinheiro para atingir a meta, você vai fazer com que o seu equilíbrio de juros neutros seja um pouco mais alto”, argumentou.

O principal executivo do BC se mostrou aberto a receber sugestões, mas reforçou que a sugestão do membro do Governo de São Paulo não será levada adiante.

“Eu acho que a saída não é por aí. É uma ideia, estamos sempre dispostos às ideias, mas hoje nós não entendemos que é a melhor saída não”.

Crescimento das fintechs na crise

O presidente do BC também falou sobre o risco de haver concentração bancária durante a pandemia de coronavírus, como ocorreu em situações similares no passado, mas que está tomando cuidado para o cenário não se repetir.

“Obviamente quando você tem essa corrida liquidez e o preço do dinheiro fica mais caro, você tende, pela forma como o BC opera, a colocar mais liquidez nos bancos maiores, então sim, isso tem uma consequência. Eu acho que a nossa tarefa aqui é não deixar com que essa crise nos leve ao ponto anterior, onde as pessoas estavam relativamente tranquilas com o sistema que nós tínhamos e não provocavam a competição”.

Para Roberto Campos Neto, o cenário causado pela pandemia do coronavírus, principalmente com o anúncio do auxílio emergencial (coronavoucher) para milhões de trabalhadores informais, é uma chance de ouro para as fintechs aproveitarem.

“Eu acho que é uma oportunidade para quem tem esse nicho de capitalização de entrar no mercado. De fato, 54% das classes D e E não têm conta em banco, isso é um fato. A gente vê que existe essa dificuldade. Entendemos que essas pessoas precisam ser atendidas”, admitiu.

O executivo do BC elogiou a grande capacidade da Caixa Econômica Federal em atender a demanda (o Banco anunciou a criação de 30 milhões de Poupanças digitais), mas repetiu que as fintechs são um caminho bastante interessante para quem ainda não consta do sistema financeiro.

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“A Caixa Econômica tem uma capilaridade enorme, é o banco que tem mais capilaridade. Através das lotéricas você consegue ter um alcance incrível. Eu acho que foi demonstrado em termos de capacidade de processar e pagar recente que a Caixa de fato tem essa aptidão, mas a gente tem que atender os que estão embaixo também. Eu acho que é uma oportunidade para as fintechs, uma oportunidade grande”, finalizou.

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