Presidente do BC cita prêmios em LTFs para exemplificar risco fiscal

Paulo Amaral
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Crédito: José Cruz / Agência Brasil.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), participou nesta quinta-feira (8) do Itaú LatAm Day, e abordou o atual cenário econômico do País.

De acordo com o alto executivo da autarquia, o risco fiscal a que o Brasil está exposto tem ligação direta com o aumento recente do prêmio em LFTs, títulos públicos pós-fixados.

Os papéis, segundo a argumentação de Campos Neto, estão com pouca demanda por parte dos investidores em meio à nova realidade – taxa Selic a 2,0% a.a. e crescimento dos temores fiscais.

A soma desses fatores fez as LFTs fecharem setembro com a primeira queda mensal no preço em 18 anos, com recuo de 0,27% conforme o índice IMA-S da Anbima.

A tendência segue em outubro e, até agora, o recuo das LFTs já chegou a 0,43%.

BC diz que países “de direita” tiveram resposta fiscal maior

Roberto Campos Neto também mostrou em sua apresentação, por meio de gráficos, que países com orientação política “de direita” apresentaram uma resposta fiscal maior durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo os dados apresentados pelo presidente do BC, a resposta fiscal média dos países de esquerda foi de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB). No caso dos países de direita, foi de 7,5% do PIB.

O executivo não nomeou em sua apresentação, no entanto, quais seriam os países componentes de cada um dos dois grupos exemplificados.

EUA, Europa e China

O presidente do Banco Central voltou a falar que “o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”.

“Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”, pontuou.

Segundo ele, é fundamental que o estímulo monetário continue elevado, como vem acontecendo em outras partes do planeta.

Campos Neto citou que, segundo os dados mis recentes, o consumo nos Estados Unidos está “retornando aos níveis pré-pandemia”.

De acordo com o presidente do BC, na Europa, por sua vez, a crise afetou os países de forma desigual e que a recuperação começou em maio após “severas perdas” em abril.

Ao falar sobre a China, “berço” da pandemia, Campos Neto afirmou que a recuperação econômica é rápida, apesar de incompleta.

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