Presidente do BC alerta para risco de novo estímulo fiscal

Paulo Amaral
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Crédito: José Cruz / Agência Brasil.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC) comentou nesta terça (2) sobre os riscos do País se houver necessidade de um novo estímulo fiscal.

Segundo o principal executivo da autarquia, não há espaço para novos pacotes se colocar em risco a meta traçada pelo Banco Central para equilibrar a economia do Brasil.

“A mensagem agora é que, se por alguma razão precisarmos de um estímulo fiscal adicional na economia, você tem que ter uma contraparte de onde você tira dinheiro de outro lugar. Porque chegamos a um ponto na inflação em que, se você fizer mais fiscal [aumento de gastos], por causa da credibilidade, eu posso não atingir a meta desejada”.

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Durante participação na videoconferência, Campos Neto lembrou que o aumento dos gastos públicos no País durante o combate à pandemia fez com que a dívida pública estourasse, chegando próxima de 90% do PIB do País. E que isso poderá ficar pior se um novo pacote de auxílio emergencial for aprovado.

Na visão do executivo, caso isso seja necessário, por conta do agravo da segunda onda do novo coronavírus, “os demais gastos do governo têm de ser contidos travando o orçamento”.

BC pede foco nas reformas

O presidente do BC citou que o mais importante para evitar o colapso econômico total no Brasil é ver o Congresso aprovar as reformas que estão estacionadas na Casa.

“O que temos de fazer é passar as reformas para sustentar a dívida, atingir um equilíbrio e conseguir credibilidade. E para conseguir credibilidade, temos de dizer às pessoas que fizemos um desvio, mas que somos sérios com relação à convergência fiscal. Ser sério com relação à convergência fiscal envolve outras reformas”, disparou.

“É um grande desafio, mas acho que temos condições de, passadas as eleições no Congresso agora, de começar a combater esses problemas”, completou Campos Neto.

Assim como fez o ministro Paulo Guedes recentemente, o executivo do BC também avaliou a importância de agilizar a vacinação em massa no País como forma de reaquecer o mercado econômico e a geração de empregos.

“Olhando para os mercados e como a economia reage, as pessoas estão olhando mais agora em como vai ser o processo de vacinação, do que qualquer outra coisa. Mais do que se precisamos de mais estímulos”, pontuou.

“Em Israel, depois de vacinar as pessoas mais velhas, o número de pessoas indo ao hospital, e de mortes, caiu dramaticamente. A prioridade de como você vai vacinar a população é muito importante. É algo que estamos falando no Brasil. O Brasil tem uma capacidade muito, muito grande vacinação, tem muitos programas”, concluiu.